Classificação

6.7
Interpretação
6.5
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

Regressamos hoje com All’s Well That Ends Well, o mais recente episódio da 3.ª temporada de Legacies.

Neste novo capítulo, Hope e o Super Squad recebem notícias aterradoras sobre um dos seus depois de capturarem um novo monstro na escola. Uma visita surpresa de Lizzie dá a Josie o empurrão necessário para ir atrás daquilo que quer, enquanto MG e Ethan se unem para ajudar a comunidade de Mystic Falls.

À semelhança do que aconteceu com Do All Malivore Monsters Provide This Level of Emotional Insight?, também All’s Well That Ends Well passa a fazer parte da crescente lista de episódios de Legacies que não são nada de especial, mas, em simultâneo, não são propriamente maus. Neste caso, esta pequena crítica surge, na verdade, como um elogio à série, que parece fazer agora um esforço para entrar novamente nos eixos após uma temporada que se tem mostrado incapaz de ir ao encontro das (já baixas) expectativas dos fãs.

Assim, este novo episódio tem os seus momentos de alguma ação, ainda que as suas grandes revelações não produzam grandes reações, tendo há muito sido teorizadas pela audiência devido à previsibilidade da série. De forma concreta (e entrando agora em spoilers), um dos momentos mais importantes de All’s Well That Ends Well prende-se com a revelação de Finch enquanto lobisomem – algo que foi tido como uma possibilidade a partir do momento em que Legacies revelou os problemas sentidos pela personagem em lidar com emoções fortes, em especial desde Yup, It’s a Leprechaun, All Right. Para meu desagrado, esta revelação não é arruinada pelo quão previsível é, mas sim pelo facto de a série não se ter dado ao trabalho de transformar Finch numa personagem minimamente interessante até este momento, mantendo-se assim o meu desinteresse inicial pela lobisomem. De igual forma, a sua relação com Josie permanece uma pedra no meu sapato, ainda que o meu investimento nesta narrativa tenha vindo a aumentar com a intromissão de Lizzie. Compreendo a razão que levou a personagem a esconder a verdade da sua irmã, que procura fugir dos acontecimentos sobrenaturais da Salvatore School de modo a poder levar a cabo uma vida relativamente normal em Mystic Falls. Estou interessada não tanto na relação entre Josie e Finch, mas sim nas consequências que o segredo guardado por Lizzie terá na ligação entre as irmãs.

Ainda em Mystic Falls, All’s Well That Ends Well replica os meus sentimentos relativamente ao seu antecessor ao explorar de forma mais aprofundada esta nova dinâmica entre Ethan e MG. Mais uma vez, as relações entre personagens – em especial relações familiares ou de amizade – são algo que sempre me cativou no universo de The Vampire Diaries, pelo que fico feliz em ver Legacies regressar, ainda que por breves momentos, às suas raízes. O interesse de Ethan e MG por heróis de banda desenhada leva a que o duo se dedique à luta ao crime na pequena cidade onde residem, com Milton a usar os seus poderes para deter malfeitores (uma ideia nobre, mas claramente arriscada). Apesar do entusiasmo ser inicialmente partilhado por ambos, MG está verdadeiramente ciente das potenciais consequências da sua exposição, tornando-se claro que o jovem vampiro não tem qualquer vontade de fazer destas suas aventuras um hábito. Na verdade, Milton sente-se pressionado a levar a cabo estas missões para agradar ao seu novo amigo, sabendo que Ethan se sente alienado desde que a sua mãe e irmã se mudaram. Para além disso, o personagem sabe que a vida sobrenatural é repleta de perigos, e teme que Ethan acabe magoado – ou pior – no processo. No entanto, esta sua opinião acaba por mudar perto do final do episódio, após ser salvo por Ethan quando Finch, em versão lobo, o tenta atacar. MG percebe assim que os humanos não são completamente indefesos, passando a aceitar Ethan como seu igual. Tudo está bem quando acaba bem, certo?

Passando agora para a Salvatore School, onde o resto da ação deste episódio tem lugar, nem tudo é um mar de rosas para os personagens que se veem forçados a lidar com uma banshee, o monstro desta semana que em nada se assemelha à versão da série Teen Wolf, e por boas razões. A série escolhe proceder a uma representação mais fiel ao original mito da cultura irlandesa, apresentando uma mulher de longos cabelos cinzentos e vestida de branco, que chora a morte de um familiar seu, ensurdecendo aqueles à sua volta. A vilã aparece também como uma mensageira, anunciando a morte iminente de uma outra personagem da série. Para surpresa de ninguém, essa personagem é Landon, que verá o seu fim se Cleo (sobre quem passaremos a falar dentro de momentos), permanecer na escola. Certamente, não serei a única que começa a ficar um pouco saturada por Legacies levar a cabo esta situação estilo “Pedro e o Lobo” temporada após temporada, episódio após episódio. A verdade é que afirmar que Landon pode morrer a qualquer momento perde efeito após mil tentativas em apenas duas temporadas e meia, pelo que gostava que os argumentistas se lembrassem que existem outras personagens na série para além do namorado de Hope. O que aconteceu à profecia da esfinge, que anunciava a morte de Alaric? Ainda estou à espera de que isso se concretize.

Ainda assim, Cleo surge como o elemento mais interessante deste novo capítulo, pelo menos na minha opinião. Acredito que All’s Well That Ends Well faz um bom trabalho ao explorar a personagem, explicando o porquê de Malivore estar atrás de Cleo e não de Landon. Acontece que Cleo é a Sétima Filha de uma Sétima Filha, ou seja, é uma bruxa com o poder de inspirar os outros – ou, por outras palavras, uma musa. Após uma breve pesquisa no Google (vou conferir a Legacies o benefício da dúvida e esperar que abordem o passado de Cleo e todo o lore em volta da personagem num episódio futuro), a inspiração para a história de Cleo parece ter origem numa crença antiga, que ditava que uma família capaz de ter tantos descendentes vivos e de boa saúde tinha influências sobrenaturais, sendo a Sétima Filha de uma Sétima Filha dotada de poderes que lhe permitem ver o futuro. É incerto ainda se Legacies seguirá esta rota com a personagem, mas esta justificação explica a influência positiva de Cleo sobre os seus colegas. Infelizmente, os seus poderes colocam-na também sob a mira de Malivore, que envia os seus lacaios atrás da personagem. 

Um destes lacaios é referido como Hunter ou Caçador, tendo aparecido já em episódios anteriores, nomeadamente quando Hope e Lizzie procuravam Landon no mundo prisão. O personagem tenta raptar Cleo, sendo intercetado por Hope, que o deixa escapar ileso. A nossa protagonista afirma mais tarde sentir uma certa familiaridade com o personagem, que corta uma mecha de cabelo a Hope e Landon perto do final do episódio, por razões que me são alheias. Tenho uma vaga ideia de quem está por detrás da máscara, mas falarei um pouco mais sobre o assunto se as minhas suspeitas se confirmarem.

Por fim, deixo-vos com um pequeno (grande) spoiler relativamente a You Can’t Run From Who You Are, o próximo episódio da série. Se já tiveram a oportunidade de ver o vídeo promocional deste capítulo, sabem que assinala o regresso de uma personagem cuja história não terminou de forma satisfatória, na 2.ª temporada da série. Acredito que Legacies tem agora uma nova possibilidade de redimir esta narrativa, proporcionando-lhe uma conclusão digna da personagem a que se refere. Estou curiosa em ver de que forma os eventos futuros afetarão os vários elementos da série, e mal posso esperar pelo próximo episódio.

Como nota de rodapé, tenho a dizer que este episódio me surpreendeu ao fazer várias referências a eventos que já ocorreram ou que estão ainda por vir. Sei que é pouco sensato esperar que Legacies tenha algum verdadeiro sentido de continuidade, mas são as pequenas coisas que fazem com que não perca toda a minha esperança na série. Isso, e as palavras de Danielle aquando do início da temporada sobre como Hope irá mudar por completo algures nos próximos episódios. Ainda sobre Hope, gostei da forma como a banshee falou sobre a relação dos humanos com a dor, afirmando que fogem dela como se fosse uma doença, e não consegui deixar de pensar em como a frase se aplica à nossa personagem principal. Espero que a série retome o assunto dentro em breve, uma vez que não estou de todo satisfeita com a narrativa de Hope e acho que ainda há muito a explorar neste departamento.

All’s Well That Ends Well encontra-se já disponível para visualização na plataforma de streaming HBO Portugal, que disponibiliza um novo episódio de Legacies todas as sextas-feiras. A série entra também numa breve pausa, com regresso marcado para o próximo dia 6 de maio.

Inês Salvado