Classificação

9
Interpretação
6
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

O novo thriller policial da FOX, Prodigal Son, é protagonizado por Tom Payne (The Walking Dead), como Malcolm Whitly. Ele é um brilhante profiler do FBI, mas também é filho de Martin Whitly (Michael Sheen, de Masters of Sex), também conhecido como o famoso serial killer The Surgeon.

Este episódio piloto mostra-nos que, tal como o seu pai, Malcolm tem alguns demónios que está a tentar manter sob controle, estando mais perto psicologicamente dos seus casos de estudo, serial killers, do que da sanidade mental. Por sua vez, Dr. Whitly, apesar de os seus crimes serem indizíveis, apresentou-se mais como um cordeiro do que como um lobo. Tudo isto fez-me lembrar o relacionamento conflituoso entre Will Graham e Hannibal Lecter, mas agora entre um pai e seu filho, fazendo-me levantar as mesmas questões. Quão reais e verdadeiras são as calorosas intenções de Martin em relação ao seu filho? Ele é uma pessoa completa ou apenas uma fachada? Será Malcolm realmente o filho pródigo dele e será que também ele se vai tornar um serial killer?

Numa série deste tipo, o mais importante são os personagens e a relação entre eles e neste aspeto o elenco não desiludiu, destacando-se Michael Sheen e Tom Payne. Michael teve uma performance quase campal, principalmente ao demonstrar preocupação paterna, mas ao mesmo tempo com apenas um brilho de olhos arregalados conseguiu transmitir loucura e perigo, ou seja, mostrou como é ser um serial killer que é, ao mesmo tempo, uma ameaça duplicada e um conversador encantador. Enquanto isso, Payne conseguiu mostrar como alguém com medo da loucura se sente, sempre de olhos arregalados e com conversas rápidas na maior parte do tempo.

A única falha da série, para mim, é que os seus produtores – numa tentativa de ampliar o seu público – temperaram o drama sombrio do programa com humor, quando a premissa pedia à partida algo mais escuro e visceral (pelo menos eu esperava isso).

Em suma, foi um bom primeiro episódio, não dos melhores que já vi, mas que mesmo assim me deixou com expetativas até ao fim. No entanto, para esta série se destacar verdadeiramente, é bom que não caia num típico policial em que cada episódio nos traz um caso novo sem uma história forte por trás. Se isto não se evidenciar, parece-me realmente digna de continuar a ver.

Filipe Tavares