Classificação

8.5
Interpretação
8.3
Argumento
7.8
Realização
7.4
Banda Sonora

[Contém Spoilers]

Fãs de Freddie Highmore, pessoas que não gostam de Freddie Highmore, pessoas que não conhecem Freddie Highmore, todos têm que acompanhar esta nova aventura do conhecido Norman Bates!

Se, em Bates Motel, Highmore já nos tinha presenteado com interpretações magistrais – inclusive sendo um dos atores esquecido nas recentes premiações, – em The Good Doctor volta a deslumbrar e todos se vão derreter com a sua atuação.

Se forem ainda fãs de dramas médicos, mais uma razão para acompanhar esta nova série da ABC.

A história centra-se em Shaun Murphy (Highmore), um cirurgião acabado de sair da faculdade e que tenta a sua primeira aventura como residente no San Jose St. Bonaventure Hospital. Contudo, a direção do hospital, em particular Marcus Andrews (Hill Harper), chefe do departamento de cirurgias, não concorda com a decisão do Presidente do Hospital, Aaron Glassman (Richard Schiff), de contratar Shaun, porque este tem autismo e Síndrome de Savant, condições pouco concordantes com o trabalho em causa e que pode pôr em risco vidas humanas.

Enquanto essa discussão para decidir a contratação de Shaun ocorria, no aeroporto, este punha em prática todas as suas capacidades, demonstrando, ao prestar os primeiros socorros a um rapaz de oito anos, as suas mais valias. Ao chegar ao hospital e enquanto o rapaz era operado pelo Dr. Melendez (Nicholas Gonzalez), Shaun intervém e com o apoio da Dr.ª Browne (Antonia Thomas) – que parece que vai ser uma das pessoas a estabelecer uma ligação especial a Shaun – salva o rapaz.

Um vídeo nas redes sociais de Shaun a salvar o rapaz faz todos mudarem de opinião e aceitar Shaun como o novo médico residente do hospital. Todos à exceção do seu orientador. O Dr. Melendez não parece muito apreciador do facto de ter um autista a seu lado na mesa de operações, mas parece que Shaun não vai desistir facilmente.

Em flashbacks assistimos à infância de Shaun e à sua amorosa e ternurenta relação com o irmão mais novo, que era o seu maior apoio e o seu grande defensor: contra o pai violento, contra os colegas que o atormentavam na escola e contra toda a discriminação de que Shaun era vítima. Num momento de desfazer-se em lágrimas vemos Shaun perder o irmão mesmo em frente aos seus olhos sem nada poder fazer para o salvar. Foi este momento e a morte do seu coelho de estimação que o incentivaram a ser cirurgião e a salvar vidas. Shaun traz sempre consigo um bisturi de plástico que lhe foi oferecido pelo irmão e que o ajuda a acalmar em situações de stress. Shaun tem ainda uma relação muito próxima e especial (ainda pouco explicada) com o Presidente do hospital, Aaron Glassman.

Uma das séries que irá quase de certeza vingar nesta Fall Season, já que nos apresenta todos os ingredientes que agradam ao público: grandes desempenhos, em particular de Highmore (que espero comece a ganhar a valorização que merece depois da imaculada prestação em Bates Motel); os dramas médicos (fãs de House, Grey’s Anatomy e outros, têm aqui uma nova série a acompanhar); os momentos de tensão, os momentos ternurentos e de absoluto amor entre os irmãos e – para mim um dos aspetos mais importantes – a demonstração de que pessoas que sofrem de distúrbios neurológicos, como o autismo, devem ter as mesmas oportunidades e que, desde que tenham as competências necessárias, devem e podem fazer o mesmo que as pessoas ditas “normais”.

“You’re very arrogant! Do you think that helps you be a good surgeon? Does it hurt you as a person? Is it worth it?”, uma mensagem a aplicar na vida de todos nós!

David Pereira