Classificação

7.5
Interpretação
5.5
Argumento
5
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Dirty John está de regresso ao mundo da televisão. A popular série da Netflix (para já apenas a 1.ª temporada) que nos deu a conhecer a história, baseada em factos reais, de Debra Newell e John Meehan, volta agora, com o seu formato de antologia, com mais uma história verídica: The Betty Broderick Story.

Da mesma criadora, Alexandra Cunningham, a série conta a história de Betty Broderick (Amanda Peet) e de Dan Broderick (Christian Slater) durante o seu divórcio conturbado. O primeiro episódio começa no ano de 1986, em La Jolla, Califórnia, numa altura em que Betty está a passar uma fase complicada, pois o marido, para além do divórcio, pretende vender a casa em que criaram os quatro filhos. Betty não ouve o advogado e recusa-se a vender a casa. Dan, um homem com posses e advogado, consegue vender a casa sem o conssentimento da ex-mulher e esta fica no limite.

Betty é uma mulher educada na Igreja Católica e que sempre foi ensinada a ser uma boa esposa: casar, ter filhos e, à luz da típica mulher americana dos anos 70/80, proveniente de uma família numerosa e conservadora. O que ela não sabia era que o marido ia começar a traí-la e a tirar-lhe tudo aquilo que ela tinha e que lhe era conhecido.

Este primeiro episódio acaba, no entanto, por ser bastante confuso, ainda que tenha uma cinematografia impecável e uma interpretação extremamente bem conseguida por parte do elenco, principalmente por Peet, que faz uma personificação de Betty extraordinária, sendo o ponto alto deste piloto. Mostra que Betty é uma mulher amargurada, triste e frustrada que sempre viveu nesta utopia de uma família perfeita e que agora está completamente perdida sem saber o que fazer da vida dela.

Este piloto foi também uma espécie de ode ao que se vivia nos EUA durante os anos 80, desde a música, aos figurinos e maquilhagem das personagens; inclusive, no início do episódio parece estarmos a assistir a uma comédia romântica ao som de Cyndi Lauper.

No entanto, considero que este episódio não foi de todo brilhante no que toca à explicação da história. Quem não conhece o caso do casal Broderick fica sem compreender certas coisas, sendo que a série peca em termos de argumento e realização, com o espectador a nem sempre conseguir ter a perceção do que está a ser passado no presente ou o que já se passou anteriormente. Ao longo do episódio vamos ficando com várias questões por responder, como por exemplo o porquê do divórcio, porque é que Betty tem os nervos tão à flor da pele e principalmente porque é que o marido está a tentar fazer-lhe “tanto mal”.

Como já referi, Betty é aquela típica mulher que recusa quase ter o status de mulher divorciada, estando completamente cega pelo estilo de vida que o marido lhe proporcionava e não aceita que este estilo mude. O que é facto é que se percebe que Dan é manipulador, mentiroso e uma pessoa de muito mau carácter; a tal ponto que o episódio se torna extremamente irritante porque nem se percebe o porquê de várias situações e quão patéticas essas mesmas se conseguem tornar.

É triste pensar que uma mulher tem de se humilhar desta maneira perante um homem. E como já tínhamos visto na 1.ª temporada, os homens acham que podem exercer um certo poder sobre as mulheres e isso não deve acontecer. Continuamos a precisar de séries e conteúdos como este para que os “erros do passado” não voltem a ser cometidos. O respeito mútuo é muito importante e todos nós devemos pensar nas ações antes de as executarmos.

Betty, assim como Debra, estão apaixonadas pela ideia que têm do homem que está ao lado delas e não conseguem ter a perceção da realidade, apesar de a história destas duas mulheres ser completamente diferente. Betty acaba por ultrapassar todos os limites do razoável, deitando tudo a perder.

Margarida Rodrigues Pinhal