Classificação

9
Interpretação
8.5
Argumento
8.8
Realização
8.9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

O Dia do Julgamento Final está à porta

Tal e qual como na temporada passada, o penúltimo episódio ferve todos os seus enredos deixando-os em ponto de ebulição para explodirem no grande finale. Com a morte de duas personagens importantes, o confronto entre Kyle e Blake e o interesse de Park no bebé de Megan, este é sem dúvida um episódio a não perder.

A construção lenta e o acumular de respostas nos primeiros episódios compensa depois nos últimos episódios da temporada. Vimos isso da primeira vez e na segunda o padrão parece manter-se.

A revelação de que Amber é de facto mais poderosa do que o seu pai apoia a interpretação de Madeleine McGraw que tem demonstrado nesta temporada que a sua personagem é mais forte do que os adultos que a rodeiam. Na conversa de Amber com a mãe não só se realça que Allison continua meio perdida e reticente neste mundo como também se revela que os poderes dos outcasts aumentam quando estes estão em grupo.  Não sabendo nós o que se passa em termos de demónios fora de Rome, o cliffhanger do desaparecimento de Amber e Allison pode guardar a chave da expansão desta realidade para além da pequena cidade a que estamos habituados.

A balada de Byron e Rose é uma triste história de amor e culpa. Existe um claro contraste entre Byron que, apesar de ter noção que estão em guerra, preparou-se o melhor que pôde e em tempos de calmaria aproveita a vida de reformado junto da mulher que ama, e Rose, que inicialmente entrou numa vendetta sanguinária para limpar a memória das suas amigas, mas que agora não consegue viver com aquilo que fez. De certa forma faz-me lembrar a personagem de Carol em The Walking Dead e o final dado a Rose é semelhante ao dado a Carol nos comics. Estava no ar que algo de trágico pudesse acontecer a Rose, mas com o suspense dado à viagem atribulada de Kyle para tentar exorcizar Rose, não esperava que eliminassem já a personagem. O ponto positivo desta situação é a de salientarem os danos colaterais que esta guerra traz, sob a forma de stress pós-traumático; o negativo é que uma personagem que estava a ganhar o apoio do público por ser tão badass foi eliminada tão precocemente.

Kyle, mais uma vez, demonstra que é “rijo que nem um pêro” e os seus poderes devem-lhe dar uma ajuda na regeneração ou algo do género, porque depois de ter sido operado há apenas dois dias consegue andar ali numa luta mortal com Blake. Para além disso, depois de resolvido o problema dos demónios, com toda a experiência adquirida com os exorcismos, Kyle pode é entrar no MMA. Lee Tergesen trouxe uma boa dose de loucura e perversão, continuando a ser um dos meus demónios favoritos. Apesar de os seus planos não estarem a ter um completo sucesso, ele é mais uma pessoa de ir andando e improvisando e pode-se dizer que ficou num empate com Kyle e a descoberta do poder que Megan encerra pode ser uma peça vital para a vitória dos demónios.

Realmente, Megan anda perseguida pelo azar. Mas no final de contas, parece que Dot poderia ter alguma razão no que estava a dizer. Poderá a possessão de Megan enquanto estava grávida ter manchado o seu filho por nascer e ter criado uma espécie de anti-Cristo? Em todo esse plot o que me desiludiu foi a pobre decisão de Megan fugir sem destino, para longe de todos. Não teria sido melhor procurar o irmão, Kyle, que a podia proteger a ela e principalmente a Holly, que não está imune de ser possuída?

A parte para mim mais anti-climática e desgostosa do episódio foi a morte de Sydney. Aquele que chegou a representar o próprio Diabo e sempre se mostrou como o pior obstáculo na frente de Kyle e Anderson devia ter tido um final com mais impacto e guardado para o season finale. O desfecho torna-se ainda mais frustrante para quem leu e viu o que aconteceu à personagem nos comics. Fica ainda a questão de como prosseguirá a história sem o grande mauzão Sydney. Apesar de Park e Blake terem presença, os dois juntos não compensam a perda do Homem de Preto. De qualquer maneira, a sua morte só podia mesmo ser às mãos do Reverendo. O que será que Anderson irá conseguir ao voltar ao seu posto de pastor do povo de Rome? Irão as pessoas começar a, finalmente, abrir os olhos e juntar-se ao exército das forças contra as trevas?

Em boa hora poderiam elas ser recrutadas, uma vez que foi revelado que as pessoas em Lighthouse não passam de um culto restrito de pessoas preparadas para sobreviver ao Apocalipse deixando todo o resto da Humanidade ser possuído. Não se sabe qual será o plano para depois destruírem todos os demónios que surgiriam após a Fusão, mas pressupõe-se que ele exista porque, de outra maneira, este pequeno grupo seria facilmente liquidado. Simon, o pai de Kyle, aparece assim frente a frente ao seu filho, mas sendo ele o líder da seita em Lighthouse não se pode esperar que as suas motivações sejam as mais puras e racionais.

“To the Sea” será a conclusão deste 2.º arco de Outcast. Kyle e Simon irão juntar forças para tentar acabar a ameaça de possessão de uma vez por todas; Megan continua a ter que lutar para escapar aos seus sucessivos sequestros e o Reverendo Anderson e Giles irão descobrir uma fonte de força inesperada. Até lá, cuidado com os sítios escuros!

Emanuel Candeias