Classificação

7.7
Interpretação
7.5
Argumento
7.6
Realização
7.6
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Grey’s Anatomy regressa agora com Nothing Left To Cling To, estreando assim a sua 16.ª temporada. Seguindo os eventos de episódios anteriores, reencontramos Meredith, Richard e Alex após terem sido despedidos por Bailey devido ao seu envolvimento numa fraude de seguros. Já Jackson ajuda um homem numa situação complicada, enquanto a sua relação com Maggie chega a uma nova encruzilhada. Entretanto, Tom assume um novo cargo no hospital. De grosso modo, é com isto que podemos contar, neste episódio.

Meredith encontra-se com a sua advogada e assume completa responsabilidade pelas suas ações, o que leva a que as acusações feitas contra Andrew sejam retiradas. Conforme esperado, a médica não enfrenta grandes consequências legais e acaba por ser sentenciada a apenas algumas horas de serviço comunitário, a apanhar lixo. O verdadeiro problema surge quando o Conselho Médico resolve prosseguir ações contra a licença médica de Meredith, o que poderá vir a pôr um fim à carreira da ilustre Dr.ª Grey. Pessoalmente, não me parece que a série tomará esse rumo, mas tudo é possível em Grey´s.

Entretanto, Alex e Richard estão um pouco desamparados. Com Jo em tratamento, Alex vê-se forçado a repensar a sua relação, pelo que arranjar um novo emprego não está propriamente na sua lista de prioridades. Tendo em conta o histórico de Alex, Jo dá-lhe a oportunidade de acabar a relação, mas o médico está lá para ficar. As cenas entre estes os dois foram bastante interessantes, dando-nos um vislumbre muito breve da vida num centro psiquiátrico. Parte de mim quer que Jo regresse o mais rapidamente possível ao seu cargo, mas a outra parte gostava que a série continuasse a explorar esta sua vertente. Dos vários acontecimentos deste episódio, este pareceu-me ser dos mais sérios e credíveis, e ainda que as cenas tenham sido breves, foram das que mais me cativaram.

Jackson e Maggie, no entanto, não surtiram o mesmo efeito. Cheguei mesmo a sentir-me entediada durante as suas cenas. O fim desta relação tem sido uma autêntica “morte adiada”, com ambos os personagens a prolongar o inevitável já há bastante tempo. Admito que nem sempre detestei a relação — como tudo, teve os seus altos e baixos —, mas houve sempre algo entre os dois que simplesmente não encaixava e agrada-me que, por fim, possamos fechar este capítulo. Ainda assim, não sou grande fã do facto de Jackson ter já outro possível interesse amoroso em linha, assim como não gostei da reação de Maggie a isso. Percebo que este tipo de dramas são comuns à série, mas tudo o que é demais enjoa.

Ainda no tópico de coisas que enjoam, descobrimos, neste episódio, que Amelia está grávida (porque gravidezes inesperadas é algo que não pode faltar em Grey’s e Amelia não pode ter dois minutos de sossego sem que nada lhe aconteça). Admito que as circunstâncias à volta da grande revelação são algo engraçadas, mas nem isso me consegue apaziguar. Apesar de Amelia e Owen estarem separados já há algum tempo, não consigo parar de pensar que este pode ser o possível pai ao invés de Link e só isso já me dá dores de cabeça.

Outro momento interessante deste episódio surgiu quando Catherine anunciou que Tom Koracick será o “chefe de todos os chefes” abrangidos pelos hospitais ligados à Catherine Fox Foundation, querendo com isto dizer que chefiará sobre Bailey. Yikes. Miranda expressa o seu descontentamento sobre aquilo que vê como um castigo, mas Catherine explica que já não tem a energia que costumava ter. Honestamente, acho que podemos dizer que, enquanto Catherine não está propriamente a mentir, parte da razão tem a ver com o facto de Bailey ter despedido alguns dos seus melhores médicos, inclusive o seu marido. Mas só uma pequena parte, claro.

Ao contrário de Alex, Richard procurou ainda arranjar emprego, tendo mesmo chegado a trabalhar para uma aplicação de médicos ao domicílio. O infortúnio do médico trouxe algumas cenas engraçadas ao episódio, mas, felizmente, este seu cargo não foi de longa duração. Richard vai a uma entrevista para uma vaga para chefe de cirurgia num outro hospital, classificado como sendo o pior de Seattle. Apesar de não conseguir a vaga por causa da sua idade, Richard pressiona Karev a candidatar-se à posição, de modo a que possa trabalhar sob a sua alçada, e Karev assim o faz. Será interessante ver os nossos médicos num novo panorama, de certa forma a trabalhar contra os seus amigos.

No geral, este episódio representou um início de temporada sólido, com bases para uma ou outra narrativa mais interessante por parte da série. Não sei se esta será uma boa temporada, mas o que vimos até agora foi bastante razoável e completamente dentro do nível que já esperamos da série.

Inês Salvado