The Madison – Crítica da 1.ª temporada
| 24 Abr, 2026
7.9

Publicidade

Ainda só tivemos uma 1.ª temporada, mas foi suficiente para perceber que The Madison vai ser mais especial para mim do que Yellowstone. No entanto, com os primeiros episódios pensei que a série pudesse atingir o estatuto de uma das minhas preferidas, mas agora não acho que isso vá acontecer. Temos as lindíssimas paisagens do Montana, um elenco com prestações incríveis, com destaque para Michelle Pfeiffer, Beau Garrett, Kurt Russell, Rebecca Spence e Ben Schnetzer, personagens cujas histórias mexem facilmente connosco e com quem nos preocupamos desde o início, relações interessantes de se ver, mas depois há uma intensidade excessiva de que não sou particularmente fã.

Em Yellowstone tínhamos violência com fartura e fazia sentido, mas aqui não. A cena de luta entre as irmãs foi exagerada e depois ainda temos outro momento em que Paige parte para a agressão, mas aí consigo perceber a reação dela. Também temos Stacy a agir como uma bully durante uma grande parte do tempo, nomeadamente, mas não só, quando tenta obrigar a filha a ficar com ela no Montana e o modo como fala com o terapeuta… Talvez isto venha de um lugar de dor, de luto, mas não cai bem, parece deslocado. A abordagem à rapariga que Paige agrediu é mais fácil de engolir, mas também não me agradou. E quando digo que não me agradou não quero apenas referir-me a uma questão de opinião, mas também em termos daquilo que parece ou não encaixar com o resto. Contudo, a julgar por Beth Dutton, Taylor Sheridan gosta das suas personagens femininas principais bem intensas. Não acho que ele seja particularmente bom a escrever mulheres.

Ainda assim, é bom a escrever outras coisas. As conversas entre Stacy e Preston, por exemplo, parecem poesia. São lindas e combinam com o belo cenário do Montana. O amor que estes dois partilharam traduz-se agora na forma como Stacy procura conectar-se à terra que o marido tanto amava, o que é algo de muito bonito também. Mas pergunto-me: porque é que eles nunca partilharam aquele lugar enquanto puderam? Stacy adapta-se incrivelmente bem a um novo modo de vida, completamente diferente dos confortos de Nova Iorque, e espera que toda a família o consiga também, o que não é justo.

Não é surpreendente, mas a série oferece-nos os seus melhores momentos quando as personagens se encontram no Montana. Lá convivem todos de uma forma mais próxima que gera uma intensidade emocional maior e também foi giro ver a família a conhecer os prestáveis habitantes locais, que são os vizinhos que qualquer pessoa quereria ter. Cade e a família foram de uma grande generosidade e o mesmo se pode dizer de Van.

Foi muito fácil apegar-me às personagens e a série deixou-me a ansiar pela estreia de um episódio na SkyShowtime a cada semana, mas tinha potencial para ser muito melhor e é uma pena ver potencial desperdiçado, mesmo que aquilo que tenhamos à nossa frente seja bom.

Melhor episódio:

Episódio 3 – Abby e Paige envolvem-se à pancada (pancada a sério) e não consigo perceber de onde vem toda aquela agressividade. Já em Yellowstone havia disto entre irmãos, mas Beth e Jamie odiavam-se genuinamente e é óbvio que estas irmãs gostam e se preocupam uma com a outra. Abby não assume as responsabilidades que uma mulher adulta da idade dela tem que assumir (temos a mesma idade, basicamente), mas Stacy não pode impor algo à filha só porque assume que é o melhor para ela e para as netas. Não é uma decisão que possa tomar unilateralmente! Tough love levado ao extremo. Abby pode ser imatura em algumas coisas, mas isso é fruto da vida protegida que levou e pela qual a mãe também é responsável. Noutros aspetos, Abby até me parece ter os pés bem assentes na terra. Este episódio ajuda-nos a conhecer melhor a relação entre Stacy e Preston e tenho a dizer que gosto muito dos flashbacks. No entanto, o meu momento preferido é quando Stacy liga a Lili para lhe pedir que vá ter com ela ao Montana. Toda a gente precisava de uma Lili!

Personagem de destaque:

Abby Reese (Beau Garrett) – Stacy é a figura incontornável de The Madison, mas evito o mais possível a escolha óbvia, portanto opto por Abby, que, a par de Lili, é a personagem por quem sinto maior ligação. Há algo de magnético em Abby ou talvez seja mesmo Beau Garrett, porque já tinha sentido um pouco isso em Firefly Lane. Acho Abby bastante genuína e parece-me ser uma personagem com bastantes camadas. Adoro o sentido de humor, aquele estilo um bocado de quem gosta de “ver o circo a arder”, a consciência de quem é, a forma como se relaciona com as filhas e com Van… Não estou a ver forma de as coisas resultarem para eles enquanto casal, mas aquilo que tiveram foi já muito significativo para ambos e talvez isso seja suficiente. Nem tudo o que é importante tem que durar para sempre ou muito tempo.

The Madison - Crítica da 1.ª temporada
Temporada: 1
Nº Episódios: 6
7.9
9
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

Publicidade

Populares

calendário estreias posters junho 2026

Every Year After

Recomendamos