Classificação

9
Interpretação
8.5
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

Pode conter spoilers!

A Apple entrou, neste dia 1 de novembro, num novo mercado competitivo dominado pela Netflix e Amazon, o mercado de streaming, lançando a sua nova plataforma, Apple TV+.

De maneira a tentar combater estes gigantes, este ‘monstro’ tecnológico sabe que tem de entregar aos espectadores conteúdo de topo e por isso mesmo lançou algumas séries bastante boas logo no dia de abertura. A que me traz aqui hoje é nada mais que See.

See é uma série pós-apocalíptica que tem como ator principal Jason Momoa (Game of Thrones, Aquaman) e como escritor e showrunner Steve Knight, com provas dadas de ser capaz de criar personagens memoráveis tais como Thomas ‘fucking’ Shelby de Peaky Blinders.

Aqui, Knight criou um mundo distópico que é realmente estranho, mas também maravilhoso. Esta história situa-se 600 anos depois de um vírus mortal ter dizimado quase toda a humanidade e todos os seres humanos que conseguiram procriar a partir desse dia só tiveram filhos cegos, sendo que a trama se centra numa tribo local, liderada por Baba Voss (Momoa), que está prestes a entrar em guerra.

Este primeiro episódio foi muito interessante, intenso e divertido ao mesmo tempo. Faz séculos que o vírus devastou a humanidade e todas as pessoas adotaram estilos de vida mais inclinados a magias, sendo que também algumas aumentaram outros sentidos devido à perda da visão. Existem personagens que ouvem muito melhor que outros; por exemplo, existe um que pode ouvir a quantas batidas do coração as pessoas estão de distância. Outros podem sentir medo e raiva. É uma adição engraçada e mal posso esperar para ver como isso se vai desenrolar nos próximos episódios.

Todas os personagens me fizeram acreditar verdadeiramente que não conseguiam ver rigorosamente nada e ao mesmo tempo mostraram-me o grande poder que nós temos em nos conseguirmos adaptar a novas situações e a superá-las de uma maneira grandiosa

Uma das coisas pelas quais mais me despertava a curiosidade, especialmente numa série como See, eram os combates. No que diz respeito às expectativas (que não eram altas à partida) posso dizer que fui bastante surpreendido e que a série é excelente neste aspeto. Lembrem-se de que todos os que estão a lutar são cegos e portanto haverá momentos que parecem incríveis (como quando se vê uma pessoa habilmente bloquear um ataque de alguém que está parado, algo que já seria bastante difícil de fazer com visão a 100 por cento), mas, honestamente, na maioria das vezes, a luta é visceral e intensa. Sentimo-nos como estando ao lado dos combatentes durante a maior parte do tempo.

Para além disto, os custos de produção devem ter sido notavelmente altos porque os cenários apresentados são incríveis, fazendo lembrar um pouco Game of Thrones, o que para mim é um ponto brilhante para a série. Não que isso signifique necessariamente que esta é uma boa série, até porque em apenas um episódio não se pode garantir que o seja, mas pelo menos parece realista o suficiente para a configuração que nos é apresentada.

Para finalizar, apesar de a história abrangente ser super estranha às vezes, Knight foi capaz, a meu ver, de fundamentar a sua história com um senso de humanidade que é refrescante para uma série pós-apocalíptica. Vejam, não se vão arrepender!

E, já agora, se gostam de ver paisagens verdes, montanhas, neblina e água, bem, See é genuinamente bonita de se ver!

Filipe Tavares