Chegou na semana passada à Netflix a série norueguesa Pernille (Pørni, no nome original), uma comédia dramática sobre uma mulher (Henriette Steenstrup) com três miúdos, as suas duas filhas e o sobrinho, de quem passou a tomar conta desde que a irmã morreu. Ela trabalha num equivalente à nossa CPCJ, Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, lidando com situações delicadas (e algumas extremamente bizarras), e esforça-se por proteger as filhas da desilusão de pai que têm.
As histórias que a série nos oferece neste primeiro episódio até são giras, mas a comédia não se faz notar e o lado dramático também é apresentado de uma forma leve. As dinâmicas familiares de Pernille, que ainda incluem o seu pai, um homem na casa dos 70 anos que faz uma revelação (não tão surpreendente quanto isso para ninguém) e se safa de uma situação na qual ninguém se quer ver, são simpáticas, mas não marcantes. É o tipo de série que se vê bem e parece ter tido grande sucesso no país de origem, mas não me convenceu. Pernille é uma personagem por quem é fácil de torcer porque parece genuinamente uma pessoa decente, mas o episódio não conseguiu fazer o suficiente para me deixar com vontade de ver mais. A parte de que mais gostei foi a forma como a personagem principal ainda está ligada à irmã, não conseguindo abdicar de um ritual para a manter viva na sua memória.
As cinco temporadas de Pernille estão disponíveis na Netflix.