Seis meses! Faz hoje precisamente seis meses desde que a 5.ª temporada de Orange Is the New Black estreou e outros tantos ainda deverão faltar para que cheguem os próximos episódios. OITNB tornou-se a minha série preferida em emissão e as saudades são mais do que muitas. Tal como nos tempos em que Grey’s Anatomy era a minha favorita, decidi também fazer com Orange uma lista dos meus momentos preferidos da série, que se alia a uma anterior com alguns dos acontecimentos mais marcantes. Quando comecei a fazer um esboço apercebi-me de que teria conseguido fazer esta crónica só com momentos à volta de Piper e Alex (a minha relação favorita da série), mas esforcei-me por diversificar um pouco. Posso não ter sido totalmente bem sucedida porque acabei por não colocar um leque muito grande de personagens, mas também não quis fugir demasiado àqueles momentos que, de facto, são os meus preferidos. Aqui estão eles:

[Nota: os momentos – de entre aqueles que foi possível encontrar – podem ser vistos através do link inserido nas descrições das cenas, a negrito] * Contém spoilers *

piper healy orange

Piper coloca Healy no lugar (01×09): Não sei que raio de fixação é que Healy tinha em relação a Piper e porque é que a tratava de forma diferente. Era por Piper ter um noivo e não ser lésbica como as outras reclusas? A questão é que Piper tinha um noivo, mas isso não a impedia de gostar também de mulheres. E para Healy o problema foi precisamente esse. É claro que um idiota homofóbico não gosta de descobrir que a jovem por quem se calhar até tem uma paixoneta é igual a tantas outras mulheres daquela prisão. Piper foi colocada em isolamento simplesmente porque estava a dançar, de forma provocadora. Como se isso – ou ser lésbica ou bissexual – fosse um crime. Só que na perturbada cabeça de Healy é precisamente isso que é. Piper sabe que é uma injustiça, ilegal até, e ensina-lhe uma lição. Tudo o que Piper tem naquele momento é o poder das palavras e usa-as bem para marcar a sua posição, para dizer a Healy que é doentio e que nunca nenhuma mulher se interessaria por alguém como ele. Piper mostra também que já não é a mesma mulher assustada que chegou a Litchfield e que não vai permitir ser manipulada.

miss rosa orange

Miss Rosa estabelece uma ligação com um miúdo durante a quimioterapia (02×08): Enquanto Miss Rosa andava a fazer tratamento de quimioterapia, conheceu um adolescente, Yusef, também diagnosticado com um cancro. A relação entre os dois não começou muito bem, mas o rapaz desenvolveu alguma curiosidade em relação a ela. Talvez nenhum o queira admitir, mas creio que aquela curta amizade foi algo de que ambos precisaram para enfrentar um momento difícil das suas vidas e por isso achei amoroso que os dois se tenham juntado para dar o ‘golpe’ à carteira da enfermeira de quem nenhum deles gostava. E, contrariamente ao que Miss Rosa pensava, nem todos os homens da sua vida estavam amaldiçoados. Prova disso é o facto de Yusef ter entrado em remissão.

orange morello crazy eyes

Morello e Crazy Eyes falam sobre sexo (03×10):  Há umas quantas cenas entre estas duas e cada uma é melhor do que a outra. Morello e Suzanne são parecidas, de certa forma. Ambas são vistas como loucas, como não sendo capazes de constatar aquilo que parece óbvio para os restantes e também são ingénuas, cada uma à sua maneira. Morello tem a visão limitada do mundo de alguém que não é muito inteligente e Suzanne está presa a uma mente de criança, mas as duas têm um bom coração. Conhecedora de relações amorosas, de homens e de sexo no geral, Morello explica a Suzanne que não está certo chamar slut a ninguém e ao perceber que esta nada sabe, partilha a sua primeira experiência e aconselha-a. Há algo de bastante engraçado e terno, ao mesmo tempo, nesta conversa.

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Alex, Nicky e Piper pedradas no campo de milho (04×08): Esta é uma das minhas cenas preferidas de toda a série. Primeiro, porque junta as minhas personagens favoritas e, segundo, porque tem tanto de cómica como de dramática. Nicky e Alex estão escondidas a fumar crack quando Piper as encontra. A sua indignação depressa passa e Piper acaba por decidir pedrar-se também. Nicky voltou há pouco da prisão, Alex lida com o facto de que o tipo que queria matá-la está morto, Piper foi queimada com um ferro a ferver, cada uma delas está a passar por uma fase complicada. Alex e Piper confessam aquilo que se passa nas suas vidas e esta última reflete sobre o que a levou até essa situação e nas consequências. Nicky serve ainda de comic relief nesta cena em que Taylor Schilling é brilhante.

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Red encontra Nicky a fumar no chuveiro (04×09):  Há uma força e uma fragilidade incríveis em Nicky e que Natasha Lyonne interpreta na perfeição nesta cena. Nicky tem vindo a servir-se de uma certa postura de durona para esconder o quanto as pessoas já a desiludiram, mas tudo aquilo que queria era ter tido alguém com quem contar. Red pode ser essa pessoa agora, mas não entrou muito cedo na vida de Nicky e os estragos já estavam feitos. Nicky tem uma certa tendência para se auto-sabotar, seja com drogas, seja afastando as pessoas que a amam, mas fá-lo porque tem medo de se magoar, porque talvez se tenha convencido a ela própria que não é merecedora do amor de Red, de Morello… Só que Red não é como a maioria das pessoas da vida de Nicky. Red ama-a como a uma filha, preocupa-se com ela de uma forma que a própria mãe de Nicky nunca preocupou e, por isso, culpa-se também pelo que correu mal com ela. Esta cena deixa-me imensamente triste, mas, por muitas vezes que a veja, a dor destas duas mulheres nunca me parece menos profunda.

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Pennsatucky ajuda Nicky a desintoxicar-se (04×11): Pennsatucky já foi uma personagem detestável, mas há muito que deixou de o ser. Deixou de julgar os outros, parou com os sermões religiosos absurdos e tornou-se uma pessoa verdadeiramente decente. A vida tratou-a mal, tal como tratou Nicky. De formas muito diferentes, mas a verdade é que ambas se refugiaram nas drogas. Nicky voltou a consumir depois de ter passado muito tempo ‘limpa’ e está outra vez a desintoxicar-se quando uma ajuda e uma companhia improvável aparece, Pennsatucky. No passado, Pennsatucky nunca teria ajudado Nicky por esta ser lésbica, mas esse tipo de coisas deixou de ter importância e o que é certo é que, naquele momento, Nicky precisava de alguém ao lado dela e Pennsatucky compreendia aquilo por que ela estava a passar.

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Piscatella humilha Red à frente da família e parte o braço a Alex (05×10): Red sempre teve um certo poder perante as restantes reclusas, mas a sua posição incomodava Piscatella, que queria vingar-se assim que pudesse e o motim foi a ocasião perfeita para o vilão conseguir o que queria. Assim sendo, reuniu Red e boa parte da ‘família’ dela com a intenção de a humilhar, de a vergar. No entanto, nenhuma daquelas mulheres se deixa ir abaixo sem dar luta e Nicky, que não tem tento na língua, diz umas quantas verdades ao guarda prisional. Piscatella corta então o cabelo a Red, ferindo-a na cabeça, tentando reduzi-la a nada, enquanto as outras, sem poderem fazer nada, são obrigadas a assistir. A dor delas é inegável: Nicky nunca deixa o sarcasmo, mas está destruída por ver aquilo acontecer à mulher que tem sido uma mãe para ela, Piper revolta-se com a forma inumana como são tratadas, mas é Alex (num episódio realizado por Laura Prepon) quem faz realmente algo ao tentar neutralizar fisicamente Piscatella, que lhe parte um braço. Todas passam a mensagem de que podem ser ‘derrotadas’, mas que não permitirão que isso aconteça sem darem luta.

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Piper fala com a mãe durante o motim (05×12) e depois pede Alex em casamento (05×12): Estes dois momentos não constituem uma cena única, mas a verdade é que um não pode ser dissociado do outro. Desde que a série começou que nos habituamos a ouvir Piper queixar-se da mãe – não por Carol ter sido uma má mãe como a de Nicky – da maneira que uma mulher adulta se queixa da mãe em quem não se quer tornar. Carol pareceu sempre um pouco snobe, mas não duvidei que amasse a filha ou que Piper amasse a mãe, simplesmente nunca as vimos a terem uma verdadeira ligação. Talvez nunca antes a tivessem tido, mas aquele momento potenciou isso. Piper precisava da mãe, de desabafar sobre o que tinha acontecido, expressando o que sente por Alex. E Carol partilhou a sua própria história de amor, inspirando Piper. Aquilo que se seguiu eu não esperava. Sei que Piper e Alex se amam, mas não as tinha imaginado a casar e certamente não esperava um pedido de casamento tão cedo, mas fiquei muito contente. Todo o episódio permitiu conhecer melhor a dimensão da história das duas e mostrou uma faceta de Alex da qual ainda não me apercebera. Enquanto é claro que Nicky afasta as pessoas por medo de se magoar, Alex tem disfarçado bem (ou talvez eu estivesse distraída!). Aquela é uma situação limite, em que todas temem o que possa acontecer, mas não acho que Piper tenha feito o pedido por precipitação ou por medo. Fê-lo por amor, por querer mesmo passar o resto da vida com Alex. Faz um pequeno discurso adorável e sentido e Alex diz que sim. Pode não ter sido o cenário ideal, mas o momento foi tão perfeito quanto possível.

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Nicky ajuda Morello a render-se (05×13): A relação entre Piper e Alex nunca foi fácil, mas o mesmo acontece com a de Nicky e Morello. Ainda há pouco Nicky tinha chamado louca a Morello quando esta lhe tentou dizer que estava grávida, mas é o que Nicky faz quando se sente magoada e posta de parte. Nicky não só teve uma conversa séria com Vince que foi certamente muito complicada para ela, já que os seus sentimentos para com Morello vão muito para além de uma amizade colorida, como a última preocupação dela foi deixar Morello a salvo. Morello não é a pessoa mais emocionalmente estável do mundo e precisava que alguém a confortasse, que a mimasse e lhe assegurasse que ia correr tudo bem. Nicky fez tudo isso e instruiu-a acerca do que devia fazer para se render, aconselhando-a a dizer que está grávida para que não a magoassem numa altura em que era já óbvio que o motim poderia terminar da pior maneira.

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As reclusas dão as mãos enquanto aguardam o seu destino: Acho que é justo dizer que esta é a minha cena preferida de toda a série. A música é perfeita, o espírito de união mostra-se um dos pilares de Orange e o sentimento que desperta em mim é quase indescritível. Neste momento não há raças, não há diferenças sociais ou culturais a interporem-se entre elas. Há apenas dez mulheres unidas, de mãos dadas, a apoiarem-se umas às outras enquanto esperam o seu destino. Suzanne parece uma criança assustada, Cindy parece em paz, Nicky está lívida, mas todas elas são corajosas o suficiente para se colocarem de pé, à espera do inevitável. E enquanto dão as mãos, é-me impossível não pensar na ligação que criaram umas com as outras, naquilo que cada uma tem a perder, nos receios que cada uma poderá estar a viver na sua própria cabeça, se todas terão sobrevivido quando a 6.ª temporada chegar.

[Bónus] As refeições na cantina: Provavelmente não há muitos momentos mais engraçados do que quando as nossas personagens se sentam juntas para comerem. Quer seja na mesa das reclusas negras, com Cindy, Taystee, Poussey, Suzanne e Janae, ou na mesa das brancas, com Alex, Morello, Nicky e Piper, os momentos das refeições trazem sempre umas quantas pérolas de comédia, mas não imagino que voltem a haver muitos nos próximos tempos. Como vou ter saudades! Talvez não haja tantas baixas quantas receio e num futuro (talvez não tão próximo quanto isso) se sentem todas juntas, negras, brancas e latinas, mais unidas do que nunca.

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Diana Sampaio