Berlim – Crítica da 2.ª Temporada
| 22 Mai, 2026
7.55

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Esta nova incursão da Netflix pelo mundo de Berlim, com uma 2.ª temporada intitulada Berlim e a Dama com Arminho, mantém-se fiel a si própria: divertida, colorida e exagerada, mas não sem os seus problemas.

A mudança de cenário, saindo da luxuosa e requintada Paris para a quente e cheia de personalidade Sevilha, acaba por ser bastante agradável. Colocar Berlim (Pedro Alonso) a lidar com personagens mais “terra a terra” também resulta muito bem, sobretudo porque permite explorar um lado do personagem que normalmente fica mais escondido. Ver Berlim surpreendido, sem reação ou emocionalmente desarmado é, por si só, um dos grandes atrativos da temporada.

E isso liga diretamente àquela que continua a ser a sua maior fraqueza: o amor. Mais uma vez, Berlim deixa-se levar pelas emoções e pelo fascínio romântico, mesmo quando isso claramente compromete os planos e o faz perder alguma da racionalidade que tanto gosta de exibir. E isso continua a funcionar muito bem no personagem, porque impede que ele seja apenas um génio frio e calculista, dando-lhe um lado impulsivo, caótico e até autodestrutivo que torna tudo mais interessante.

Ao mesmo tempo, a série também percebe que Berlim funciona melhor quando tem alguém ao seu nível para o desafiar intelectualmente. E isso continua a ser uma das grandes forças da narrativa, porque a verdadeira arma do personagem nunca foi a força ou as armas, mas sim a mente. Sempre que sente que alguém está ao seu nível, ou até acima dele, o ego entra imediatamente em jogo. O mais engraçado é que Berlim despreza precisamente nos outros a arrogância que ele próprio tem, o que cria uma rivalidade quase pessoal e leva a uma sucessão de planos cada vez mais exagerados e mirabolantes, roubos dentro de roubos, manipulações atrás de manipulações.

E apesar do absurdo crescente, a série consegue tornar tudo muito divertido, muito graças à realização e produção, que mantêm constantemente aquele ambiente estilizado, caótico e visualmente apelativo que já é imagem de marca deste universo.

Se há um ponto menos conseguido, prende-se com os personagens secundários de “La banda”. Enquanto na 1.ª temporada havia o prazer da descoberta, com tensões e dinâmicas naturais a surgirem entre todos, aqui, com tudo mais estabelecido, não se entende bem a decisão de criar duas storylines paralelas quase iguais. Isso não acrescenta grande novidade e acaba por tornar algumas partes redundantes, com uma sensação de escrita algo preguiçosa em certos momentos.

E claro, como não podia faltar, também existem as participações especiais, que qualquer fã de La Casa de Papel certamente agradece, para nos afundarmos na nostalgia.

No geral, é uma continuação suficientemente diferente para justificar a sua existência, equilibra bem o manter da essência do personagem com o facto de o porem a lidar com situações e personagens mais imprevisíveis. É divertida, algo mirabolante como o próprio personagem que lhe dá nome, e embora perca algum fôlego em certas escolhas narrativas, principalmente com os personagens secundários, cumpre o seu propósito. Acaba por ser uma boa continuação da 1.ª temporada, agora com o nome de Berlim e as Joias de Paris. Com o anúncio de que o universo de La Casa de Papel vai continuar, resta-nos esperar para ver o que vem aí.

Berlim e a Dama com Arminho já se encontra disponível na totalidade na Netflix. De notar que no catálogo do serviço as duas temporadas de Berlim aparecem separadas, como sendo independentes.

Berlim - Crítica da 2.ª temporada
Temporada: 2
Nº Episódios: 8
7.55
7
Interpretação
7
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

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