Classificação

8.2
Interpretação
7.4
Argumento
8.4
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Café descafeinado instantâneo… sabe igual?

Chegamos a meio da viagem sobrenatural por Rome e, chegando a esta midseason de Outcast, há que dizer que parece que falta qualquer coisa à série que havia na temporada passada. A realização continua bastante boa, atingindo uma qualidade excelente em muitos episódios, a banda sonora é envolvente e a interpretação das personagens é fiel. Mas então o que se passa? Apesar de o argumento nos ir fornecendo algumas respostas e novos mistérios, de certa forma parece que o fator novidade e aquilo que nos cativa a querer ver o episódio mal ele estreia se desvaneceu um pouco nesta 2.ª temporada. Por vezes parece que estamos presos num ciclo vicioso que não irá dar em nada. Tinha expectativas elevadas para este episódio, que ficaram aquém, embora acredite que tenha havido gente que considere o episódio superior ao da semana passada. Esperemos que nesta metade que falta a série consiga recuperar o tal fator X.

De toda a maneira, tivemos muita coisa a acontecer esta semana. O aprofundar das revelações sobre Helen e sobre o passado foram sem dúvida um dos pontos mais interessantes. Se na semana passada ficou a ideia de que o pai de Kyle tinha brutalmente assassinado Helen, parece que afinal não foi bem isso que aconteceu e ela acabou por se suicidar. Isto levanta algumas questões: esbatendo-se as diferenças entre Kyle e o pai, o que é que nos leva a crer que o resultado desta vez será diferente e que daqui a 30 anos não estará Amber a tentar impedir um novo Sydney? E se alguém matar uma destas criaturas isso será considerado assassínio? Como já disse, o reverendo Anderson não terá um dever, o de expulsar os demónios do reino terrestre? Há muitas áreas cinzentas que misturam o certo e o errado.

Outro aspeto interessante é o encaixe entre as confidências de Bob e as do prefeito, que nos vão fornecendo peças para perceber melhor como funciona o mundo da luz e escuridão. Parece que ambos coexistiam num mesmo reino até que a escuridão expulsou (daí o termo “outcasts”) a luz, mas ao fazer isso algo destabilizou esse reino e agora eles procuram um novo sítio para colonizar. A luz que existe na Terra, sob a forma dos outcasts, de alguma forma serve de farol para a escuridão e permite, ou ajuda, a que eles viajem para a Terra e possuam os humanos. A descoberta de Sydney de como aumentar a força desse farol e assim o número de demónios a chegar à Terra não são de todo boas notícias. O paralelismo com o novo capítulo da banda desenhada que foi lançado esta semana (Issue 27 – A New Way) é fascinante e completa um pouco melhor a história, estimulando a que quem aprecia a experiência de Outcast na televisão a complete com os comics.

Um assunto também abordado neste episódio é a capacidade da Humanidade ignorar aquilo que não entende e fechar-se sobre aquilo que conhece. Vemos isso em Megan e Allison, mas também na população geral de Rome que desde há vários anos vê membros da sua comunidade a mudar de repente e a adquirir hábitos estranhos ou até mesmo a desaparecer completamente sem ninguém considerar que algo de sobrenatural pode estar a acontecer. Mesmo com os avisos do reverendo Anderson na temporada passada, no dia de festejo do Remembrance Day, e agora com o discurso de Giles é certo que a dúvida fica nas pessoas, mas a possibilidade da verdade é descartada rapidamente. Vocês acreditariam? No entanto, nem todos são cegos e os membros da misteriosa nova seita parece que afinal são todas vítimas de antigas possessões, que sabem que a luta entre os demónios é real e que olhando para dentro dos corações e das intenções dos demónios sabem que eles são como gafanhotos que querem apenas consumir tudo à sua passagem. Esta “Igreja da Luz” parece que será particularmente importante para Anderson, que talvez reencontre a sua fé em testamentos mais atuais e menos ambíguos do que aqueles a que está habituado.

A parceria entre Sydney e Aaron é uma real dupla do inferno. A personalidade de quem é possuído tem um grande impacto na maneira de ser do demónio, e é por isso que Sydney é um monstro, pois já o era antes da possessão. Também por essa razão, Sydney espera que quando Aaron for possuído nasça um demónio semelhante a ele. Entre Sydney e o prefeito dá bem para ver qual o pior, mas no fim de contas todos eles representam o inimigo que quer destruir a vida de todos os humanos. O acordo que o prefeito propõe a Kyle é uma óbvia anedota que se torna evidente quando Giles é possuído. Mas agora que o prefeito foi afastado de cena, parece que o domínio de Sydney sobre a comunidade demoníaca é total. Um aumento exponencial do caos espera Rome.

O confronto final entre Kyle e Anderson contra o Giles possuído foi intenso, mas terminou em desastre. Será que a força que os demónios têm ao início também depende da personalidade e da força de vontade do recetáculo? Pelo menos agora Megan deve passar a acreditar na versão de Kyle, certo?

Para além disto tudo, tivemos ainda Allison a começar a reagir ao mundo quando descobre que andam atrás de Amber. No final da temporada devemos ter uma Team Outcast com muitos mais membros que na 1.ª temporada, onde eram só Kyle e Anderson.

“Fireflies” é o título do próximo episódio em que, com Kyle em risco de vida, a sua única hipótese parece ser a ideia de Anderson de usarem os poderes de Amber. Até lá, cuidado com os sítios escuros!

Emanuel Candeias