Classificação

6.6
Interpretação
6
Argumento
6.2
Realização
6
Banda Sonora

[Contém spoilers]

De vampiro para agente do FBI, David Boreanaz é agora SEAL.

Juntamos um dos canais americanos com maior número de visualizações, um enredo que envolve militares e o nome de David Boreanaz e independentemente da qualidade esta é uma fórmula de sucesso. E é exatamente com isso que a CBS está a contar ao lançar a sua nova série de drama nesta fall season.

Sendo Benjamin Cavell o criador da série, um nome que associamos a séries como Homeland e Justified (2010-2015), em que este foi produtor, ficamos com a esperança de que alguns dos pontos-chave que levaram ao sucesso das duas séries possam ser aproveitados. Especialmente no que diz respeito a Homeland, pois apesar de uma história a envolver forças especiais atrás de terroristas já tenha atraído muita a atenção do público, é algo que começa a ficar gasto e a necessitar de renovação e abordagens diferentes, elementos que Homeland, a caminho da sua 8.ª temporada, sabe bem conjugar. Christopher Chulack é o realizador deste piloto e também dos próximos dois episódios desta temporada e é um nome que não é estranho a este tipo de séries sistémicas (ER, 1994-2009 e Third Watch, 1999-2005).

Quanto às estrelas, David Boreanaz no papel principal de Jason Hayes é um chamariz para a série e está realmente à vontade no seu papel, transmitindo a confiança no papel de um experiente agente de forças especiais. Para além dele podemos ainda contar com: Max Thieriot (Bates Motel, 2013-2017) no papel do novato Clay Spenser, que já no piloto tem um papel crucial na missão, apesar do choque de personalidade com Jason; Neil Brown Jr. (Insecure, 2016-2017) é o membro da equipa com quem passamos mais tempo à exceção do líder e tem potencial para um arco desenvolvido tanto em termos das missões como também da sua história pessoal; temos ainda Michaela McManus (Aquarius, 2015-2016) que, apesar do seu papel como ex-mulher de Jason não ser aprofundado neste piloto, decerto terá uma função importante na história familiar do militar.

A série pode ser descrita como um misto de drama militar com drama familiar, em que o ponto forte parece ir para o primeiro enquanto o outro, do pouco que se viu (e ainda bem), parece vir a ser um aborrecido repetir de situações vistas anteriormente. Outro ponto que tem potencial para ser bastante interessante serão as consultas com a Dr.ª Julie Kruger (Reiko Aylesworth) para explorar o trauma de Jason com a perda recente de um membro da sua equipa. A interpretação e a realização demonstram ser os elementos que mais se destacam no piloto e a série parece ser apontada para quem gosta de alguma ação e drama inseridos num sistema mecânico de episódios em que perder uma semana não será crucial para perceber a história.

Se muitos estavam à espera de algo do género de The Unit (2006-2009), outra série da CBS que deixou saudade quando terminou, a realidade é que SEAL Team lembra mais a estreante série SIX do canal História e cujas comparações são impossíveis de não se fazerem para quem vê as duas séries. Entre as duas, a realização parece ser superior em SIX, que dá um ar mais verdadeiro às missões militares, e o estilo do enredo também é diferente, apostando esta numa história mais serializada. Pessoalmente, aconselharia SIX ao invés de SEAL Team.

O próximo episódio, “Other Lives”, irá estrear já na próxima semana e apesar de a temporada estar descrita para ter apenas oito episódios é possível que com a provável renovação venha também a notícia de mais episódios para a temporada. As primeiras impressões mostram uma boa aceitação do público e espera-se assim que seja anunciada em breve a renovação da série.

Emanuel Candeias