Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
8
Realização

Tendo como partida o nosso novo estilo de vida socialmente mais distante, a NBC estreou no dia 8 de outubro Connecting…, uma série de comédia criada por Martin Gero e Brendan Gall, que segue um grupo de amigos enquanto eles se mantêm ligados mesmo remotamente e sobrevivem à vida em quarentena durante a pandemia do coronavírus.

Este primeiro episódio, apesar de acontecer apenas algumas semanas após o encerramento e confinamento, todos já estão a dar em malucos. Claro que, cada um à sua maneira e com os seus problemas (uns mais graves que outros), vão revelando ao longo destes 20 minutos numa conversa num chat de vídeo.

Todos os oito personagens/amigos aqui apresentados são bastante diferentes. É-nos apresentada uma médica (Cassie Beck) na linha da frente na luta contra a COVID-19, um pai  (Parvesh Cheena) não acostumado a estar sempre com os seus filhos pequenos em casa, um fanática por desporto (Shakina Nayfack), entre outros. Aliás, são tão diferentes ao ponto de nos perguntarmos como é possível eles serem amigos. Algo de muito estranho deve ter acontecido para estes fulanos se terem cruzado na vida e se terem tornado amigos que falam diariamente num chat.

Mesmo estando separados, a química entre eles foi bastante boa e manteve-me interessado na conversa apesar de ser uma conversa das mais banais possíveis. Existiram sentimentos bem interpretados, emoções cruas, falas rápidas e humor seco. As emoções tornam-se ainda mais reais quando sabemos que toda esta série foi mesmo produzida remotamente e que cada ator está realmente em sua casa a viver o que nos apresenta – confinamento.

Tendo em conta estes primeiros 20 minutos parece-me ser uma série que dificilmente seria criada se não vivêssemos os tempos que vivemos, ainda para mais tendo em conta a vasta gama de séries que existe hoje em dia. É uma série que reflete a atualidade e o que tem sido a vida de muitos de nós neste últimos tempos e isto é interessante, pois conseguimo-nos identificar com a série, com cada um dos personagens e com o que estão a viver, mas ao mesmo tempo, numa época em que as pessoas querem é ver séries, que os façam fugir da realidade que se vive esta série volta a meter-nos cá dentro.

Qual, então, das duas opções é a melhor? Ver Connecting… ou não ver? O conceito é único, atual e bastante original, mas acredito que muitas pessoas não queiram isto agora, penso que será daquelas series que é mais apreciada no futuro em que as pessoas a verão para relembrar o que viveram, chorar, rir e, no fundo, viver (pois tal como diz Vitor Espadinha, recordar é viver).

Dito isto, penso que temos aqui uma série de extremos: ou se gosta do conceito ou não se gosta, pelo menos agora, e não se vê.

Filipe Tavares