Streaming. É esta a palavra que ouvimos tanto nos dias de hoje, mas que poucos sabem definir. O que é então o streaming? Na prática, é uma tecnologia de transmissão de dados pela internet, quer seja áudio ou vídeo, sem a necessidade de fazer qualquer tipo de downloads.

Temos mais serviços de streaming em Portugal do que dedos nas mãos. Os grandes players são, sem dúvida, o Spotify (no áudio) e a Netflix (no vídeo). Existem mais, mas é nos de vídeo que me quero focar.

Em Portugal, a Netflix está presente desde 2015 e desde cedo assumiu a posição de liderança no mercado nacional, tal como no mercado americano. Só recentemente é que começou a sentir concorrência, com a chegada da HBO a Portugal. A Amazon Prime Video já está em Portugal há mais tempo, porém nunca representou grande perigo para a Netflix. Quanto muito, era um complemento. Temos ainda o NOS Play, que é exclusivo para clientes NOS, e o FOX+.

Porquê falar do streaming agora? Por três motivos.

Em primeiro, no espaço de um mês vão ser lançados dois novos serviços que prometem abalar a concorrência e que trazem muitas novidades. Estamos a falar do Disney+, com data de estreia prevista para 12 de novembro nos EUA e na Holanda e que deverá chegar ao resto da Europa no início de 2020, e a Apple TV+, com estreia em mais de 100 países (incluindo Portugal) marcada para o dia 1 de novembro.

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Além disso, existem cada vez mais portugueses a aderirem a este tipo de serviços. Não há dados concretos, mas a tendência no mundo tem sido para um aumento crescente dos clientes das plataformas de streaming e o decréscimo das assinaturas por cabo. Em Portugal, não acontece ainda, porque na maioria dos casos estes players servem como um complemento do cabo e não como uma substituição.

Por fim, e permitam-me o tom crítico, estas duas chegadas deixam-me um pouco preocupado. Porquê? O que tornou a Netflix e a ideia do streaming tão atrativa foi a quantidade de conteúdo disponível por um preço baixo (que tem vindo a aumentar nos últimos anos, eu sei). Com o aumento do número de serviços, o preço total vai, sem dúvida, aumentar e provavelmente isto vai representar um retrocesso na área, visto que o valor final irá chegar perto dos números da conta mensal de uma operadora de cabo. E não é isso que os consumidores querem.

Como é que se pode solucionar este “problema”? Uma ideia, e que me parece ser a mais acertada, é a existência de pacotes conjuntos. Isto é, o cliente compra um pacote que inclua diferentes serviços de streaming. A Disney, que vai entrar no mercado no próximo mês, está a planear lançar um pacote que inclua o Disney+, a ESPN e a Hulu, por um valor a rondar os 12 dólares por mês.

Para já, este pacote será apenas em território americano, mas o futuro passa por aqui.

 

Artigo escrito originalmente por Diogo Alvo para o site ESCS Magazine e publicado aqui.