Wednesday – Crítica da 2.ª temporada
| 09 Set, 2025
7.05

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A 2.ª temporada de Wednesday, da Netflix, apesar de ter sido bom entretenimento, acabou por ficar um pouco aquém do que poderia ter sido. O grande problema foi não se conseguir afastar o suficiente da primeira, o que a tornou repetitiva em vários momentos.

Os enredos giram demasiado em torno da história e da problemática já exploradas antes e mesmo sabendo que a continuidade é necessária em séries deste género, aqui abusaram tanto dessas ligações que quase não se sente novidade. O enredo do Hyde é o exemplo mais claro disso: ficou demasiado preso à estrutura e às tensões que já conhecíamos, em vez de abrir espaço para caminhos diferentes. Este é um risco comum quando a 1.ª temporada faz muito sucesso: acabam por repetir a fórmula que funcionou em vez de expandir o universo. Podiam ter seguido o exemplo de Stranger Things, que, apesar de manter a continuidade, em cada temporada acrescenta novas camadas e faz tudo parecer fresco e diferente: mesmo mundo, perigos distintos e caminhos novos.

Para ser honesto, a primeira metade da temporada acabou por me prender mais. O mistério foi bem construído, havia uma sensação de novidade e a expectativa de que a história pudesse seguir por um rumo diferente. No entanto, à medida que entramos na segunda metade, o brilho vai-se perdendo e instala-se de novo a sensação de ‘já vi isto antes’. A repetição de dilemas e conflitos torna-se mais evidente, e é nesse ponto que a narrativa começa a soar como uma reciclagem direta da primeira temporada.

O que também não ajudou foi a personagem de Lady Gaga, que tinha sido muito falada, gerou tanta antecipação, mas acabou por saber a pouco e foi de muito pouca utilidade, apenas serviu para gerar mais um plot já tanta vez visto. No fundo, foi quase um cameo glorificado e, já que estamos a falar nela, importa acrescentar que até o momento musical soou demasiado parecido ao que já tínhamos visto na 1.ª temporada, em mais uma tentativa de ir buscar o que deu certo. Até as revelações sobre os culpados dos vários crimes acabaram por vir acompanhadas de mais bocejos e menos gritos, de tão previsíveis que foram.

Ainda assim, houve pontos positivos. O arco ligado ao zombie trouxe revelações interessantes que envolveram várias personagens centrais. Até A Coisa teve direito a mais destaque e gostei bastante da avó de Wednesday, que apareceu com a sua ironia mortal e deixou bem claro de onde a neta herda o seu humor afiado. A produção manteve o nível elevado, visualmente continua muito sólida, e os atores mostraram-se competentes e consistentes nos papéis. Jenna Ortega nasceu para nos mandar o olhar de desdém.

No geral, esta temporada deu a impressão de ser um verdadeiro Frankenstein da anterior: mexeram um pouco na história, cortaram algum romance, acrescentaram uma ou duas personagens novas e coseram tudo como se fosse novidade. No conjunto, não inventa nada de novo: agarra-se a uma fórmula já testada e comprovada. Não deixa de ser mau, porque continua a entreter, mas ficou longe das minhas expectativas. Eu esperava mais risco, mais ousadia e não apenas uma repetição do que já tinha garantido o sucesso inicial. Até começou bem, mas foi-se enterrando no mesmo pântano lodoso.

Espero sinceramente que a 3.ª temporada venha corrigir esse problema, até porque passaram esta temporada inteira a preparar o cliffhanger final. Que venha essa terceira e que, ao contrário desta, seja positivamente aterradora.

As duas primeiras temporadas de Wednesday encontram-se disponíveis na Netflix.

Wednesday - Crítica da 2.ª temporada
Temporada: 2
Nº Episódios: 8
7.05
7.5
Interpretação
6
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

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