Classificação

7.2
Interpretação
6.9
Argumento
7.1
Realização
8.3
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Uma nova semana traz consigo um novo episódio de Legacies, o oitavo desta sua segunda temporada e a sua mid-season finale.

This Christmas Was Surprisingly Violent é o primeiro episódio da série que retrata um feriado festivo (e quase me faz desculpar o facto de a série não ter feito um episódio de Halloween – mas só quase). Neste episódio, Hope conta com a ajuda de um aliado inesperado para derrotar um monstro de Natal que se aproveita do espírito da época para se infiltrar na escola. Entretanto, Landon surpreende Rafael com novidades sobre a sua família, enquanto Sebastian acompanha Lizzie na sua última missão.

Há muito que aguardo um episódio deste género em Legacies e, por isso mesmo, comecei de imediato a especular sobre qual seria a entidade da quadra natalícia a aparecer neste episódio quando o mesmo foi anunciado. A minha lista não estava muito longe da de Hope, com a adição de Krampus e até mesmo o próprio Pai Natal às ponderações da nossa protagonista. Assim sendo, não fiquei de todo desiludida com o episódio. Na verdade, gostei bastante dele (salvo, é claro, um ou outro aspeto).

Comecemos, no entanto, pelos positivos. É, na minha opinião, um episódio que tem o seu quê de engraçado, repleto de piadas e trocadilhos relacionados com o Natal. O desdém que Hope sente em relação à quadra natalícia é, simultaneamente, triste e divertido – triste porque deriva do facto de a protagonista ter perdido a grande maioria da sua família, e divertido porque facilmente percebemos a irritação da mesma em relação a celebrações de Natal precoces. Afinal de contas, na série, ainda é outubro.

Mas a verdade é que o highlight do episódio foram as cenas com Krampus e, sim, o Pai Natal. Não só foi completamente hilariante ver a luta entre os dois (um, o espírito malévolo do Natal que castiga as crianças malcomportadas, e o outro o seu oposto), num episódio ao nível de Legends of Tomorrow, como também foi bastante enternecedor ver o nosso Saint Nick a realizar os desejos de alguns dos nossos personagens. Entre estes, destaca-se o de Josie que, mais uma vez, mostra o seu lado altruísta ao desejar o presente perfeito para o seu pai, o qual acaba por ser a placa de Diretor da Salvatore School e, assumimos, o seu cargo de volta.

Já Kaleb teve novamente algum relevo ao auxiliar a componente cómica deste episódio. A maneira de ser do personagem continua a ser a sua mais valia, ainda para mais tendo em conta que pouco sabemos sobre o mesmo. Cada vez mais, parece-me que a série fez a escolha acertada em promover Chris Lee ao seu elenco regular, e mal posso esperar por continuar a ver mais de Kaleb dentro da série.

Ainda dentro dos personagens, é impossível não mencionar o contributo do pequeno Pedro (interpretado por Reznor Malalik Allen), que, de forma muito subtil, contribui também para todo este ambiente de Legacies.

Num tom um pouco mais negativo, Landon continua a forçar os seus amigos a enfrentar os seus familiares – algo que me irritou um bocado da primeira vez que aconteceu, na temporada anterior, e que, de igual forma, não me caiu muito bem, neste episódio. No entanto, apesar de achar que Landon não tem o direito de colocar outros nesta posição, é inegável que estes acontecimentos têm vindo a gerar narrativas interessantes.

Até agora, Rafael é um personagem com o qual simplesmente não fui capaz de criar grande empatia, não por não querer gostar dele, mas sim porque não acho que a série nos tenha dado conteúdo suficiente para isso. De forma geral, o lobisomem tem sido usado como uma crutch à narrativa de Landon e um peão no triângulo amoroso que ninguém pediu entre o seu melhor amigo e Hope. Pessoalmente, acho que Rafael tem potencial para ser muito mais que isso, pelo que me agrada o facto de a série começar, finalmente, a explorar o seu passado e a sua família.

Na semana passada, mencionei o meu agrado em ver a partida de Rafael e Landon da Salvatore School. Como disse na altura, acredito que é o momento perfeito para desenvolver não só estas duas personagens, mas também Hope, cuja narrativa tem sido bastante (aliás, demasiado) dependente de Landon. Ora, não será de surpreender que estou bastante desiludida com a decisão de o trazer de volta a Mystic Falls tão cedo, e mais ainda com o facto de o personagem retomar já a sua relação com a nossa protagonista. Não é que não goste da relação entre os dois – na verdade, acho que são perfeitos um para o outro – mas acho que, dado os eventos recentes, precisam de crescer um pouco e aproveitar a vida antes de se comprometerem novamente, em especial porque Hope tem vindo a demonstrar ter bastante química com várias personagens e seria uma pena não explorar outras possibilidades.

Já a relação entre Lizzie e Sebastian é uma que, simplesmente, não consigo aceitar. Pensei que tínhamos deixado as relações explicitamente tóxicas em TVD e The Originals, mas parece que me enganei. Se estas eram algo que, dado o contexto das outras séries, tolerava, o mesmo não se aplica agora, numa série em que a esmagadora maioria das personagens se encontra ainda na sua adolescência, e muito menos com uma personagem como Lizzie. Percebo o appeal que a personagem sente em relação ao clichê do bad boy, mas a última coisa de que Lizzie precisa é de alguém que, inevitavelmente, a irá magoar quando esta estava finalmente a fazer progressos em relação à sua saúde mental.

Por fim, resta-me apenas falar de dois grandes acontecimentos: a morte de Clarke e a revelação da identidade de um dos misteriosos capuzes vermelhos que têm vindo a aparecer ao longo dos episódios. O irmão de Landon é morto por uma destas figuras e atirado de volta a Malivore, aparentemente derrotando este mal de uma vez por todas, de forma um pouco anti climática. Pegando na teoria da Esfinge, podemos mesmo dizer que Clarke, “prisioneiro” de seu pai, regressou a casa sem qualquer tipo de poder, pelo que parece que a profecia está, pouco a pouco, a cumprir-se.

Para minha surpresa, ao invés de uma personagem completamente nova, um dos capuzes vermelhos acaba por ser o Necromancer – o que, pensando no assunto, faz bastante sentido tendo em conta que, no início desta temporada, vimos uma destas figuras matar e ressuscitar uma pessoa, que acabou por ser o zombie que nos tem vindo a acompanhar. Esta revelação levanta várias questões, nomeadamente qual o motivo por detrás das ações do personagem e seus cúmplices. Estarão apenas a tentar derrotar Malivore como forma de vingança pelos anos perdidos, ou serão o mal pior que está para vir?

Certamente que saberemos mais na segunda metade da temporada, com regresso marcado já para o dia 16 de janeiro.

Inês Salvado