Classificação

7.5
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
7.5
Banda Sonora

Dark é a primeira série alemã, e falada em alemão, original da Netflix. Mas não deixem que a linguagem pouco comum vos iniba de assistir a este piloto e tirar as vossas próprias conclusões, porque a série com certeza merece ser, pelo menos, testada.

O nome da série é facilmente associado à sombra que adensa os mistérios e torna a verdade oculta, mas sobretudo aos cenários predominantemente negros, cenários esses que poderão ter as suas parecenças com os meios onde a ação de Stranger Things também se passa, florestas solitárias, garagens e arrecadações… Aliás, é difícil não nos recordarmos de Stranger Things ao ver esta série, porque há vários elementos que têm esse efeito ,desde o grupo juvenil (ainda que mais velho), ao misto de policial com toques de sobrenatural. Visualmente tem também outros pequenos detalhes que não são totalmente novos nesta onda de filmes e séries que aliam investigação policial ao universo do terror e dou-vos como exemplo o casaco amarelo do protagonista a fazer lembrar o outfit da criança do filme It.

A trama envolve uma pequena comunidade que acaba de assistir a dois desaparecimentos de adolescentes a que acresce ainda o aparecimento do corpo de uma criança que não é nenhum dos dois desaparecidos. Mas mais que o mistério por detrás desses desaparecimentos, temos essencialmente quatro famílias com imensas conexões, desde namoros, traições, interesses e rivalidades. Os filhos dessas quatro famílias compõem o grupo de adolescentes que pretende investigar os desaparecimentos por conta própria, mas a maior parte dos segredos prende-se com a geração de pais desses jovens.

Não querendo levantar muito o véu sobre o que a série vai apresentando, começamos com o suicídio do pai de um dos miúdos do grupo, com uma carta enigmática com instruções precisas acerca do momento em que deveria ser aberta. A carta é encontrada pela mãe do homem que pôs fim à sua vida e o conteúdo da mesma será um dos grandes enigmas desta série, o qual incute uma vontade substancial de não nos ficarmos pelo piloto. O que é certo é que esse conteúdo não será inócuo nem desprovido de relação com todo o momento negro que a comunidade atravessa.

Não obstante alguns elementos menos originais e alguns clichés demasiado óbvios, há algo de muito bem feito neste piloto  e que foi precisamente a capacidade de deixar no espectador a dúvida se a origem dos desaparecimentos será meramente do foro policial, com um possível criminoso responsável por esses desaparecimentos ou se, por outro lado, há algo de sobrenatural que ajude a explicar o curso dos acontecimentos. Poderá ainda ser um acumular dos dois fatores e para ver essas questões respondidas há um bom remédio: assistir aos 10 episódios de Dark.

André Borrego