Lembras-te da Quibi, uma plataforma de séries criadas para serem vistas em formato vertical, no telemóvel? Foi uma aposta num formato diferente de tudo o que se tinha visto antes no panorama audiovisual e que traduz o quanto os hábitos de consumo parecem ter mudado. Os episódios das séries, entre as quais se contavam títulos como Most Dangerous Game ou The Stranger, tinham poucos minutos de duração. Agora, a RTP e a SPi uniram-se para fazer algo semelhante e lançaram ontem cinco microdramas, entre eles esta A Casa dos Outros.
Trata-se de ficção propositadamente pensada para dispositivos móveis e até posso perceber, porque as pessoas passam cada vez mais tempo agarradas ao telemóvel. No entanto, com os meus 35 anos, este tipo de formato não é para mim. Bem sei que não foi a pensar nos millennials que se criaram estas séries, isso é óbvio, e é precisamente isso que eu sou. No entanto, mais do que interesse, tive curiosidade em perceber como é que eram, afinal, estas séries. A Casa dos Outros centra-se num grupo de quatro jovens que vivem juntos. O mercado imobiliário estão um caos e não lhes resta outra opção que não dividir um apartamento. É a única forma de conseguirem pagar uma renda. No entanto, a desagradável senhoria comunica-lhes que eles vão ter que sair e dá-lhes um prazo muito curto. Só que o pior é que, dias depois, um dos jovens, Tiago, cai redondo no chão, morto. Os outros três, de forma muito inteligente (ironia), vão tentar soluções parvas para não terem que revelar o que aconteceu.
A Casa dos Outros é uma espécie de cruzamento entre Weekend at Bernie’s e Situações Delicadas, produção nacional que a RTP lançou o ano passado. Esta micro série tem a sua piada. Os diálogos são castiços (até me consegui rir) e o enredo, apesar de absurdo, consegue ser engraçado dentro do seu exagero. No entanto, faz lembrar demasiado Situações Delicadas, mesmo que não lhe consiga chegar aos calcanhares. Ganha pontos por abordar o tema da crise imobiliária, mas o elenco não é muito convincente e as personagens não conseguem, de todo, ser naturais.
Ter 20 episódios, com um máximo de dois minutos cada um, é excessivo. Não a totalidade dos 40 minutos, mas a quantidade de vezes que temos que carregar num episódio, porque, no site da RTP Play, não começa a dar um assim que acabamos de ver o outro. Este método de ver séries não é para mim e, tendo em conta a curta longevidade da Quibi, também não é para muita gente.