Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
7.4
Realização
7.6
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Mais uma semana que passou e, com ela, um novo episódio de Grey’s Anatomy.

Apropriadamente intitulado The Last Supper (A Última Ceia), este episódio tem como foco principal a relação entre Richard e Catherine. Jackson cria uma situação desconfortável quando convida Vic, a sua nova namorada, para aquilo que ele acredita ser a celebração do aniversário de casamento do casal, apenas para descobrir que o jantar foi marcado por razões diferentes. Entretanto, Levi leva Nico numa viagem para visitar um membro da sua família que está doente.

Novamente, Grey’s traz-nos um episódio que vem a abrandar um pouco o ritmo normal da série e deixa a sua audiência respirar fundo ao focar-se apenas numa mão cheia de personagens. Por norma, episódios deste género tendem a ser os meus favoritos (como foi o caso dos episódios sete e oito desta nova temporada). No entanto, a regra não se aplica neste caso e, pessoalmente, senti-me um pouco aborrecida com este novo episódio.

The Last Supper vem a fechar de certa forma a narrativa que se tem vindo a construir em torno de Richard e Catherine, desde o final da temporada anterior/início desta temporada. O facto de Catherine ter despedido Richard do Grey Sloan e não ter apoiado o seu marido, quer durante, quer após o sucedido, é algo que, de forma bastante compreensível, ainda incomoda o médico. Por outro lado, Catherine continua a acreditar que algo se passa entre o seu marido e Gemma, pelo que também não dá parte fraca.

De modo bastante previsível (ainda que com um ou outro desvio pelo meio que leva a audiência a pensar que talvez haja salvação para esta relação), a tensão deste episódio culmina com a separação do casal, de maneira muito pouco amigável. A certo ponto na série, a relação entre estes dois personagens tornou-se de tal forma tóxica e amarga que Catherine chega mesmo a falar sobre comprar Pac-North, como forma de vingança sobre Richard – algo que, sem grandes dúvidas, irá acontecer. Pessoalmente, acho que estes níveis de animosidade e mesmo mesquinhez, assim como o facto de Catherine agir como uma completa vilã, apareceram um pouco sem nexo. Não que Catherine não seja capaz de tal, apenas não acredito que a situação assim o requeresse. No final de contas, ambos desempenharam o seu papel na queda da sua relação, ainda que Grey’s pareça dar a indicar que Catherine carrega a maior parte da culpa ao fazer com que a audiência simpatize mais facilmente com o médico.

Igualmente irritante foi ver novamente o mau ambiente entre Maggie e Jackson. Para além de desinteressante, a atitude demonstrada por ambos começa a atravessar a linha para o infantil. Não percebo bem o que pretendem alcançar ao antagonizarem-se a cada momento possível, mas acredito que falo por muitos quando digo que já chega. Espero que, com o romper da relação de Richard e Catherine e a mudança de hospital de Maggie, as interações entre estes personagens deixem de ser mais frequentes e que ambos sigam em frente com as suas vidas.

Ainda assim, este episódio teve os seus bons momentos. Relativos a esta storyline, destaco a presença de Dean, que, ainda que não devesse fazer parte deste fiasco, acabou por conferir um pouco de humor ao episódio, cortando com a monotonia das recentes cenas.

Neste lado mais positivo, esteve também a narrativa de Levi e, por associação, Nico. Ainda que não tenham sido as melhores cenas de Grey’s, em certa parte por o restante do episódio não ser muito apelativo, a história entre Levi e o seu tio foi, simultaneamente, triste e enternecedora. Honestamente, gostaria de ter visto estas cenas retratadas num outro episódio, mas, ainda assim, agrada-me que a série respeite e retrate as raízes religiosas de Levi enquanto algo de bastante importância para o médico, a par e passo com a sua orientação sexual. Foi também interessante ver a disparidade entre a experiência de Levi e a do seu tio e a decisão que Levi acaba por tomar por causa disso.

Inês Salvado