Classificação

9.1
Interpretação
9.2
Argumento
8.8
Realização
8.9
Banda Sonora

Sexy, brilhante, carismática e, acima de tudo, refrescante. Estas são apenas algumas das palavras que posso utilizar para descrever The Bold Type, que acaba por ser tudo isto e muito, muito mais.

Esta série trata-se da nova aposta do canal americano Freeform, com o qual já estamos familiarizados graças a séries como Pretty Little Liars, The Fosters ou, mais recentemente, Shadowhunters. The Bold Type, no entanto, não se assemelha a nenhuma destas séries.

Criada por Sarah Watson, The Bold Type é inspirada na vida de Joanna Coles, ex-editora-chefe da famosa revista cor-de-rosa Cosmopolitan (que tem tido um papel fundamental na promoção desta série). Apesar da sua premiere oficial de duas horas ter tido lugar no passado dia 11 de julho, o episódio piloto encontrava-se já disponível desde o dia 22 de junho, que a Freeform exibiu como special preview, provavelmente com o objetivo de dar a conhecer a série antes da sua data real de estreia.

Entre o elenco de The Bold Type encontram-se caras já conhecidas de alguns, como é o caso de Katie Stevens, cantora e atriz de descendência lusófona, mais conhecida por interpretar Karma Ashcroft na série Faking It, da MTV; Aisha Dee, conhecida pelos seus papéis em Chasing Life (Beth Kingston) e, mais recentemente, Sweet/Vicious (Kennedy) – duas séries cujo cancelamento deixou um travo amargo na boca dos respetivos fãs; e Meghann Fahy, mais conhecida pelo seu papel na série One Life To Live, onde interpretou Hannah O’Connor.

São estas três atrizes que dão vida a Jane Sloan, Kat Edison e Sutton Brady, as personagens centrais da série. O trio de melhores amigas trabalha para a Scarlet, uma revista para mulheres que em tudo se assemelha à Cosmopolitan. Tendo isto em conta, é fácil de perceber que a série se irá debruçar sobre as vidas escandalosas destas três personagens residentes em Nova Iorque, onde se encontra a sede da revista, levando o seu tempo a explorar cada uma delas à medida que encontram a sua própria voz na indústria e exploram a sua sexualidade e identidade, o amor e moda.

Atenção, pois a partir deste ponto encontram-se spoilers relativos ao primeiro episódio de The Bold Type.

Imediatamente após a sua promoção a escritora, Jane Sloan depara-se com algumas dificuldades quando Jacqueline (Melora Hardin), a sua chefe, lhe atribui a sua primeira história – um artigo sobre o porquê de o seu ex-namorado ter terminado a relação. Ao mesmo tempo, Kat, recém-promovida a diretora de social media da revista, vai atrás da história de Adena (Nikohl Boosheri), uma fotógrafa muçulmana que capta a sua atenção por ser lésbica e feminista. No entanto, aquilo com que Kat não conta é a confusão que experiencia, derivada da forte conexão que partilha com Adena (a qual será explorada nos próximos episódios da série). Entretanto, Sutton tenta não se sentir deixada para trás pelas suas melhores amigas, uma vez que é a única que mantém ainda o seu trabalho de assistente, mas choca Kat e Jane quando estas descobrem que Sutton tem mantido uma relação com Richard (Sam Page), um membro da direção da Scarlet e também advogado do grupo de publicação da revista.

À primeira vista, esta série pode-se parecer com muitas outras – bom, algumas, pelo menos – que já vimos por aí. Jane parece a típica rapariga inocente que anda meio perdida no mundo e que, na realidade, não sabe fazer grande coisa. Kat pode ser vista por muitos como o estereótipo da personagem confusa sobre a sua orientação sexual e Sutton parece-se muito com a típica personagem que usa a sua sexualidade para chegar onde quer. Mas o que torna The Bold Type tão diferente de muitas outras séries do mesmo estilo é o facto de pegar nestes lugares-comuns e transformá-los em algo mais.

Na realidade, apesar das suas dificuldades, Jane é uma excelente escritora – aquilo que a difere de todos os outros é o facto de as suas peças muitas vezes saírem um pouco daquilo que é normal para a Scarlet, sendo ainda assim genuínas e completamente de encontro àquilo que a revista defende. Por sua vez, Kat não é de todo a típica personagem que não aceita a sua sexualidade, antes pelo contrário. Kat não demora muito a aceitar a sua atração por Adena e até o faz com bastante naturalidade. Aquilo com que se debate é que, apesar de sentir algo pela fotógrafa, não se consegue imaginar sexualmente envolvida com outra mulher. Já Sutton é uma personagem que me surpreendeu até a mim, uma vez que acreditei que fosse exatamente o estereótipo a que alude – porque é que acreditei nisso? Não sei bem, mas a verdade é que, apesar da relação que tem com Richard, são as capacidades e conhecimentos de Sutton que, eventualmente, a levam a subir na sua carreira.

Outros aspetos que fazem com que The Bold Type se diferencie de todas as outras séries? Em primeiro lugar, a maneira como Jacqueline é retratada. Em vez da típica chefe fria e distante que não quer saber dos seus subordinados, temos nesta personagem uma inspiração para as três jovens mulheres. Longe de uma figura maternal, a relação entre Jacqueline e as nossas personagens assemelha-se em tudo à relação que estas têm com a revista em si: veem nela uma irmã mais velha e isto torna-se bastante claro, em especial, na relação entre Jane e Jacqueline. Aliás, na sua grande maioria é esta a relação que vemos entre as nossas personagens.

Surpreendentemente, Jane, Kat e Sutton não nos são apresentadas como três raparigas que não fazem nada para além de sabotar a carreira umas das outras em benefício da sua própria carreira. Pelo contrário, e indo de encontro ao tema bastante feminista da série, estas são-nos apresentadas como um grupo unido de amigas que se apoiam umas às outras em tudo, o que é, de certa forma, refrescante. Em segundo lugar, vale a pena mencionar que esta série vai bastante de encontro àquilo que é agora a Freeform, no sentido em que não tem problemas nenhuns em abordar temas sexuais. Isto leva a algumas cenas que, pessoalmente, achei hilariantes, o que me faz chegar a este terceiro ponto, que é o brilhante uso que dão ao humor. Os comentários feitos e as cenas em si nunca parecem demasiado rebuscadas ou exageradas e a série parece encontrar o balanço perfeito entre temas sérios e humor subtil.

Uma vez que estamos a chegar ao final desta review, devo mencionar o seguinte: se a vossa série preferida é, digamos, Game of Thrones, então The Bold Type pode não ser a série indicada para vocês. Não quero com isto dizer que não irão gostar da série, mas são géneros completamente diferentes e isso é algo a ter em conta. Dentro do seu género, no entanto, posso dizer que é uma das melhores séries – se não mesmo a melhor – que já vi. Já há algum tempo que nenhuma série estilo dramedy (desculpa, Freeform, recuso-me a colocar esta série na categoria de drama!) me cativa do mesmo modo que The Bold Type me cativou.

Apesar de esta review se restringir apenas ao primeiro episódio da série, vi também já o segundo e só tenho a dizer que, se a série se mantiver neste caminho, esperam-me muitas noites de gargalhadas sentidas e semanas a aguardar ansiosamente o próximo episódio.

E vocês, já deram uma hipótese a The Bold Type?

Inês Salvado