Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Com a temporada encurtada devido ao impacto do Covid-19, só temos pela frente mais um novo episódio até à season finale. Apesar de este ter sido um episódio com várias coisas a acontecer, não temos a sensação de estarmos a aproximar-nos do fim de mais um ano da série, mas não podemos exigir muito de um fim improvisado que escapa ao controlo de todos. No entanto, Sing It Again traz-nos narrativas bem mais interessantes do que as de Love of My Life.

Richard está de volta a Seattle para ser tratado no hospital onde trabalhou toda a vida e ao qual dedicou os seus melhores anos. Mais importante do que isso, tem a tratar dele uma equipa de grandes médicos que ajudou a formar enquanto profissionais, mas também enquanto seres humanos. Mais importante do que tudo, estes médicos preocupam-se com Richard e amam-no, o que significa que não vão descansar enquanto não souberem aquilo que se passa para o poderem ajudar. Isto partindo do princípio de que Richard tenha algo que possa ser curado, mas primeiro importa chegar a um diagnóstico. Não vou lançar palpites, pois para isso tinha que ter conhecimentos médicos em função dos quais avaliaria o que poderia responder àqueles sintomas, mas tenho a dizer que a semana passada pensei que pudesse ser Alzheimer. O certo é que o estado de saúde do médico se desagradou incrivelmente rápido. Sabíamos que estava a sofrer de tremores, mas agora juntamos ao quadro de sintomas alucinações graves e uma desorientação profunda. Uma coisa que me surpreendeu é a idade de Richard: 65 anos. Se tivermos em conta que no início da série, na 3.ª temporada, se não estou em erro, ele estava a ponderar reformar-se, não deveria ser mais velho agora? Um homem com aquela paixão pela cirurgia e pelo seu trabalho ia mesmo reformar-se pouco depois dos 50 anos? Seja como for, continua também a fazer-me confusão a capacidade que aquele hospital tem de dispensar tantos dos seus cirurgiões para se concentrarem num único paciente. Noutras alturas vimos os internos e os residentes a serem recrutados para investigar em livros possíveis doenças, mas aqui temos essencialmente attendings, nomeadamente chefes de departamento. É algo que não consigo ignorar.

O que também já vem sendo difícil de ignorar é a atitude de Teddy e a sua incapacidade de perceber aquilo que quer. Aquela pressa em casar com Owen trata-se de não querer perder mais tempo sem estar unida pelos laços do matrimónio ao amor da vida dela? Ou de uma noção de que continua dividida entre ele e Koracick e aquela decisão é uma forma de a sua cabeça forçar o coração a sentir algo que não sabe bem se sente ou não? Acho que me inclino mais para esta segunda hipótese, o que me parece mais absurdo ainda. Quando é que não foi claro que Owen era para Teddy o ‘tal’? Hum, nunca. Quando é que foi óbvio que, durante todo o tempo em que namorou com Tom, não estava verdadeiramente apaixonada? Sempre. E achem o que acharem de Koracick, ele não merece ser a segunda escolha de uma mulher que ele ama verdadeiramente, nem merece ser a escolha de Teddy porque ela se sente insegura noutra relação.

Triângulos amorosos postos de lado, outra das histórias mais interessantes do episódio foi precisamente à volta de Tom. A ex-mulher dele chegou ao hospital com o filho – um menino de dez anos que se parecia muito com o rapazinho que ela e Tom perderam – a precisar de uma neurocirurgia muito complicada. Apesar de tudo, Koracick é um homem de bom coração e sente-se impotente, portanto acaba por ser Amelia a assumir o caso, mas umas contrações surgidas na altura mais inconveniente possível obrigam-na a deixar o bloco de operações para ir para o bloco de partos. Tom, sem querer nada assumir aquela responsabilidade, vê-se obrigado a terminar a cirurgia, tendo nas suas mãos a vida do menino.

Entretanto, o parto iminente de Amelia foi afinal um falso alarme, o que tem alguma piada, porque tanto ela como Link já estavam a entrar em modo de pânico, mas aquele típico de pânico divertido ao qual é bom assistir. Espero que quando chegar a altura tudo corra o melhor possível, porque este não é o primeiro bebé que Amelia dá à luz e aquela anterior experiência foi de uma dor inimaginável. Não consegui deixar de pensar nisso enquanto parecia que o bebé estava mesmo prestes a nascer. De preferência, que Carina já tenha voltado nessa altura. Não temos tido muitas oportunidades de a ver.

Pouco mais há a acrescentar. O episódio não foi propriamente emotivo, mas o estado de saúde de Richard é algo que entristece certamente todos os fãs da série, que o viram ser um mentor e uma espécie de figura paterna para tantos dos médicos daquele hospital. Espero que, seja qual for o desfecho para esta narrativa, honre o personagem da forma como ele merece. Pequeno destaque ainda para o caso curioso da paciente de Owen e Link. Imaginam o que é ter alguém em casa que em vez de falar diz tudo cantado? Há casos que, para ser sincera, eu nem sei se dão vontade de rir ou de chorar. Para terminar, numa nota muito breve, tenho que confessar que estou a gostar muito desta amizade que surgiu entre Jo e Levi. Espero ver mais destes dois em breve!

Para a semana temos então o antecipado final de temporada. Até lá, já sabem, mantenham-se em casa!

Diana Sampaio