Classificação

9
Interpretação
6.5
Argumento
8
Realização
5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Produzido pela National Geographic, Barkskins é um drama histórico, centrado no tema da desflorestação. É passado na era da colonização da Nova França, uma área colonizada pelos franceses na América do Norte, por volta de 1600. A série foi baseada no livro de 2016, da autora Annie Proulx, com o mesmo nome.

Segue a vida de um grupo de deslocados trazido para a Nova França, mas foca-se especialmente em dois imigrantes, René Sel e Charles Duquet, que trabalham como lenhadores (barskins era a palavra usada para se referirem aos homens que cortavam árvores). A série irá abranger um período de mais de 300 anos, começando no momento em que estas personagens e outros imigrantes europeus chegam ao local, e chegará até aos dias de hoje, com os problemas atuais de desflorestação, devido ao aquecimento global.

O episódio começou com uma breve explicação do contexto histórico, que é muito bem vindo para compreender as cenas que se seguem, apostando depois nas paisagens deslumbrantes para onde os novos colonos se dirigem. Acho que a cinematografia está excelente, bem como a performance dos atores, que desde o início encaram muito bem o seu papel. As personagens não são marcadas como boas ou más, estereótipo tentador para os escritores usarem, colocando os colonizadores como criaturas horríveis e os restantes como anjos. É óbvio que não glorifica, de todo, o papel dos colonizadores e somos expostos, desde logo, aos horrores passados pelos índios, mas admiro quando as personagens adquirem esta moralidade mais humana e realista, mostrando que nem todos são maus, mas nem todos são bons.

Como podem ter visto na coluna da pontuação, o argumento para mim ficou muito abaixo do resto. Apesar de estar a apreciar todas as cenas, que estão muito bem construídas, o episódio não me conseguiu prender a nível da narrativa. Deu para conhecer um pouco das personagens, especialmente acerca das relações de poder entre os colonizadores e os colonos, e o papel que cada uma das partes terá para a história. Mas eram tudo narrativas que eu já estava à espera e não houve nada que me surpreendesse ou que me deixasse à espera do próximo episódio. Claro que pode ter sido um episódio piloto mais lento e o resto da temporada pode mudar de rumo, mas mesmo em termos das personagens, não fiquei emocionalmente ligada a nenhum deles.

O conceito da série é interessante, penso que fizeram um bom trabalho em mostrar os dois lados e há até a perspetiva feminina das raparigas que foram levadas para a Nova França, algo inovador comparando com outras séries históricas do género que vi. O meu conselho é: vejam se estiverem mesmo interessados no tema, caso contrário talvez não apreciem a narrativa, apenas as paisagens bonitas!

Ana Oliveira