The Abandons – Crítica da 1.ª Temporada
| 27 Dez, 2025
8

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As críticas não têm sido favoráveis a The Abandons (Os Abandonados), mas eu não consigo concordar com elas. O western foi criado por Kurt Sutter e, como eterna fã de Sons of Anarchy, senti o apelo de ver esta nova série dele, apesar de não gostar muito de histórias passadas no Velho Oeste. São duas séries bastante diferentes, mas muitos dos temas de Sons of Anarchy estão também presentes em The Abandons: a resistência ao progresso, a lealdade, a família, mas também a traição, a violência.

A trama passa-se em 1854, numa cidade fictícia situada naquele que é hoje o estado de Washington, e centra-se em duas mulheres cuja rivalidade mancha Angel’s Ridge de sangue. De um lado temos Fiona (Lena Headey), uma irlandesa devota e com uma vida marcada pela violência que se tornou uma mãe para quatro jovens órfãos. Do outro, encontra-se Constance Van Ness (Gillian Anderson), uma aristocrata dura capaz de tudo para proteger a família e que tem a cidade na palma das mãos. Ao início, parece muito claro que Fiona é a boa da fita e que Constance é a vilã, mas as duas mulheres são mais parecidas do que aquilo que cada uma delas seria capaz de admitir. Ambas têm a sua quota parte de crimes, ambas têm a sua quota parte de culpa no caos que se instalou, mas é impossível não torcer por Fiona e pela sua família. Aquilo que os move parece mais digno, de um ponto de vista moral.

O elenco é um dos pontos fortes da série. Headey e Anderson têm interpretações carregadas, ora de emotividade, ora de violência, e o sotaque irlandês de Lena é muito credível. Elas são, sem qualquer espécie de dúvida, as estrelas de The Abandons, mas estão bem acompanhadas por um elenco competente onde podemos também ver caras bem conhecidas de Sons of Anarchy como Ryan Hurst e Katey Sagal.

Os cenários transportam-nos para aquela época. Nas cenas de exterior, em lugares com muitas pessoas e com os cavalos a passarem pelas ruas, quase conseguia imaginar o cheiro forte. Como seria de esperar, não falta violência e há bastantes cenas de luta. O que seria de uma história do Velho Oeste sem isso? As cenas estão bem coreografadas, sem nunca parecerem exageradas. Só tenho pena que, especialmente no último episódio, algumas cenas sejam um bocado ‘escuras’ e não se consigam ver tão bem quanto se desejaria.

A história desta temporada de The Abandons prende ao ecrã, rapidamente nos sentimos envolvidos nesta guerra entre Fiona e Constance que acaba por envolver as suas famílias e, em certa medida, toda a cidade. É uma série que é difícil parar de ver, ideal para modo maratona. Fico à espera que seja renovada para 2.ª temporada, mas não estou certa de que seja algo que vá acontecer.

Podes encontrar a 1.ª temporada de The Abandons na Netflix.

Melhor episódio:

Episódio 2 – Aquilo que Sons of Anarchy nos trouxe de tão bom, como as traições e, do lado contrário, as lealdades levadas ao extremo, The Abandons também nos proporciona. Foi este o episódio que me fez perceber que tinha que continuar a ver a série porque conseguiu surpreender-me verdadeiramente com algumas reviravoltas bastante interessantes.

Personagem de destaque:

Fiona Nolan (Lena Headey) – Acho que sabia desde o primeiro minuto que ia escolher Fiona. Há algo de muito magnético em Headey e na sua interpretação. A própria personagem também é interessante. Uma mulher que pôs fim a um casamento violento e que criou, com quatro jovens órfãos, a própria família. Uma mulher que luta pelos seus e por aquilo em que acredita, sem olhar a consequências. Comete muitos erros, mas é uma personagem redimível, característica que mais a distingue de Constance.

The Abandons - Crítica da 1.ª Temporada
Temporada: 1
Nº Episódios: 7
8
8.5
Interpretação
7
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

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