Classificação

9
Interpretação
6
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Des é uma minissérie britânica, com um total de três episódios, que conta a história real de Dennis Nielsen, um assassino em série descoberto na década de 1980 por acaso. A série retrata o percurso de Dennis, que prefere ser tratado apenas por Des, desde que é detido até ao seu julgamento. De forma muito realista, David Tennant traz esta pessoa à vida e prende-nos ao sempre que entra em cena. É ele a alma da minissérie, ainda que não tenha muito tempo de antena. Uma vez mais, as produções britânicas deste género continuam a marcar pontos neste mundo sobrepovoado das séries.

Desconhecia por completo o caso real, assim como ao que ia quando comecei a ver a série. Aquilo que me chamou a atenção foi o protagonista, David Tennant, cujo trabalho sigo e admiro imensamente. Quando percebi que se tratava de uma história baseada em factos reais e, ainda para mais, em crimes, a minha curiosidade disparou. Contudo, não posso dizer que Des seja uma minissérie espetacular e estrondosa. De facto, o único elemento que a faz brilhar é  presença de Tennant e a interpretação que faz do protagonista – um homem sempre tão calmo e sereno, cujo número de homicídios que cometeu ainda hoje não é sabido ao certo.

Como é costume das séries das terras de sua majestade, Des pauta-se por um ritmo lento e ponderado, sem nunca haver momentos de ação ou stress. Em apenas três episódios é difícil contar uma história com tanto sumo como a de Dennis Nielsen parece ter. Parece-me que muita coisa ficou por contar e o avançar da narrativa não se conseguiu desprender do mesmo registo – uma espécie de relembrar de um evento que aconteceu há muito e cujos pormenores são difíceis de apontar (no fundo, foi mesmo isso que aconteceu). Nem mesmo o julgamento desperta mais emoção e esse deveria ser dos momentos mais marcantes.

Faltaram cenas “mórbidas” – quando refiro que a série se pauta por um ritmo lento e ponderado não estou a exagerar. Se estão à espera de ver alguns dos homicídios e do que se seguiu às mortes incontáveis desenganem-se. Podem imaginar, mas ver não. Creio que Des só teria a ganhar se tivessem sido incluídas uma ou duas cenas deste género, até porque o espectador fica à espera desse momento que nunca chega.

David Tennant é a alma desta minissérie. Sem ele dúvido que nem metade do encanto (que já não é assim tanto) teria. O ator prova mais uma vez a sua versatilidade e capacidade camaleónica de se adaptar às personagens que interpreta. Das imagens e pequenos vídeos que fui vendo do verdadeiro Des, Tennant é quase uma fotocópia. Também Jason Watkins brilha de certa forma, dando vida ao autor do livro biográfico do assassino em série – Killing For Company: The Story of a Man Addicted to Murder -, ainda que ache que lhe faltou qualquer coisa. Da mesma forma, o detetive Peter Jay de Daniel Mays tinha potencial para muito mais, mas ficou a meio caminho. É apenas um homem assoberbado pelas circunstâncias em que se encontra.

De forma geral, Des fica-se pelo patamar de uma boa minissérie. Tinha potencial para ser muito mais do que isso, mas a falta de diversos elementos – sabermos mais sobre as três personagens principais, termos mais momentos chocantes e que nos contextualizariam melhor sobre os assassinatos, haver uma aceleração do ritmo a partir de determinado ponto – fazem com que não brilhe nem cative. Vale a pena ver pela performance de David Tennant – arrisco-me a dizer que é talvez uma das melhores dele em toda a sua carreira -, mas não esperem três episódios emocionantes e que vos deixarão agarrados ao ecrã.

Melhor Episódio:

Episódio 1 – Não havia muito por onde escolher, mas dos três creio que o primeiro episódio é o que mais se destaca pela apresentação de Des e de Peter Jay. Começamos a perceber ao que vamos, o que retratará esta série e deixa no ar o potencial (que mais tarde não se verifica) da história.

Personagem de Destaque:

Dennis Nilsen (David Tennant) – O destaque não poderia ir para mais ninguém. O leque de personagens não é vasto, mas sem qualquer dúvida que Tennant é a essência desta série. A sua interpretação quase que nos leva à mente de Des (não somos totalmente transportados porque fica a faltar a tal contextualização). Já conhecia o talento imenso do ator, mas esta sua interpretação só prova que é um dos melhores da sua geração. Se pensarem em desistir da série após o primeiro episódio, peço que fiquem pela prestação de Tennant.

Beatriz Caetano