Classificação

8.5
Interpretação
6
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Peacock, o novo serviço de streaming lançado na quarta-feira (dia 15 de julho), estreou com apenas três séries, duas delas britânicas, The Capture e Intelligence. Ambas são histórias de advertência sobre os serviços de inteligência britânicos. Mas é sobre a segunda que vos quero falar hoje.

Intelligence é uma série de comédia com episódios fugazes de 20 e poucos minutos cada, e que contém no seu elenco nomes como Nick Mohammed, Janes Stanness, Sylvestra Le Touzel e… David Schwimmer. Sim, leste bem, o eterno Ross de Friends. Desde 2004 que não se via Schwimmer a protagonizar uma comédia e posso-vos dizer que mesmo com este tempo todo passado sem meter as mãos na massa ele continua com bastante para nos dar e fazer rir. Para mim foi uma aposta ganha incluí-lo entre os eleitos para esta comédia e não se pode culpar a Peacock por querer uma comédia que contenha David Schwimmer entre os seus nomes. Só ele já é motivo para muita gente assistir a esta série.

Mas falemos então da série e, mais propriamente, do seu primeiro episódio. Schwimmer interpreta aqui Jerry Bernstein, um agente da NSA que é designado para aterrar em Londres sobre circunstâncias suspeitas para servir como elo de ligação com a unidade de crimes cibernéticos britânica (GCHQ).

Jerry é impetuoso, rude e arrogante, exatamente como esperamos numa comédia de peixe fora de água sobre as relações anglo-americanas e isto faz com que o choque com a diretora séria e sem expressão Christine (Sylvestra Le Touzel) seja demasiado grande e engraçado de se ver. Com tudo isto a acontecer, algumas perguntas surgem. O novo trabalho de Jerry é uma promoção? Uma punição? Será que ele tem um motivo oculto? Talvez o saibamos mais tarde… Por fim, atuando como o personagem mais desajeitado e pateta, encontra-se Joseph Harrison, um analista júnior da empresa que percorre todas as situações e olha para Jerry como um ídolo seu.

Foi um primeiro episódio fácil de passar, mas nem sempre as piadas atingiram, pelo menos para mim, todo o seu potencial. No entanto, mesmo quando a história e o humor nem sempre atingiram as tais notas certas, são os personagens que permanecem firmes e carismáticos. Intelligence tem uma variedade muito boa de personagens e isso também ajuda a que se goste da série.

Intelligence não parece ser a comédia mais inteligente do ano, mas teve risadas suficientes para dar vontade de dar uma vista de olhos no resto da temporada. Para mim, mais uma vez os ingleses mostraram o seu à vontade em fazerem séries de comédia restringidas ao local de trabalho. E mais uma vez o resultado é, no mínimo, agradável.

No entanto, e contrariamente ao que eu estava à espera, um dos pontos negativos é o quão pouco Intelligence tem a dizer sobre segurança nacional ou crimes cibernéticos, mesmo sendo esta uma série sobre isso. Pelo menos foi o que me pareceu neste primeiro episódio. Havendo também por vezes piadas demasiado exageradas e forçadas e que por isso acabam por não ter o efeito desejado.

Embora o primeiro episódio de Intelligence pudesse, para mim, ter sido mais engraçado, Mohammed, Schwimmer e o resto do elenco fazem um trabalho tão forte em incorporar os seus personagens que acho que também vale a pena fazer o ‘esforço’ para ver que rumo esta série vai tomar. Certamente fizeram algo bem, pois uma segunda temporada já está confirmada!

Filipe Tavares