Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
8
Banda Sonora

Temporada: 2

Número de episódios: 8

[Contém spoilers!]

Depois do final em aberto e que nos deixou em pulgas pela 2.ª temporada, The Gift, ou Atiye no original, volta com mais oito episódios que provam que a série turca ainda tem muito para dar.

Se bem se lembram, a 1.ª temporada acabou com um “desejo” de Atiye (Beren Saat) a tornar-se realidade: a irmã, Cansu (Melisa Şenolsun), está novamente viva. A pergunta ficou no ar: como é que isto foi possível? E nesta temporada é-nos dada a tão aguardada resposta à mesma.

Nunca pensei dizer isto, mas The Gift tem muito mais parecenças com Dark do que eu alguma vez imaginei. Parecenças estas que notei durante a 2.ª temporada. É impossível comparar Dark a qualquer outra série, mas tanto a série turca como a série alemã se baseiam nos mesmos conceitos: o da criação do mundo por um homem e uma mulher (Adão e Eva) e a possibilidade de várias realidades ao mesmo tempo. Enquanto Dark se baseia em conceitos científicos para o fazer, The Gift baseia-se nas crenças espirituais e religiosas.

Logo no primeiro episódio, (achamos que) descobrimos qual foi o preço que Atiye teve de pagar para ter a irmã de volta: ninguém se lembra dela (tirando algumas personagens-chave). Contudo, não foi apenas ela que sofreu as consequências desta alteração, o mundo também: não há bebés a nascer. Todas as grávidas morrem a dar à luz ou antes disso se não puserem um fim à gravidez. É este o ponto de partida para a aventura de Atiye nesta temporada, sem que ninguém, além da mãe e de Serdar (Tim Seyfi), a reconheça, nem mesmo o pai ou Erhan.

Como descobrimos que, na realidade, não nos encontramos na mesma realidade da 1.ª temporada, mas sim numa outra possibilidade, as coisas parecem fazer mais sentido. É aqui que começam as tais semelhanças com Dark que mencionei anteriormente. As realidades alternativas, como tudo está interligado e, como vemos no fim, o mito da criação do mundo, de um homem e uma mulher, sejam eles Adão e Eva, Ísis e Osíris ou outros.

Com o decorrer dos episódios vamos começando a perceber que algumas personagens não são bem aquilo que parecem. Serdar teve uma infância difícil, Hannah parece ser um mero peão e, mesmo no final da temporada, descobrimos que Ozan é capaz de ter um papel muito mais importante do que aquele que nos fizeram crer até então. Ozan era a personagem que achava menos interessante, apesar de ser necessária à trama, contudo, agora com o final, quem sabe se na 3.ª temporada a minha opinião pode mudar.

O facto de ser uma série turca e não ter grande divulgação fora do país de origem não quer dizer que não valha a pena ver. Muito pelo contrário, The Gift é uma das melhores séries europeias de fantasia que já vi. O argumento está escrito para nos prender desde o primeiro minuto e não deixar que desviemos os olhos do episódio que estamos a ver, pois há sempre algo novo ou interessante a acontecer. De destacar está a banda sonora. Tal como também aconteceu ao ver Avlu, outra série turca que vos aconselho a espreitar, os sons e as músicas característicos do país dão à série aquele toque que quase nos faz transportar para fora do nosso ambiente, enquanto é, ao mesmo tempo, uma lufada de ar fresco por nos dar a conhecer outros sons orientais, só por si tão bonitos e tão pouco divulgados no nosso país.

Dito isto, ficamos à espera da 3.ª temporada, que já está a ser filmada, pois mais uma vez deixaram-nos com uma grande interrogação no fim, interrogação esta que, se bem se lembrarem, já vem desde a 1.ª temporada. Como veem, está tudo interligado. The Gift é obrigatória para quem gosta de fantasia, mistério e até de uma boa história de amor.

Melhor episódio:

Episódio 5 – Escolhi este episódio porque é nele que Erhan começa a mudar um bocadinho a sua forma de pensar. A viagem de carro com Atiye até Capadócia e aquele diálogo (não-diálogo) durante a viagem, assim como a dinâmica entre os dois atores mostrou-se um dos pontos altos da série. É neste episódio que vemos Erhan a começar a baixar a sua guarda e, apesar de não o demonstrar tão abertamente como gostaríamos, percebemos que a personagem começa a pôr a possibilidade de Atiye em cima da mesa.

Personagem de destaque:

Erhan (Mehmet Günsür) – O Erhan da realidade em que a 2.ª temporada maioritariamente se passa é bastante diferente do Erhan da realidade “original”, se assim se pode dizer. Foi muito interessante acompanhar o desenvolvimento desta personagem ao longo dos episódios, pois passa de um completo descrente para um homem que é capaz de se sacrificar pelas pessoas que ama. Temos aqui um arco de personagem bem construído, desempenhado de forma excelente por Günsür.

Cláudia Bilé