Classificação

6.5
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
8
Banda Sonora

Temporada: 1

Número de Episódios: 10

[Não contém spoilers]

Chegou no passado dia 31 de julho, à Netflix, a série britânica Get Even, que acompanha a história de quatro raparigas, Bree Deringer (Mia McKenna-Bruce), Margot Rivers (Bethany Antonia), Olivia Hayes (Jessica Alexander) e Kitty Wei (Kim Adis), que se juntam e formam o grupo DGM (Don’t Get Mad) com o objetivo de exporem, para toda a escola, as inúmeras injustiças que nela ocorrem. Apesar de ter estreado recentemente na Netflix, a série, adaptada da saga Don’t Get Mad (composta atualmente pelos livros Get Even e Get Dirty) da escritora Gretchen McNeil, já tinha estreado na BBC iPlayer a 14 de fevereiro de 2020.

À primeira vista a premissa pode parecer bastante básica, já para não falar que existem bastantes séries/filmes que abordam temáticas assim e, para ser sincera, a própria série num todo é ligeiramente básica e estranhamente familiar, pois parece que já vimos aquilo em algum lugar. Contudo, tenho que vos confessar que gostei bastante de ver cada um dos episódios e, no final, a palavra que me vem à cabeça capaz de descrever a série é enjoyable.

Não é algo de novo e certamente não entrará para o top de séries favoritas, mas com episódios curtos (pouco mais de 25 minutos cada um), repletos de drama adolescente e mistério, a série consegue ser suficientemente divertida e interessante, a ponto de prender a nossa atenção e quando damos por isso já vimos os primeiros cinco episódios e nem demos pelo tempo passar.

A série não perde tempo a enrolar demasiado o espectador, o que faz com que nunca fiquemos aborrecidos, no entanto, achei que algumas coisas foram tratadas de forma leviana de mais. Situações e assuntos que mereciam um pouco mais de atenção e/ou uma melhor abordagem foram tratados de forma demasiado leve e, para mim, isso foi um ponto menos positivo. É verdade que é uma série adolescente e o objetivo pode ser somente entretenimento e não passar grandes lições de vida, porém, se abordam as questões, porque não dar-lhes um pouco mais de ênfase? Não me importava que os episódios fossem um pouco maiores se essas questões tivessem sido abordadas de forma mais profunda. Além disso, algumas atuações ficaram um pouco aquém do desejado; porém, a cinematografia e, principalmente, a banda sonora acabam por compensar, e muito, essas atuações um pouco mais fracas.

Posto isto, e se gostam de séries do género de Riverdale (mas com menos episódios, episódios mais curtos e sem 1/10 da bizarrice), Pretty Litte Liars (mas sem enrolar tanto) e/ou Élite, então acredito que vão gostar desta também. Se não gostam de nenhuma das séries mencionadas anteriormente, acredito que também podem vir a gostar desta série, mas só se tiverem em mente o seu tipo e não criarem muitas expectativas em redor da mesma. No geral, se procuram algo para ver só para descomprimir e passar o tempo acho que é uma boa escolha, porque penso que até vão acabar por se divertir e quem sabe até gostar (como foi o meu caso).

 

Episódio de Destaque:

Get On It (Episódio 1) – O primeiro episódio, a meu ver, começou logo com o pé direito, sendo que é capaz de ser o meu favorito de toda a temporada. O episódio está muito bem conseguido, uma vez que consegue prender logo a atenção, não só dado à narrativa/diálogo inicial, mas também por ter mostrado logo o mote do mistério (fazendo ligeiramente lembrar How To Get Away With Murder e Élite), o que também nos desperta a curiosidade. Ao ser o primeiro episódio, e com uma duração tão curta, poderia ser difícil escrever um guião suficientemente capaz de conseguir prender o espectador e levá-lo a querer ver os restantes episódios. Mas esse objetivo foi bem conseguido (pelo menos para mim), não só através de uma boa narrativa, mas também de uma excelente banda sonora e de uma cinematografia que apesar de ser simples consegue ser bastante bonita (em particular os arredores da escola e o local onde o grupo se encontra).

Personagem de Destaque:

Bree Deringer (Mia McKenna-Bruce) – Apesar das quatro raparigas apresentarem histórias interessantes e terem personalidades distintas, mas que se complementam de certa forma, criando um grupo bastante interessante e que até dá gosto ver, não podia escolher outra pessoa que não Bree. Desde o primeiro episódio que gostei bastante dela e a minha afeição pela personagem só foi crescendo ao longo dos episódios. Mesmo aparentando ser alguém que não se importa com os outros, a verdade é que ela se preocupa realmente com as pessoas e faz as coisas pelos motivos certos (ao contrário, por exemplo, de Kitty, de quem não gostei muito), já para não falar que Bree sempre fez o possível para manter o grupo unido. Para além disso, ela proporciona momentos bastante engraçados com Shane (Danny Griffin) e John (Isaac Rouse).

Cármen Silva