Outlander – Crítica da 8.ª Temporada
| 25 Mai, 2026
6.55

Publicidade

Depois de 12 anos, 101 episódios e incontáveis viagens entre épocas e continentes, Outlander chegou ao fim com a sua 8.ª temporada. E, para ser sincero, a esta altura havia praticamente só uma coisa que eu queria mesmo saber antes da despedida: quem era afinal o estranho que observava Claire (Caitríona Balfe) logo no primeiro episódio. Foi a grande pergunta deixada em aberto desde o início e, durante anos, parecia quase impossível acreditar que a série fosse realmente responder-lhe. Felizmente respondeu. E isso acabou por ser, sem dúvida, um dos momentos mais satisfatórios desta despedida. Mas também me deixou a pensar no quanto Outlander se foi afastando daquilo que a tornou tão especial.

Para mim, a série foi brilhante até à 2.ª temporada. A terceira ainda conseguiu manter muita da força inicial, embora já mostrasse sinais de mudança. Foi quando a história passou definitivamente para território americano que a magia começou a desaparecer. E digo magia em todos os sentidos. Foi precisamente aí que a série deixou de apostar naquilo que melhor a distinguia: o mistério das viagens no tempo, a sensação constante de descoberta e a imprevisibilidade daquele universo. Ao mesmo tempo, o contexto histórico também perdeu força. A luta dos clãs escoceses contra o Império Britânico tinha um peso dramático e emocional muito próprio. Era aí que a série parecia realmente ganhar vida. A pré-revolução americana nunca me conseguiu prender da mesma forma, nem de perto. Faltava-lhe aquele peso histórico e emocional que tornava os primeiros anos tão fascinantes.

Curiosamente, enquanto via esta 8.ª temporada até dei por mim a sentir saudades da anterior. Não tinha gostado particularmente dela, mas pelo menos ainda trouxe algum mistério através de Brianna (Sophie Skelton) e Roger (Richard Rankin), noutra época, a descobrirem novas pistas sobre as regras das viagens no tempo e sobre a própria família. Ainda havia ali uma sensação de descoberta. Talvez por isso tenha gostado tanto de Outlander: Blood of My Blood. O spin-off conseguiu recuperar aquilo que me fez ficar rendido a este universo desde o início. Voltar às origens foi refrescante e interessante, mas, ao mesmo tempo, acabou também por sublinhar ainda mais a diferença entre aquilo que a série original foi e aquilo em que se transformou.

Esta 8.ª temporada de Outlander tinha ainda outro elemento particularmente curioso: a saga literária Outlander ainda não terminou, por isso havia liberdade para arriscar e construir um final realmente imprevisível. Só que isso raramente aconteceu. A série voltou demasiadas vezes às fórmulas habituais. Mais uma vez, um protagonista em perigo de vida. Mais uma vez, a dúvida sobre se desta vez seria definitivo ou não. E, sinceramente, a este ponto já me era quase indiferente. O impacto emocional foi-se perdendo ao longo do tempo.

O melhor da temporada acabou por estar no regresso de algumas personagens e em certos momentos ligados à mitologia da própria série. Houve algumas ligações interessantes, embora por vezes me tenham parecido demasiado convenientes. Recuperar elementos da 2.ª temporada para justificar acontecimentos agora funciona até certo ponto, mas também parece algo rebuscado, sobretudo porque quase não houve construção suficiente entre uma coisa e outra. Ainda assim, a grande revelação sobre aquele mistério do início compensou parte disso. E houve também espaço para rever brevemente uma personagem clássica, num daqueles momentos que sabem genuinamente bem a quem acompanhou tudo desde o início.

De resto, foi uma temporada bastante irregular. Em muitos momentos, até, aborrecida. E, ironicamente, os enredos mais interessantes vieram dos personagens secundários. O arco de Fergus (César Domboy) teve um desfecho particularmente doloroso e emocionalmente forte. E também gostei do paralelismo com o filho de Jamie (Sam Heughan), educado por outro homem, numa dinâmica que fez eco do percurso de Brianna e da constante necessidade de adaptação dentro daquela família. Mas até isso acabou por parecer mais uma reciclagem de ideias antigas. E esse tornou-se um problema evidente ao longo dos anos.

No fim, esta última temporada fecha algumas pontas soltas e responde à pergunta que estava pendente desde o primeiro episódio, mas acrescenta pouco mais do que isso. Toca ao de leve nas regras das viagens no tempo, sem nunca as explorar verdadeiramente. E quando esse sempre foi um dos conceitos mais fascinantes de Outlander, custa aceitar que a série termine sem lhes dar maior profundidade. Também já há algum tempo que a relação entre Claire e Jamie deixou de me provocar aquilo que provocava no início. Durante demasiado tempo a narrativa girou quase exclusivamente à volta deles, enquanto tudo o resto orbitava em redor. E foi precisamente aí que a série perdeu parte da sua força. Havia potencial para criar outros núcleos narrativos igualmente fortes e raramente lhes deram espaço suficiente para crescerem por conta própria.

No geral, Outlander foi sempre uma série competente na realização e na produção. Isso nunca esteve em causa. Visualmente manteve sempre identidade, consistência e qualidade, mas em termos de argumento foi ficando cada vez mais presa às próprias fórmulas, repetitiva e cada vez menos interessada em explorar aquilo que tornava este universo verdadeiramente especial. Por isso, apesar do carinho que continuo a ter pela série e pelo que representou durante tantos anos, fico satisfeito por ter terminado agora. Já há bastante tempo que tinha passado o seu auge.

Última nota para a cena pós-créditos: um ótimo detalhe final. Daqueles momentos que lembram que ainda havia imaginação daquele lado. É pena só não a terem mostrado mais vezes ao longo do caminho.

Na Starz a 8.ª temporada de Outlander já está concluída. Em Portugal, os episódios estão a ser exibidos semanalmente no TVCine Edition, ficando disponíveis também no TVCine+. Adicionalmente, as primeiras sete temporadas podem ser vistas através da Netflix.

Outlander - Crítica da 8.ª Temporada
Temporada: 8
Nº Episódios: 10
6.55
7
Interpretação
5
Argumento
7.5
Realização
7
Banda Sonora

Publicidade

Populares

Calendário estreias posters grid Julho

O Mapa dos Desejos El mapa de los anhelos

Recomendamos

Séries da TV
Este Site Usa Cookies

Este site usa cookies para melhorar a experiência do usuário.Cookies são pequenos arquivos de texto colocados no seu computador pelos sites que consulta. Os sites utilizam cookies para ajudar os usuários a navegar com eficiência e executar certas funções.