Classificação

7
Interpretação
5.5
Argumento
7.5
Realização
9
Banda Sonora

Temporada: 4

Número de episódios: 7

[Não contém grandes spoilers]

The Protector, um original Netflix, chega ao fim na sua 4.ª temporada. Istambul é salva e tudo está bem quando acaba bem!

Esta foi a primeira (e única) série de origem e língua turca que vi na minha vida inteira. Com quatro temporadas, chega assim ao fim a saga de Hakan Demir – o destemido protetor de Istambul contra as Trevas e os Imortais.

A 4.ª temporada começa e Hakan está no passado. Depois de uma temporada um tanto ou quanto fraquita, eis que finalmente a história dá uma reviravolta para trazer uma temporada que encerra todas as histórias principais e secundárias e dá sentido à razão pela qual o Protector e os Imortais existem.

A forma como a 4.ª temporada foi construída correu muito melhor que a terceira. Se há algo que a malta faz muito bem em The Protector é o não terem receio de matar personagens que eventualmente poderiam querer salvar por serem quase principais ou de demonstrar emoções muito à flor da pele quando tem que ser.

Quero evitar dar-vos spoilers, uma vez que a 4.ª temporada é também a última da série. O trabalho de Çagatay Ulusoy foi tão bom quanto estamos habituados, mas destaco, acima de tudo, nesta temporada, a prestação incrível e emotiva de Okan Yalabik no papel de Faysal Erdem.

As paisagens são lindíssimas como sempre e o tempo que Hakan passa no passado – apesar de um pouco teatral demais para o meu gosto – é rodeado de um cenário com um estilo muito bonito, uma floresta verde brilhante e uns vestuários adequadíssimos!

Confesso que o desenvolvimento de personagem de que menos gostei foi sem dúvida o de Zeynep. Acho que o desfecho da sua história foi muito forçado – obrigatório, claro, não fosse ela uma das personagens principais da série –, mas parte de mim gostava imenso que ela tivesse sucumbido à sua realidade no início da temporada. Para além de que, no final, é muito pouco claro o desenvolvimento temporal da personagem dela.

Por falar em desenvolvimento temporal, considero sempre muito difícil a consistência do efeito borboleta. De qualquer forma, apesar de não ter sido brilhante, The Protector até se esforçou para ter um bom resultado nas consequências causadas no presente por alterações no passado.

É curioso: sinto que um dos pontos negativos da série The Protector seja também aquilo que a faz única. Falo sim do exagero na entrega de alguns diálogos, na necessidade de transformar um momento dramático num espetáculo de berros e veias de fora. Mais uma vez, aquele efeito teatral retira o realismo à coisa.

A banda sonora é um dos meus bebés favoritos. Sou suspeita: sou muito fã dos sons orientais e é claro que The Protector está regado deles e esta temporada não escapa.

Não posso deixar de dar o meu apreço à série inteira. Nunca pensei, eu que só via séries faladas em língua inglesa, apaixonar-me por uma série turca, falada em turco, meio pitoresca e com um argumento muito fácil, mas a verdade é que The Protector me conquistou. Não me perguntem porquê, talvez diga que é um dos meus guilty pleasures favoritos hoje em dia!

Apesar de um argumento muito básico, souberam manter-se fiéis à sua criação sem dispersar e sem grandes ideias e invenções e acima de tudo aplaudo a decisão de terminarem a série quando tinha que ser terminada – numa 4.ª temporada curta, mas mais do que suficiente para dar fim à eterna guerra entre o Protector e os Imortais.

Melhor Episódio: 

Episódio #4.7 –  O último episódio foi a derradeira conclusão de uma história que já durava há 600 anos. Uma história que apenas aqui conseguimos entender como surgiu, como se foi formando ao longo dos anos. Não há mais pontas soltas, não há mais por contar. É o derradeiro sacrifício de Hakan e a razão pela qual ele esteve todo este tempo numa luta taco-a-taco com os imortais e as trevas. Sem dúvida um final bem conseguido, tanto para a temporada como para a série!

Personagem de Destaque:

Hakan Demir (Çagatay Ulusoy) – Durante quatro temporadas foi Hakan quem maior desenvolvimento emocional teve. Desde um miúdo mimado que sonhava em ser rico ao protetor da cidade de Istambul pela qual se prestou a sacrificar tudo. Ganhou, perdeu. Cresceu e tornou-se num homem sensato, inteligente, corajoso e com vontade de acabar com o reino das Trevas que tanto mal lhe causou. Posto isto, e de outra forma não podia ser, Hakan é sem dúvida A personagem desta série.

Joana Henriques Pereira