Classificação

9.5
Interpretação
9.6
Argumento
9.4
Realização
9
Banda Sonora

This is Us não deixa de surpreender e agradar com a sua consistente qualidade. Esta semana ofereceu-nos um excelente episódio onde, aliado a excelentes desempenhos, momentos ternurentos e familiares, como se não bastasse, temos também uma forte chamada de atenção para algo tão significativo como é o racismo. O alerta surge em primeiro lugar, no núcleo do passado, não só pela rejeição de Randall por parte do irmão face à diferença puramente exterior, mas sobretudo através de um estigma social notório, aqui espelhado em Bethel, Pensilvânia, o lugar onde os três irmãos cresceram e que Randall apelida de “o lugar mais branco do mundo”. Mas não é apenas no núcleo do passado que esse estereótipo está presente. É claro e óbvio que foram feitos progressos na mentalidade coletiva das sociedades ao longo dos tempos. Mas se há uma chamada clara de atenção neste episódio é que nos dias de hoje, por incrível que pareça e, infelizmente, o racismo está longe de estar extinto: isso vê-se na cena em que os vizinhos de Randall chamam a polícia por verem William perto de casa, sem qualquer dado adicional, ou quando os outros pais, na escola, não levam a sério a peça de teatro da Branca de Neve, por esta ser protagonizada por uma criança negra.

E o que dizer da árdua tarefa de educar os três irmãos Pearson? Não se tem revelado nada fácil para os pais. Randall lida com uma dificuldade em adaptar-se e convence os pais e irmãos a irem passar um dia à piscina para se poder aproximar de uma família que, contrariamente à sua, partilha o seu tom de pele e junto de quem ele se sente mais enquadrado. Rebecca, que já anteriormente se tinha mostrado receosa de perder o seu filho, mostra as garras de “mãe águia”, mas o bom senso impera e percebe que este convívio pode ser saudável para Randall. Kate é alvo da crueldade de outras crianças que gozam com ela e que a afastam devido ao seu problema com o peso, que começou desde cedo. Já Kevin, que aparentemente não tem nenhum problema de maior, sente ciúmes, pois o foco da atenção dos pais acaba por ir para os problemas dos irmãos.

E quem disse que criar três irmãos era fácil? Mas temos de concordar que Jack faz um papel estrondoso nesse capítulo. A prova disso é a conversa que ele tem com Kate para a fazer sentir-se bem e com a sua atitude positiva só podia sair bem sucedido. Essa conversa de pai e filha foi para mim o momento alto deste episódio. Mas foi um episódio rico em bons diálogos pai-filho, somando-se ao anterior, um entre Jack e Kevin, e uma franca conversa entre William e Randall.

Kevin, na sua busca implacável por um papel de relevo, protagoniza a cena mais hilariante do episódio, na sua audição, onde contracena com Erin Maine (Janet Montgomery de Salem). Audição essa que não corre nada bem, mas pelos vistos ser o “Manny” pode ter valido a pena. Neste episódio vemos pela primeira vez Kevin e Randall juntos no presente e o distanciamento entre os dois condiz totalmente com a sua relação em crianças.

Já Kate não teve um dia fácil neste episódio. Ao descobrir que Toby tinha sido casado com uma mulher magra e bem-sucedida decide investigá-la. Isso culmina na resolução de um dos seus problemas, acabando por conseguir um emprego no meio dessa investigação. Azar dos azares, trabalha agora para a mulher de Toby. Toby que, por sua vez, continua a ser uma personagem em crescimento exponencial, revelando um outro lado, diferente da comédia constante a que estávamos habituados, quando a notícia do novo emprego de Kate despoleta a libertação de todos os sentimentos que Toby mantinha reprimidos relativamente ao passado com a sua ex-mulher.

A série continua boa demais, espero ansiosamente pelo próximo episódio e por uma notícia de renovação para nova temporada em breve.

André Borrego