Classificação

6.5
Interpretação
6
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Temporada: 2

Número de Episódios: 8

Uma semana depois da estreia da 1.ª temporada de Quién Mató a Sara? foi confirmada uma 2.ª temporada que já se encontra disponível na Netflix desde o passado dia 19. Esta série mexicana acompanha a história de Alex Guzmán (Manolo Cardona) após ter cumprido, injustamente, uma pena de prisão de 18 anos pela morte da sua irmã, Sara (Ximena Lamadrid). Depois de sair em liberdade, começa a pôr em prática o seu plano de vingança contra quem ele pensa que realmente matou Sara, e é no desenrolar deste plano que vamos conhecendo também a poderosa família Lazcano e a ligação/história que têm com Sara e Alex. Nesta 2.ª temporada, para além de continuar com o plano, Alex ainda terá que lidar com o facto de ter descoberto um corpo enterrado no seu quintal, que o pode levar novamente a ser preso, e ainda que a sua irmã pode não ser bem quem ele pensava que ela era.

Quando eu comecei a ver Quién Mató a Sara? estava longe de imaginar que ia acabar por gostar tanto da 1.ª temporada como gostei. Talvez o facto de não ter as expectativas muito altas tenha ajudado a isso também. O certo é que quando dei por mim já tinha terminado a temporada e tinha gostado realmente do que tinha sido apresentado. É verdade que não é a melhor série alguma vez criada, e que analisando com mais atenção tem as suas incongruências e até mesmo erros, mas deu para passar um bom tempo. Foi interessante e conseguiu manter-me presa do início ao fim.

Por isso, fiquei bastante contente quando soube que Quién Mató a Sara? tinha sido renovada para uma 2ª temporada, ainda para mais num período tão curto de tempo. Isto é, a 1ª temporada estreou no dia 24 de março, e nem uma semana depois já tinha sido confirmada que haveria uma 2ª temporada e que essa ia estrear no dia 19 de maio. Ora, isto levou-me a crer que o plano era esse desde o início, e que, portanto, a história já tinha sido pensada de forma a desenvolver-se em duas temporadas. Isso, por sua vez, levou-me a crer que a história iria manter a mesma qualidade (por mais questionável que ela pudesse ser) e, consequentemente, as minhas expectativas para esta temporada estavam muito elevadas.

Assim, qual não é o meu espanto quando me apercebo que não poderia estar mais errada quanto à qualidade desta 2.ª temporada. Não me cabe na cabeça como é que algo que foi planeado desde o início, por assim dizer, pode culminar numa temporada totalmente absurda, rebuscada e em alguns momentos, atrevo-me a dizer, ridícula! Quanto mais penso nesta temporada e no que foi apresentado, menos sentido me faz. Já para não falar dos erros crassos de roteiro! Mas vamos por partes.

Afinal tudo leva a crer que a Sara tinha problemas mentais, e pensava que toda a gente a queria matar. Por essa razão age de forma imprudente, e acaba por dar motivos a quase toda a gente para efetivamente a quererem ver morta, no entanto, ao que parece, foi a existência de um programa de realização de testes, que tem como símbolo a Medusa, que a levou a ser morta. Se isso me surpreendeu, sim, se eu consigo perceber de onde é que isso veio, não. E o pior é que essa descoberta acaba por ser o mote para uma suposta 3ª temporada, e se isso se verificar faz-me crer que vem aí algo ainda mais descabido.

Marifer para além de ser Diana, a Caçadora, também é irmã de Clara, meia-irmã de Sara e ainda a mente por detrás de um plano mirabolante que tinha como objetivo fazer com que Clara engravidasse do Chema a fim de utilizar esse filho (no caso filha) para chantagear Mariana e obrigá-la a dizer o que a família Lazcano tinha feito à mãe dela uma vez que esta tinha desaparecido. Se calhar sou eu que não tenho lá muita imaginação, mas sinceramente acho que havia maneiras muito mais simples de se conseguir obter essa informação. Para além disso, a história envolvendo o pai dela, o Abel Martínez Osorio, também tem muitas inconsistências, quando se analisa as diversas informações que nos vão sendo dadas nas diferentes linhas temporais.

Isto porque, Marifer adulta aparenta saber perfeitamente quem é o seu pai, no caso Abel Martínez Osorio, mas quando entregou esse nome a Sara, quando era jovem, e lhe indicou que tinha sido essa a pessoa que a sua mãe tinha ido visitar ao Hospital Psiquiátrico, não parece haver da parte dela conhecimento de que aquele se tratava do seu pai. O que faz ainda menos sentido uma vez que numa das visitas de Sara a Abel, a enfermeira refere que ela seria a terceira pessoa a quem Abel chamava de filha, logo, isso leva-nos a crer que ela poderia estar a fazer referência a Marifer e a Clara.

E mesmo que por alguma razão desconhecida, Marifer jovem não sabia quem era o seu pai (ou que aquele nome correspondia ao do seu pai), ou o que lhe tinha acontecido – apesar de que há uma pequena referencia, quando Marifer confronta Sara relativamente ao afastamento desta, de que o seu pai a tinha abandonado duas semanas antes – a Marifer adulta sabia, inclusive, Alex pergunta a Diana, a Caçadora, quem era Abel e porque é que ele estava enterrado no seu quintal, e ela refere que a mãe dele lhe tinha escondido coisas. Isso na altura levou-me a crer que ela se tivesse a referir ao facto de Abel ser pai de Sara. Mas uma vez que Marifer não sabia que Sara era sua irmã, não pode ser essa hipótese. Assim, resta-me pensar que ela se estava a referir à visita. Mas se assim é, como é que ela nunca achou estranho ou nunca se questionou quanto ao motivo que levou a mãe de Sara a visitar o seu pai no Hospital Psiquiátrico?

Também não sei o que é que aconteceu ao Rudolfo nesta temporada, mas ele estava insuportável, e honestamente, não acrescentou muito à história. Nem parecia a mesma personagem que tínhamos conhecido na 1ª temporada, e de quem eu até tinha gostado, inclusive, cheguei a escolhê-lo como personagem de destaque na review da temporada anterior. Além de que, a relação dele com o Alex terminou bem na 1ª temporada, mas isso parece ter durado pouco tempo, porque nesta temporada Rodolfo passou praticamente o tempo todo a culpar o Alex de todos os males que aconteciam. Eu compreendo que ele esteja a passar por uma fase complicada depois de tudo o que descobriu, mas esta atitude do Rodolfo para com o Alex, tendo em atenção a 1ª temporada, não faz muito sentido.

Por último, no final da 1.ª temporada, Alex pergunta a Diana, a Caçadora, o que tinha acontecido a Nicandro e esta refere que ele tinha sido morto a tiro. Acredito que o objetivo era fazer-nos crer que seria o Nicandro a pessoa morta enterrada no quintal do Alex. E até aí tudo bem, se o Nicandro não tivesse aparecido à porta do Alex e este em momento nenhum tenha questionado esse facto. Se alguém me tivesse dito que uma pessoa tinha morrido e depois ela do nada entra em contacto comigo, eu ia-lhe questionar isso. Confesso que cheguei a pensar que tinha perdido algo importante no desenrolar da série. É verdade que o Nicandro lhe explica a razão para ter ficado longe todos aqueles anos, mas não nos é explicado o porquê de Marifer ter dito a Alex que este estava morto. Pode ser que isso venha a ser explicado na 3.ª temporada.

E estes são só alguns exemplos das incongruências com as quais me fui deparando ao longo desta 2.ª temporada de Quién Mató a Sara?, porque acredito que existam mais. Não quero com isto dizer que a temporada é horrível. A história tem muitas reviravoltas e é totalmente imprevisível, quanto a isso tenho de lhes tirar o chapéu. E se colocarmos de lado a lógica, a série até nem é má de todo e até nos proporciona um bom momento de entretenimento. Agora eu pessoalmente preferia algo com mais pés e cabeça. Resta agora saber se haverá ou não uma 3ª temporada, e se sim, o que é que será que eles vão inventar mais.

Melhor Episódio:

Derrumbe (episódio 3) – Apesar de ser quase sempre difícil para mim escolher apenas um episódio, acho que foi a primeira vez que eu não fazia mesmo a mínima ideia de que episódio escolher, porque na verdade não houve nenhum que eu tivesse realmente gostado ou achado bom o suficiente a ponto de o querer considerar como melhor episódio. No entanto, acabei por escolher o episódio 3, pura e simplesmente por causa do final. Apesar da história desta temporada não ter sido grande coisa, principalmente quando comparada com a 1ª, a verdade é que houve momentos que me deixaram perplexa sendo que o primeiro deles foi o momento em que Chema mata o ex-namorado da Clara a fim de salvar Lorenzo. Não era algo que eu esperava, de todo, e por essa razão, e também pelo facto do execrável do Sérgio ter sido preso, é que me leva a escolher este episódio.

Personagem de Destaque:

Chema (José Maria) Lazcano – À semelhança da escolha do melhor episódio, eu também não sabia quem haveria de escolher como personagem de destaque, uma vez que, dado o rumo que a história levou e o impacto que isso teve nas personagens, também não houve nenhuma personagem que eu tenha gostado particularmente. Inclusive, até comecei a desgostar de algumas, ou até mesmo a não querer saber delas sequer. Contudo, e ainda que o Chema tenha andado um pouco perdido nesta temporada, a atuação de Eugenio Siller merece ser reconhecida, e por essa razão é que escolho o Chema como personagem de destaque. A história dele, nesta temporada, foi recheada de coisas negativas, especialmente a morte de Lorenzo, de Clara e da filha, e ainda do seu pai (ainda que saibamos que tenha sido forjada) e isso exigiam uma grande carga emotiva por parte do personagem, algo que eu considero que foi muito bem desempenhado pelo ator.

Cármen Silva