[Contém spoilers! Se ainda não terminaram de ver a 5.ª temporada, é melhor pararem aqui. Se já terminaram, prossigam!]

Passei a temporada a pensar que havia potencial nesta história que havia para contar, mas que a importância de todos estes acontecimentos não tinha sido encarada da forma certa. No entanto, agora que acabei, só tenho um pensamento: Um ano! Como é que vou conseguir esperar um ano por mais episódios?

Continuo a achar que esta 5.ª temporada de Orange Is the New Black poderia ter sido melhor, mas este final quase me matou. Isso é um bom sinal – o melhor dos sinais – quando se trata de uma série! Ver séries não é, afinal, sermos capazes de nos emocionar, de viver com os personagens aquilo que estão a enfrentar e sentirmos que nós próprios somos quase uma parte da história? E eu ri-me com aquelas mulheres, apoiei a causa delas, reprovei-a noutras alturas em que as coisas foram longe de mais, mas o mais importante, e que guardarei como um dos melhores momentos da série, foi o episódio final da temporada. Fiquei com um medo terrível do que vai acontecer! Por aquelas que foram levadas em autocarros, separadas daquele que foi o seu mundo nos últimos meses, nos últimos anos, separadas das pessoas que se tornaram as suas amigas, a sua família. E sinto, sobretudo, um nó no coração por aquelas que ficaram na prisão. Porque essas correm o risco de morrer. Mas decidiram levantar a cabeça e encarar aquilo que pode ser o fim com dignidade e unidas, de mãos dadas, num momento que invoca a temporada anterior quando, também todas juntas, se puseram em cima das mesas da cantina. E sinto um nó porque, além de serem pessoas que ali estão, muitas delas são as minhas preferidas. Alex. Piper. Nicky. Red.

Aquilo que pode ser o fim chegou acompanhado da belíssica música To Build a Home, dos The Cinematic Orchestra, que me desperta uns certos feelings. Mas eu não estou a chorar! Bolas, é claro que estou!

O motim. Esta temporada girou toda à volta do motim que se instaurou no final da anterior. Justiça por Poussey e melhores condições de vida para as reclusas eram pedidos mais do que justos, mas todos sabemos que a vida não é justa e certamente não o é para estas mulheres. Taystee surge como uma das grandes figuras desta temporada, no papel da amiga enlutada que procura justiça por uma morte injusta e aleatória que ficou impune. As prioridades dela estiveram certas o tempo todo, mas creio que chegou a uma altura em que, como Cindy disse, o orgulho acabou por tomar conta dela. Todas as exigências das reclusas foram aceites exceto aquela que, por questões de jurisdição, não era possível cumprir. É óbvio que uma acusação a Bailey não estava incluída, mas sendo o ponto principal da negociação, percebo que Taystee tenha achado que seria uma traição à memória da amiga aceitar tudo o resto quase como uma compensação, mas… Assim ficaram sem nada.

Não sei o que vai acontecer daqui para a frente, para onde serão enviadas aquelas mulheres, mas não creio que haverá amnistia para ninguém. Só imagino um futuro pior do que foi as suas vidas prisionais até agora. Se antes já eram encaradas como criminosas, agora serão ainda mais. Muitas delas não fizeram nada, mas provavelmente inocentes e culpadas não serão distinguidas. Exceto Daya. Essa foi claramente marcada como responsável pelo tiro ao idiota do guarda!

Orange Is the New Black perdeu-se um pouco pelo tom excessivamente leve da temporada. A forma como Daya perdeu a arma, a forma como as drogadas dos dentes podres reclamaram o poder para elas, todas aquelas brincadeiras de porem os guardas a competirem num concurso de talentos, o facto de a maioria delas parecer apenas interessada em brincar às revoluções… Foi divertido, mas um monte de disparates. É por isso que considero que a temporada poderia ter sido bem mais interessante se tivesse sabido ser mais séria quando devia. Esta temporada poderia ter sido uma homenagem às condições decadentes da comunidade prisional, mas falhou um pouco nesse sentido. E falhou (enormemente) ao escolher para parte do enredo uma relação entre Pennsatucky e o guarda que a violou. Isto é errado a tantos níveis!

No entanto, a série não falhou naquele que acaba por ser o espírito de Orange Is the New Black e há que dar graças ao 13.º episódio por isso. Não sei explicar muito bem que espírito é esse, mas é algo que claramente existe e que associo ao momento em que foram nadar para o lago, ao momento à ‘Clube dos Poetas Mortos’, a todas de mãos dadas agora, neste final, preparadas para enfrentar o que aí vem. Algumas delas com expressões estoicas, outras claramente com medo, mas unidas, aconteça o que acontecer.

Não sei se significará a morte para algumas delas. Espero que não. Até porque, quando foi necessário, todas aquelas mulheres mostraram a sua humanidade. Umas impediram Red de se vingar de Piscatella e, mesmo mais tarde, a própria Red percebeu que isso não era o caminho. A prisão não as mudou. Todas elas cometeram crimes, mas todas elas têm um coração mais generoso do que se poderia pedir. Espero mesmo que não seja o fim. Sim, espero que Nicky possa voltar a ver Morello. Espero que Piper e Alex tenham a hipótese de se casarem. Espero que Red possa voltar a ver as ‘filhas’ em segurança. E espero que mesmo que a próxima temporada também não seja estrondosa que, pelo menos, volte a chegar ao fim desta forma extraordinária. Porque qualquer viagem que termine como esta merece ser feita!

Até lá, estou com todas estas mulheres! Frieda. Suzanne. Cindy. Taystee. Red. Piper. Alex. Nicky. Gloria. Blanca.

Diana Sampaio