Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
7.5
Realização
7
Banda Sonora

Baseada na série norueguesa Valkyrien, Temple é uma série britânica centrada num cirurgião (Mark Strong, de Deep State) que presta serviços numa clínica médica ilegal, localizada nos túneis subterrâneos desativados da estação de metro de Londres que dá o nome à série.

Como tenho uma paixão por séries médicas, não podia deixar de espreitar esta e, aliado ao facto de ser uma produção britânica, elevou ainda mais a minha curiosidade.

O primeiro episódio não desenvolve muito na história, alternando entre cenas do presente com cenas do passado, que não vejo como ponto negativo e penso que se enquadra bem no perfil de uma temporada que lança os episódios todos no mesmo dia (no caso de Temple são oito). Para além disso, introduz as personagens principais e o ponto de partida de toda a temporada, sem sobrecarregar o espectador com demasiada informação.

O facto de ter atores experientes como protagonistas é uma mais valia e nenhum desilude. Destaco Daniel May (Good Omens), que dos protagonistas era o que menos conhecia, e fiquei fã da forma como interpreta Lee, o responsável por transportar pacientes até ao local secreto. Destaco, também, uma cena de uma cirurgia de urgência bastante gráfica, que apesar de não ter conhecimento científico para garantir que está próximo da realidade, achei que ficou bem conseguida a nível da representação dos intervenientes e da perceção que transmite.

Pergunto-me como é que uma clínica ilegal funciona apenas com dois funcionários, quando implica cuidados, por vezes permanentes, aos pacientes, sem falar na parte de desinfecção e limpeza constantes, serviço de lavandaria, entre outros. Espero que expliquem esta situação durante a temporada, bem como o processo de como Daniel e Lee são contactados pelos pacientes (Dark web?) e o que leva Anna (Carice Van Houten, que qualquer seguidor de Game of Thrones, deverá reconhecer) a juntar-se a eles e ajudá-los.

Por fim, não posso deixar de referir os temas importantes abordados em Temple, desde os limites éticos e morais da medicina, o caos e as consequências de a exercer clandestinamente (em especial quando envolve criminosos perigosos) e o que leva um médico conceituado, como Daniel, a tomar esta decisão. Será apenas pelo motivo pessoal forte que ele tem ou outro fator?

Resumindo, aconselho que dêem uma oportunidade a Temple caso gostem de séries de dilemas médicos, com thriller à mistura e com um twist inesperado no final que ajuda bastante a querer continuar a ver e que, graças à HBO Portugal, é só clicar no próximo.

Ana Velosa