For All Mankind – Crítica da 5.ª Temporada
| 31 Mai, 2026
7.15

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Esta 5.ª temporada de For All Mankind, da Apple TV, não foi de todo a temporada mais interessante, para ser sincero. E importa dizer isso deixando claro que continuo a achar que é uma série sólida, bem produzida e bem realizada. Nota-se sempre o cuidado da produção: há qualidade técnica, há escala e a série sabe criar momentos de tensão muito bem. Aliás, esse continua a ser o grande ponto alto de For All Mankind. Quando entra nesse registo mais intenso resulta quase sempre e aí a banda sonora merece destaque especial porque acompanha esses momentos de forma perfeita. É provavelmente uma das melhores coisas da série. Sempre que a tensão sobe, a música entra exatamente no momento certo e ajuda a elevar ainda mais essas cenas, tem o seu quê de Interstellar, em que a banda sonora era quase um personagem também, e ganha muito com isso.

O problema é que o resto da história nem sempre consegue ser assim tão interessante ou excitante, principalmente se compararmos com outras produções recentes da Apple TV como Foundation ou Silo. E até olhando para o próprio percurso de Ronald D. Moore, já o vimos a fazer melhor. Basta lembrar Battlestar Galactica, que para mim continua a ser uma das melhores séries de ficção científica de sempre, ou até as primeiras temporadas de Outlander, que recentemente terminou e onde ele mostrou uma consistência muito maior – o início pelo menos, para ser justo.

Parece que o problema de For All Mankind continua a ser o mesmo que já vinha de temporadas anteriores: quando não está realmente no espaço perde alguma força. Já antes acontecia, com partes mais paradas ou menos interessantes, e nesta temporada voltou a sentir-se isso. Desta vez a história ficou muito presa ao solo, neste caso em Marte, e isso acabou por limitar um pouco aquilo que a série faz melhor.

A própria premissa de saltar década após década também começa a pesar mais. Continua a ser uma ideia interessante e diferente, mas ao mesmo tempo faz com que praticamente já não reste quase ninguém das primeiras temporadas. E eram precisamente essas personagens que muitas vezes conseguiam manter tudo mais interessante mesmo quando a exploração abrandava.

Não quer dizer que não tenham existido bons momentos, porque existiram. E não é como se a série não abordasse temas relevantes e até bastante atuais, usando um disfarce de universo alternativo. Isso continua lá. Mas faltou mais viagem, mais descoberta e principalmente mais daqueles momentos em que a série aposta no desconhecido. A viagem até Titã soube claramente a pouco e o último episódio deixou ainda mais essa sensação. Ficou bastante claro que podiam perfeitamente ter passado mais tempo nesse plot e explorar melhor esse lado da história. Porque sempre que For All Mankind investe nessa ideia de descoberta, exploração e de ir além do conhecido, a série cresce muito mais. Ganha escala, ganha impacto e torna-se mais envolvente. Quando se prende demasiado aos conflitos mais terrenos, mesmo que façam sentido e sejam relevantes, acaba por perder parte da identidade que a distingue.

No geral continuo a achar que é uma série competente, bem feita e com momentos realmente muito bons, embora a maior parte do tempo seja só e apenas isso. Raramente se torna brilhante. E esta 5.ª temporada acabou por reforçar isso. Foi talvez a mais inconstante e a menos interessante até agora, mesmo tendo alguns momentos de tensão muito fortes, daqueles bem à For All Mankind, e que continuam a ser sem dúvida o que sustenta melhor a série. E com aquela banda sonora a acompanhar esses momentos, aí sim, continua a mostrar exatamente aquilo que consegue fazer de melhor.

A 5.ª temporada de For All Mankind já se encontra disponível na totalidade na Apple TV e no dia em que acabou estreou também um spin-off do mesmo universo, Star City. Já foi também confirmado que a 6.ª temporada irá ser a última da série.

Melhor episódio:

Episódio 10 – O último episódio acabou por ser de longe o melhor da temporada. Foi aí que a série finalmente encontrou o ritmo certo e entregou mais momentos de tensão daqueles que sabe fazer tão bem. A intensidade esteve sempre lá e as duas últimas cenas foram provavelmente as melhores de toda a temporada. Além de fecharem bem esta fase da história, reforçam precisamente aquilo que For All Mankind costuma fazer melhor: quando deixa os conflitos mais presos à terra e aposta verdadeiramente na exploração espacial e no desconhecido, a série ganha outra dimensão e consegue voos bem mais altos.

Personagem de destaque:

Kelly Baldwin (Cynthy Wu) Em relação às personagens, o destaque para mim vai claramente para Kelly. Mesmo com relativamente pouco tempo de ecrã, acabou por ser a personagem mais interessante desta temporada. Teve provavelmente o plot mais envolvente de todos, mesmo com algumas decisões bastante discutíveis pelo caminho. E talvez seja precisamente isso que a torna tão interessante. Fez, sem dúvida, jus ao seu legado.

For All Mankind - Crítica da 5.ª Temporada
Temporada: 5
Nº Episódios: 10
7.15
7
Interpretação
6
Argumento
8
Realização
8.5
Banda Sonora

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