Classificação

9.2
Interpretação
9.6
Argumento
9.4
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Sumário: Hoje finalmente aprendemos sobre o que é real na vida de David

O penúltimo episódio de Legion está aqui e a viagem está quase no fim. Quem estava na dúvida se devia ver a série pode começar a preparar a maratona. Euem desistiu ao início pode retomar e quem tem acompanhado todas as semanas não acredita que uma jornada tão alucinante como esta seria possível. De giz na mão e quadro de ardósia pronto, David espera por nós neste episódio imperdível para nos dar quase todas as respostas que temos procurado.

Em 1928, Maurice Ravel dá a conhecer ao mundo a obra musical “Bolero”, que acompanha uma das cenas mais ambiciosas e bem realizadas da televisão em 2017. Na iminente morte de todas as personagens da série, a história desenrola-se sem uma palavra falada e tudo ao som e ao ritmo da música.

Mas recuando um pouco no episódio e avançando no tempo, uns anos mais tarde de “Bolero” ser lançada, um bebé especial é entregue nos braços de um casal com uma miudinha que espreita pelas escadas a chegada do seu irmão. Com as memórias de Amy e a lição da versão britânica de David é-nos mostrado o verdadeiro passado do nosso “herói”. [aclarando a garganta] Reza então a história: o Demónio dos Olhos Amarelos e o pai de David (vamos passar a chamá-lo senhor X. Ehehe. Repararam que no desenho de David ele era careca?) são inimigos mortais, os dois maiores mutantes telepatas do mundo, mas enquanto um quer dominar o mundo, o outro pretende protegê-lo. Numa batalha épica no mundo astral, o senhor X derrota Amahl Farouk, aka Shadow King, salvando o mundo, mas a essência de Shadow King sobrevive. Enquanto isso, o senhor X e a mulher têm um filho, David, mas por alguma razão são obrigados a dá-lo a uma família adotiva para o proteger. Amy recebe assim na sua casa um irmão mais novo (nas memórias dela podemos ver o típico “X” dos X-Men), mas sem ninguém saber, o Shadow King perseguiu o senhor X e possuiu o seu filho como vingança. David vive uma vida assombrada que lhe envenena a mente e rouba-lhe a sanidade. À medida que este fica mais fraco, Shadow King ganha forças e descobrindo que David é um mutante poderosíssimo decide estender a sua vingança e dominar completamente o corpo de David para, com um arsenal de novos poderes, poder então levar a cabo os seus planos maquiavélicos. Resta-lhe apenas eliminar o novo interesse amoroso e os amigos de David, para este cair no desespero e perder qualquer defesa. Foi ainda interessante perceber que Cary e Oliver já antes se tinham cruzado com o Shadow King.

“You rise when the King appears!”

A dúvida de quem seria o Demónio dos Olhos Amarelos desde o início que se dividia entre Mojo e Shadow King. Enquanto a ligação às estrelas e a figura da criatura apontava para Mojo, tudo o resto puxava-nos para o outro lado, principalmente o nome do cão de David na infância ser King. Seria demasiado complicado introduzir alienígenas quando tentar compreender os impressionantes poderes mutantes já é complicado o suficiente.

Tal como o próprio Legion, Shadow King foi criado por Chris Claremont, tendo a sua primeira aparição em X-Men #117 (1979). Enquanto na série ele nos é apresentando como um mutante poderoso, nos comics é visto como um monstro sem corpo criado pela manifestação do lado negro da consciência humana. Nos comics, o primeiro encontro entre Charles Xavier e Shadow King também se desenrolou de forma diferente, mas teve um impacto bastante importante, pois levou um jovem Xavier a considerar a formação de uma equipa de mutantes para proteger o mundo da ameaça de poderosos mutantes malignos.

Analisando o episódio, percebe-se que não foi algo fácil de realizar. Após todos os outros episódios de construção e com tantas dúvidas que foram lançadas, neste episódio tudo teria que dar certo para o público não ficar dececionado. Para que conseguissem fugir do plano astral e sobreviver ao mundo real, cada personagem teve que dar o seu contributo: Cary e Oliver ficaram responsáveis por garantir que, quando as mentes regressassem ao mundo real, as balas não matassem ninguém e que Shadow King não pudesse voltar a possuir David; Syd revelou mais uma vez que possui uma perspicácia e uma inteligência apuradas e ficou responsável por “acordar” e reunir os elementos que ainda estavam sobre o efeito da alucinação (que neste episódio se focou em zombies imaginários). Em conjunto com Kerry serviram também para distrair Lenny; The Eye teve um destino horroroso, mas tendo demonstrado ser tão desprezível desde o início da série não nos deixa com muitos remorsos; Melanie segredou algo a Rudy que, já tendo o seu destino traçado, teve um último ato heroico enfrentando Lenny; e, claro, David ficou com o peso nos ombros de destruir todas as barreiras de Shadow King e efetivamente libertá-los todos do plano astral (inclusive Oliver). Atravessando portas atrás de portas e no mundo real apanhando balas com as mãos, fui o único que o comparei a Neo do Matrix?

O grande finale chega-nos na próxima semana e pelo cliffhanger em que ficámos, entre o segundo round com o Shadow King e Summerland a ser invadida pela Division 3, será um episódio compactado de ação. Até lá, deixem a vossa mente despertar!

Emanuel Candeias