House of Guinness – Crítica da 1.ª temporada
| 25 Set, 2025
8.35

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House of Guinness (A Casa Guinness) é uma mistura entre Peaky Blinders, o drama refinado de uma novela de Jane Austen e cerveja pelo meio. Não é tão boa como Peaky Blinders (difícil), mas tem um interesse histórico bastante grande, uma vez que se foca numa das famílias mais importantes da altura na Irlanda. Se puderes ver a série na companhia de uma Guinness, ainda melhor.

Logo desde os primeiros minutos, sente-se que estamos a lidar com algo que respira Irlanda: os cenários, os detalhes de época, o guarda-roupa… Tudo está incrivelmente bem cuidado. Dá para perceber que os criadores não brincam em serviço e nota-se muito da mão dos mesmos que nos deram Peaky Blinders. Aliás, se em Peaky Blinders tínhamos as boinas icónicas, aqui temos os chapéus irlandeses. Cerca de 80% da série dá-nos aquele feeling intenso e sombrio de Birmingham industrial, intrigas, uma família poderosa, jogos de bastidores e os outros 20% remetem para aquele toque quase literário, à Jane Austen, com os romances escondidos de época, os bailes e outros. É um equilíbrio estranho, mas que de alguma forma funciona, tornando cada episódio interessante sob várias camadas.

A história centra-se na família Guinness logo após a morte do patriarca. Aqui, a intriga política é o núcleo de tudo. Temos quatro irmãos que são o epicentro da trama: Arthur, o político, secretamente gay, que nos traz momentos de tensão e emoção; Anne, a irmã deixada de fora do negócio só por ser mulher, cuja frustração e inteligência são palpáveis; Edward, ambicioso que parece querer controlar tudo à força; e Benjamin, o eterno bêbado, que oferece tanto momentos cómicos como de drama profundo. Para completar, temos Byron, interpretado pelo icónico Jack Gleeson, que é bom ver regressar à atuação depois de uns anos de afastamento devido a, de acordo com rumores, alguns fãs menos capazes intelectualmente não saberem distinguir uma pessoa real de uma personagem e terem-lhe feito a vida negra. Recentemente, o ator tem aparecido em alguns filmes e séries, mas ainda não tinha visto nada dele desde Game of Thrones. Ver Jack de novo em cena é um deleite e é impossível não pensar em Joffrey. Byron é complexo, intrigante e consegue roubar algumas cenas só pelo magnetismo da atuação.

Falando do elenco em geral, todos estiveram muito bem e sustentam o drama sem problemas, mas ninguém chega ao nível de Cillian Murphy em Peaky Blinders. Isso não é um problema, o elenco funciona na perfeição, mantendo-nos cativados, mas para quem já viu Peaky Blinders, há aquele vazio de “queria mais um personagem com presença magnética que me fizesse tremer só com um olhar”. Mesmo assim, é fácil entregar-se à história porque os personagens são bem construídos e cada relação familiar é carregada de tensão e nuance.

E que dizer da música? Se há algo que realmente eleva esta série é a banda sonora irlandesa. Especialmente Fountains D.C., que aparece em momentos cruciais e consegue transportar-nos para a Irlanda de forma quase mágica. Cada nota, cada canção, parece escolhida a dedo. Honestamente, fiquei com vontade de ouvir toda a discografia deles depois de cada episódio. Mas não só deles, os clássicos irlandeses que podemos ouvir em qualquer pub que dignifique o seu nome.

A série tem bom ritmo e consegue prender, mas não é perfeita. Alguns saltos temporais são um pouco abruptos, do episódio 4 para o 5, por exemplo, é feita uma transição que podia ter sido gerida de forma mais suave. Ainda assim, estes pequenos desajustes não chegam a quebrar a experiência.

Em termos de narrativa, a temporada de House of Guinness consegue equilibrar vários elementos: drama familiar, intriga política e poder com um toque de humor e humanidade que torna a série mais realista. Há um pouco de tudo, mas o núcleo permanece o drama político e é aqui que a série realmente brilha. Para quem gosta de intrigas, estratégias de bastidores e confrontos familiares carregados de tensão, este é um prato cheio.

Quanto à representação histórica, gostei bastante de como a série aborda a história irlandesa. Não se limita a usar a Irlanda apenas como cenário: há contexto, política, e decisões que têm repercussões sociais e económicas e os dois lados da guerra civil.

O ritmo abranda um pouco a meio, mas termina bastante bem com um belo episódio final que nos deixa agarrados.

Estás a perguntar-te: “devo ver?”. Se és fã de Peaky Blinders, então sim, de longe, vais adorar esta série. Tem aquela intriga política, o drama familiar e o ambiente sombrio que nos fazem devorar episódio atrás de episódio. Ao mesmo tempo, traz frescura com personagens femininas mais complexas e nuances que enriquecem a história sem se perder em clichés.

E tu, o que achaste?

Melhor Episódio:

Episódio 1 – O último também podia ter sido uma boa escolha, mas, na realidade, o primeiro foi o que mais me cativou. Já tinha saudades de ver aqueles frames de fumo e da indústria que fazem toda a gente parecer muito fixe. É o estilo que já bem conhecemos deste criador, associado a uma boa banda sonora. Se nos episódios seguintes continuamos a apreciar isto, o primeiro cativa porque sentíamos saudades. Além de que faz um ótimo trabalho a introduzir-nos os irmãos e o drama: desde começar pela morte do pai e todos os problemas que daí advém até terminar com rivais a incendiarem barris de Guinness. Um só episódio de 55 minutos onde acabamos a conhecer as personagens e o que as move, o que vai ser o enredo principal e qual vai ser o estilo contado e de realização. É um grande piloto!

Personagem de destaque:

Olívia Hedges (Danielle Galligan) – Estive quase para escolher Arthur porque é o irmão sobre quem a maior parte do enredo está focado, desde os dramas dos seus segredos sexuais até à política que contribui para o final. No entanto, esse interesse é maximizado pelo papel de Danielle enquanto Olivia, uma mulher que conhece bem e percebe o marido e deixa-o ter o que ele bem quer. A interação entre ambos e a forma como ela contribuiu para o enredo fez-me escolhê-la, também sinal que nenhum dos irmãos conseguiu ter o mesmo carisma e magnetismo que… quem tu sabes bem!

House of Guinness - Crítica da 1.ª temporada
Temporada: 1
Nº Episódios: 8
8.35
7.5
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
10
Banda Sonora

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