Classificação

8.5
Interpretação
9
Argumento
8
Realização
10
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Dickinson, uma das principais e mais fortes apostas do novo serviço de streaming Apple TV+, é tudo menos o típico drama histórico. Com Hailee Steinfeld no papel principal, a série retrata a vida de Emily Dickinson, uma mulher americana com o sonho de se tornar escritora, apesar de a sociedade da altura fazer de tudo para se opor.

Como referi, apesar de terem lido ‘drama histórico’, esta série opõe-se a todas as séries de época que já viram. As personagens falam de forma contemporânea, o ritmo da montagem é rápido e tem das melhores bandas sonoras modernas que já ouvi. Eu sei, eu sei… parece ser uma combinação estranha e com tudo para dar mau resultado. O surpreendente é que funciona muito bem e traz um estilo completamente novo a um género que não tem por norma fugir muito às regras. É arriscado e, assim, inovador.

Há algo de especial em Dickinson que me prendeu desde os primeiros momentos. Penso que foi o choque inicial causado pela maneira descontraída como as personagens se relacionam, mostrando que Dickinson não é uma série que se quer levar muito a sério. Mas, igualmente, não é uma série que goze ou seja desleixada com as suas personagens, pelo contrário procurando dar-lhes dimensão. Apesar do ambiente geral da série ser leve, não foge dos seus momentos dramáticos e aborda temas ainda muito relevantes atualmente.

Outro aspeto que distingue a série, e que adorei, foi a forma como representaram a Morte, como uma personagem (estranhamente bem interpretada por Wiz Khalifa). É algo que se relaciona com a poesia de Emily, mas também com o seu mundo interior e que adiciona este elemento mágico à série. Sou grande fã dos gráficos que escolheram para representar a carruagem!

Não posso deixar de mencionar a decisão de, explicitamente, terem Emily como uma personagem LGBT. Há sempre muita discussão em volta da sexualidade de figuras históricas e a televisão normalmente tenta prevenir comentários, alegando que se não há a certeza, é melhor não escrever a personagem assim, para ser “correto”. Já que esta série afirma claramente ser uma versão que não se restringe aos factos confirmados, teve muito mais liberdade nestas decisões e teve a coragem de não se esconder na comodidade.

Se eu tivesse que resumir a série numa palavra seria inovadora. Não é fácil arriscar e misturar géneros tão diferentes, mas este foi sem dúvida um momento em que correu bem. Acredito que vá haver muitas opiniões contraditórias acerca da série, porque muita gente não vai ser fã de uma série histórica ter rap e personagens a dizer bullshit no século XIX, mas se tiverem curiosidade, experimentem ver e dar uma oportunidade.

Ana Oliveira