Smoke, a nova série da Apple TV+, estreia-se com um primeiro episódio que é o que se pode chamar de bom entretenimento. Não vai ser a série mais premiada da temporada, nem parece querer sê-lo, mas cumpre com mérito aquilo a que se propõe. É um policial sólido que faz lembrar os filmes do género dos anos 80 e 90: uma dupla improvável, um passado partilhado com feridas mal saradas, crimes com assinatura e um ambiente escuro e tenso. Os elementos estão lá todos. E, mesmo prestando homenagem ao género, consegue trazer novidade q.b. para parecer algo fresco.
A premissa é simples, mas refrescante: não é um, mas dois serials, e não são assassinos em série. São incendiários em série. Estes detalhes, que podiam soar forçados, resultam surpreendentemente bem e trazem um toque original à narrativa. No fim do primeiro episódio, dei por mim a querer ver o segundo logo de seguida e isso não me tem acontecido muito ultimamente.
Outro ponto que elevou a experiência foi o facto de o protagonista, interpretado por Taron Egerton (Black Bird), estar a escrever um romance enquanto investiga os crimes. Essa camada adicional foi a cereja no topo de um conceito já bem conseguido. Há atenção ao detalhe, há ritmo, há personagens com peso e tudo isto reforça a ideia de que, por vezes, menos é mesmo mais.
Tecnicamente, está muito bem executada: boas interpretações (sem serem transcendentais), fotografia competente, argumento sólido e bem estruturado. Talvez o único aspeto que destoou um pouco foi a banda sonora. Sou daqueles que, se a música funciona, mal dou por ela, portanto o facto de a ter notado aqui não foi por bons motivos. Parece deslocada, como se não estivesse sintonizada com o resto do ambiente, o que é pena, porque o resto está bastante equilibrado.
Este primeiro episódio de Smoke, nova aposta da Apple TV+, é uma estreia segura, com identidade própria e muito para dar. Acho que vai valer a pena dares uma oportunidade.