A Netflix estreou há uns dias a minissérie brasileira Emergência Radiotiva, que se inspira num acidente real ocorrido em 1987, em Goiânia, uma cidade que fica a cerca de 200 km da capital do país. Não sabia nada sobre o caso e fui uma das únicas pessoas que não vibrei com Chernobyl, mas tenho tido uma experiência muito positiva com séries brasileiras e por isso quis espreitar.
A trama acompanha um grupo de físicos e médicos numa corrida contra o tempo para evitar uma tragédia que começa quando uma máquina de radioterapia é aberta num ferro-velho, espalhando o material radioativo, que contamina tudo à sua volta. Esta é uma daquelas séries em que percebemos desde o início que vamos ficar agarrados ao ecrã e é precisamente isso que acontece. São 60 minutos nos quais vivemos tensão, expectativa e, sobretudo, um sentimento forte de urgência, porque a série transmite muito bem o quão perigosa esta situação é, mesmo ainda antes de percebermos todos os seus contornos. Vemos pessoas comuns, pessoas com poucos meios, que só queriam ganhar uns trocos a vender chumbo abandonado, sem fazerem ideia daquilo que estavam a manipular e dos perigos associados. No entanto, quando começa a haver uma real perceção daquilo que pode estar em causa é que a série começa a bombar. Um jovem físico a passar um par de dias em casa do pai, que ele não via há algum tempo, é arrastado para o meio disto tudo e é ele o herói improvável desta história. Mas haverá vários, certamente.
Temos um primeiro episódio de Emergência Radioativa muito mais do que sólido, com interpretações de qualidade, mas entre as quais vale a pena destacar Johnny Massaro, e um argumento que teve o cuidado de transformar um assunto complexo numa história acessível a qualquer pessoa, mesmo que, como eu, perceba zero de física. Vale a pena espreitar!