Classificação

6.5
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Temporada: 2

Número de Episódios: 10

Já se encontra disponível na Netflix, desde o passado dia 27 de novembro, a 2.ª temporada de Virgin River, a série de drama e romance baseada nos livros de Robyn Carr, que conta a história de Melinda Monroe (Alexandra Breckenridge), uma enfermeira que decidiu mudar-se para Virgin River, uma remota e pequena cidade do norte do estado da Califórnia, com o intuito não só de começar a trabalhar no consultório de Doc Mullins (Tim Matheson), mas também de fugir ao seu doloroso passado.

Enquanto que na 1.ª temporada vimos Mel a adaptar-se a essa mudança e a tentar lidar com o seu passado, ao mesmo tempo que íamos também conhecendo os habitantes de Virgin River e as suas respetivas histórias de vida, na segunda vimos especialmente a tentativa de Mel de lidar com os seus sentimentos relativamente a Jack (Martin Henderson), que já só por si eram complicados dado o passado amoroso dela, mas que se complicaram ainda mais quando se descobriu que o Jack ia ser pai. Aliado a isto, à semelhança da 1.ª temporada, vamos acompanhando as histórias dos restantes personagens.

Mesmo Virgin River não sendo a típica série que costumo ver, a verdade é que dei por mim, nesta 2.ª temporada, a ficar tão embrenhada na história a ponto de o episódio acabar e eu quase nem dar pelo tempo passar. Talvez tenha sido porque já estava mais familiarizada com os personagens e as suas histórias e por isso mais interessada no que lhes ia acontecendo; independentemente do que tenha sido, gostei muito mais desta temporada do que da primeira.

Uma das coisas de que mais gosto em Virgin River é a leveza com que contam as histórias. Apesar de abordarem temas sensíveis, fazem-no de forma bastante leve. Há séries que abordam temas pesados e quando acabamos cada episódio sentimos um peso na cabeça ou no coração, mas em Virgin River isso não acontece, mesmo que alguma situação nos deixe tristes ou preocupados. Por isso é que eu sinto que este tipo de série é o ideal para quem quer ver algo real, mas que ao mesmo tempo quer ver algo leve e aconchegante.

Isso aliado a uma excelente cinematografia, que mostra paisagens de tirar o fôlego, a uma banda sonora que encaixa perfeitamente no que nos está a ser mostrado, a ponto de quase não darmos por ela, mas ao mesmo tempo parecer que é uma das coisas a que mais damos atenção, e até algumas reviravoltas que nos deixam surpreendidos, faz com que Virgin River seja uma boa aposta, ainda para mais nestes meses mais frios.

Resta-me agora esperar pela 3.ª temporada e ver o que vai acontecer, especialmente a Jack, Doc, Preacher (Colin Lawrence) e até mesmo a Ricky (Grayson Maxwell Gurnsey) e Lizzie (Sarah Dugdale). Se querem que seja sincera, eu não acho que Jack vá morrer, porque pobre Mel! Já não basta ter perdido a sua filha, o marido e agora ainda tinha que perder Jack? Portanto, tenho esperança de que isso vá mantê-lo vivo. No entanto, acho que isso vai fazer com que Mel se retraia novamente relativamente a ter uma relação amorosa com ele. É verdade que, quer esteja numa relação com ele ou não, inevitavelmente ela já irá sofrer com a perda dele, mas sinceramente acho que é mesmo isso que vai acontecer: Mel decidir voltar a ser só amiga de Jack para se proteger. Quanto a Doc, agora que as coisas estavam bem com o amor da sua vida, descobriu com toda a certeza que está doente. Não sabemos se sim ou não, e se sim, que doença é, mas que ele recebeu alguma má notícia do médico, lá isso recebeu. Relativamente a Preacher, o que será que aconteceu a Paige (Lexa Doig) para que o filho dela tenha de ficar com ele? Será que foi apanhada? Será que se entregou? E agora Preacher irá mudar-se na mesma para São Francisco ou vai ficar por Virgin River? E por último, a relação de Ricky e Lizzie vai resultar? É que vou ser sincera, eu não confio muito em Lizzie e não sei se ela não se está a aproveitar de Ricky. Eu espero que não, espero que ela goste realmente dele, ou então, caso se esteja a aproveitar dele, acabe por se apaixonar, porque o rapaz merece ser feliz.

Episódio de Destaque:

Out of the Past (Episódio 6) – Ao contrário do que normalmente acontece, assim que cheguei ao fim da temporada já sabia que episódio iria escolher. Mesmo que também me tenha passado pela cabeça escolher o sétimo episódio, ou até mesmo o último, algo fez com que a minha escolha acabasse sempre por recair sobre Out of the Past. E isto deveu-se à forma como a série lidou com uma questão tão sensível como o luto. Não é algo fácil de abordar, mas acho que a forma como o fizeram foi bastante bonita e a cinematografia característica da série ajudou ainda mais a esse sentimento.

Personagem de Destaque:

Melinda Monroe – Deixem-me já dizer-vos que foi bastante difícil para mim escolher somente uma personagem (nem era eu se assim não fosse, não é mesmo), pois considero que todos eles acabam por ter bastante relevância e destaque na série, muito devido ao facto de todas as histórias se intercalarem muito bem, já para não falar que praticamente todos tiveram um bom desenvolvimento nesta temporada, não só a nível de história, mas também de character development. Nesse quesito a que mais me surpreendeu foi Connie (Nicola Cavendish), pois nunca pensei que ela fosse proteger e ajudar Preacher da forma como o fez, tanto é que eu pensei em escolhê-la como personagem de destaque, mas depois de muito pensar acabei por me decidir por Mel. Não só porque é impossível ficar indiferente à história dela, mas especialmente pela maneira como ela lidou com os seus problemas e como trata todos ao seu redor. Mesmo ela estando mal com alguma coisa ou até mesmo desconfortável com alguma situação, acaba por pôr isso de lado e ajudar sempre a pessoa independentemente de quem seja. Vimos isso ao longo desta temporada, especialmente com Charmaine (Lauren Hammersley), e acredito que talvez se fosse outra pessoa não teria feito o mesmo que Mel.

Cármen Silva