Classificação

8
Interpretação
3
Argumento
8.5
Realização
10
Banda Sonora

Temporada: 2

Episódios: 10

[Pode conter alguns spoilers]

Desde que vi a 1.ª temporada de The Umbrella Academy, soube que tinha alguns problemas com a série e nesta 2.ª temporada os mesmos mantêm-se e diria até que se agravam.

Adaptada da banda desenhada, The Umbrella Academy segue os elementos de uma família disfuncional de super-heróis enquanto trabalham juntos para resolver o caso da misteriosa morte do pai milionário e lutar contra a ameaça do apocalipse.

Vou direta aos aspetos positivos que são a razão pela qual ainda não parei de ver a série. As personagens que nos foram apresentadas com os seus devidos traços de personalidade e poderes continuam a ser interessantes e bem exploradas. Neste aspeto, o piloto fez um excelente trabalho, pois conseguiu que a audiência se apegasse a todos, uns mais (Klaus, estou a olhar para ti), outros menos. E esse apego durou toda a temporada passada e continua em força nesta segunda. O maior problema, do qual falarei abaixo, é querermos seguir a história de cada um e esta não ser o mais relevante ou organizada.

Ainda na onda da positividade temos uma banda sonora estrondosa, assim como efeitos sonoros pensados ao pormenor de forma a causar impacto no espectador. Assim como toda a realização excêntrica, a série marca sobretudo pela diferença. Sempre que penso em The Umbrella Academy penso em algo que é bastante aleatório, mas único.

O próprio elenco continua a dar credibilidade às suas personagens e tenho de tirar o chapéu, sobretudo a David Castañeda, que interpreta Diego, por uma das melhores cenas de luta da série (não vou negar que estas cenas específicas são das minhas favoritas, não só pela coreografia da luta em si, mas por todos os aspetos técnicos, anteriormente mencionados).

Um ponto que apontaria à 1.ª temporada seria a duração dos episódios, raramente abaixo dos 45 minutos e demasiadas vezes acima dos 55. Não é que não goste de episódios longos, mas esta série não os pede. Nisto a 2.ª temporada melhorou e conseguiu balancear melhor, ainda que eu tenha continuado a sentir uma grande desnecessidade de pelo menos 10 minutos por episódio. O ponto mais fraco da série, na minha ótica, é todo o enredo. Para além de ser bastante aleatório e caótico, deixa todas as informações no ar, sem dar grandes explicações (“houve um erro nos cálculos”), ou seja, nem sequer complexa é… é simplesmente infundada. A isto junta-se, claro, a duração excessiva dos episódios, pelo que acaba por arrastar muito certos momentos, acaba por incluir cenas desnecessárias e em certos episódios acabei por me questionar “mas isto importa para quê mesmo?”.

Se já não gostei muito do enredo na 1.ª temporada, este ainda me dececionou mais, pois é evidente que estão a enrolar ao máximo para poderem fazer mais temporadas.

É de salientar que o facto de ser uma narrativa passada nos anos 60 permitiu que abordassem temas importantes como o racismo e a homossexualidade, o que acabou por ser positivo e uma boa adição à série, mas vou ser honesta e espero não ser mal interpretada: tendo em conta toda a história principal, achei que foi uma forma de encher chouriços e não parecia encaixar bem com toda a dinâmica original da série.

Melhor Episódio:
Episódio 1 – Right Back Where We Started – Já deu para entender que detestei o enredo desta temporada, por isso nenhum episódio se destacou. Escolhi o primeiro porque este sim dá-nos logo todas as certezas do que esperar esta temporada, estamos de volta ao ponto de partida… ou seja, lá vamos nós passar mais dez episódios a desenvolver algo que não existe para desenvolver. Não vou negar que toda a sequência dos membros da academia a defrontar o apocalipse roçou um pouco nos Avengers e estava super bem feita – lá está, a nível técnico esta é capaz de ser das melhores séries que anda por aí, pois não tem medo de arriscar.

Personagem de Destaque:
Klaus Hargreeves (Robert Sheehan) – Na série sempre notei uma discrepância na qualidade de escrita entre personagens, pelo que sinto que se focaram e bem em Klaus, pelo que acaba por se destacar por ser tão diferente, excêntrico e vulnerável ao mesmo tempo. O próprio ator faz um trabalho espetacular a trazer o personagem para o ecrã.

Ana Leandro