Nos dias 14 e 15, marcámos presença nos painéis de Edward James Olmos, ambos moderados por Joe Reitman, onde se falou um pouco sobre a carreira do ator. Notámos logo uma grande diferença no palco do Auditório A – um ambiente muito mais pessoal, com sofás para os convidados. Ambos os painéis abriram com uma conversa iniciada por Joe, para posteriormente passar as perguntas para o público.

Sempre bem disposto, Olmos começou por revelar que antes de ser ator foi cantor, o que o levou ao teatro, de onde foi contratado para a televisão. Foi assim que recebeu o cartão SAG, uma licença para trabalhar na indústria do cinema e da televisão. A conversa, como seria de esperar, andou muito em torno do sucesso cinematográfico dos anos 80, Blade Runner, e também do filme Zoot Suit, que o lançou pela enorme carreira agora conhecida. Uma curiosidade é que Edward James Olmos revelou que, desde o filme e o seu sucesso, nunca mais teve de fazer uma audição.

Edward falou da sua participação na série Miami Vice, o primeiro grande sucesso televisivo do ator, e como foi convidado a participar no filme, mas não aceitou por não se sentir bem com o que planearam com a personagem dele. Já a Blade Runner aceitou regressar, pois sempre gostou de trabalhar com Ridley Scott e Harrison Ford e achou que o seu papel no novo filme era bastante importante para a história, mesmo sendo curto. Edward focou bem o facto de só aceitar papéis que acredita terem um propósito dentro dos seus ideais, referindo que já recusou muitos papéis ao longo da sua vida, mesmo que fossem bem remunerados, nomeadamente o papel de Comandante em Star Trek.

Dentro das séries, focou-se maioritariamente em Battlestar Galactica, que foi várias vezes mencionada, quer por ele como pelos fãs, que estavam atentos a ouvir o ator, que referiu que sente falta de tudo no seu papel de Comandante Adama, que adorou a história e a sua personagem, inclusive, que nada até hoje chegou perto da experiência que teve na série. Após ser questionado por um fã, Edward confessou que o famoso discurso ‘So Say We All’ não foi improvisado e que já existia no guião. Contudo, a forma como a cena foi gravada foi improvisada e modificada por sugestão dele. O mais interessante é que foi uma cena filmada no primeiro take.

Em jeito de brincadeira, o ator falou ainda de Dexter, explicando que não entende o tremendo sucesso que a série obteve, sendo que a mesma é sobre um assassino em série que mata assassinos em série. Falou ainda de Mayans MC, série que o ator considera uma versão latina dos motards muito no género da série mãe, Sons of Anarchy. Ele diz que a série que vai estrear é pesada e que não será do agrado de toda a gente.

A nível pessoal, Edward comentou que cria todas as suas personagens e que se relaciona mais com as histórias do que com o papel que vai ter na mesma. Para ele, ser ator principal ou secundário não importa, desde que ajude a contar uma boa história.

Edward James Olmos aproveitou ainda para agradecer aos fãs, pois sem eles o seu trabalho não seria possível. O ator mostrou ser um homem despido de vedetismos e bastante interessado em conversar e ensinar o público, dizendo a certa altura que conseguia reparar nos olhos das pessoas à sua frente e via para onde estavam a olhar. Isto porque, segundo ele, prefere o teatro ao cinema, exatamente por essa ligação próxima com o espectador.

Ana Velosa e Carlos Real