Classificação

7
Interpretação
6.5
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

Mais um dia, mais uma aposta da Netflix em séries espanholas. Depois de sucessos como La Casa de Papel, Las Chicas del Cable, Vis a Vis La Casa de las Flores, veio El Vecino, que trata de um tema já bastante batido, mas inédito em séries da terra de nuestros hermanos: super-heróis. E para além de ser sobre super-heróis, é uma comédia, o que, como sabemos, resulta bastante bem em filmes como Deadpool. Como tantas outras séries do género, esta é adaptada de uma banda desenhada homónima, dos escritores Santiago García e Pepo Pérez.

Javier é um tipo com muitas ideias, mas no final do dia tem um empregozito num café e uma relação não muito forte com a namorada, Lola, uma jornalista determinada. No prédio de Javi vive uma amiga de Lola, Julia, e em breve muda-se o tal vecino (suponho eu), José Ramón.

Depois de ter descoberto, ao ouvir uma conversa telefónica, que Lola o considerava uma pessoa egoísta (pelo que vi ela tem toda a razão), Javi resolve “roubar” a casa que o patrão tinha reservado para o fim de semana. Uma casa pavorosa numa aldeia no meio do nada. Como é claro, corre mal ao ponto de virem embora mais cedo. Não sei como é que as coisas vão acabar, mas não vejo nem química, nem paixão nem nada que me faça torcer por estes dois. Javi não tem nada de apelativo e Lola é uma mulher com garra.

No entanto, a vida dele muda quando recebe super-poderes de um herói que morre ao chegar à terra. Como tal, passa os poderes a Javi e terá de ser este a salvar o cosmos. Até agora não sabemos nada disso. Neste episódio piloto só descobrimos que Javi consegue curar-se rapidamente e que voa. Não sabemos que mais pode fazer nem qual é ao certo a sua missão ou se será simplesmente combater o crime em Madrid. O que sabemos é que o seu ajudante, o seu Robin, é José Ramón, um estudante que acaba de se mudar para a capital. Esse sim, parece ser bem mais interessante que o protagonista. Pobrezinho, corre-lhe tudo mal desde que saiu da sua terra. As pessoas do blá blá car deixam-lhe o carro imundo, o quarto que arrendou é minúsculo e o seu senhorio é um lunático.

Apesar de ter uma premissa comum (quem não está já farto de super-heróis?), pode ser que um protagonista um tanto detestável (mas que não deixa de ser interessante, admito) e uma mudança de cenário dos EUA para a Europa tornem a coisa mais apelativa. A verdade é que para um episódio relativamente curto (30 minutos) ainda fui algumas vezes ao telemóvel porque havia partes que era um enche-chouriços e sem piada.

Com tudo isto não quero dizer que seja uma má estreia. Temos bons atores que dão vida a personagens apelativos e uma história com muito por explorar. Simplesmente para mim em termos de projetos espanhóis para a Netflix foi o mais fraco (falando apenas da estreia). Veremos o futuro.

Maria Sofia Santos