01x10 - No Place Like Home

01×10 – No Place Like Home

O último episódio da primeira temporada de The Last Ship foi principalmente fundação para a segunda.

Voltámos ao Nathan James ao som de música glorificadora. A tripulação recebeu a vacina e como era expectável, planeou-se o regresso para terra firme dos EUA.

É claro que depois de um início tão positivo era óbvio que algo teria que correr mal e, afinal de contas, isto é um finale!

Mas durante um bom bocado as coisas pareceram manter-se na nota positiva.
Uma estranha transmissão que era dirigida ao USS Nathan James e afirmava saber da sua missão e garantia possuir as instalações necessárias à missão, mostrou ser da autoria de Amy Granderson, a mãe da nossa tenente (Alisha) Granderson. A vice-chair da Defesa foi das poucas a saber da missão do USS Nathan James e puxou os cordelinhos para a filha ser designada para tripulação.

Durante o aportar do James, o Thorwald (personagem que já no episódio passado se intuía um novo vilão) estava à espreita e foi surpreendido pela aparição da Granderson em pessoa. O Thorwald queria-a morta, mas o seu comparsa não conseguiu ter uma linha de visão desimpedida para o tiro fatal.
Esta cena trabalhou muito bem a tensão, não só do quase-atentado à vida a Amy Granderson, mas também do encontro entre duas fações(James e Baltimore), que mesmo sendo amigáveis à partida, não deixavam de ser estranhas uma à outra.

Eu estava convencido que os problemas que originassem o cliffhanger e nova história para a segunda temporada adviessem do Thorwald, mas fui bem enganado. Claro que estava à espera que a Greenwald tivesse interesses próprios neste mundo antiutópico, mas ela ser a verdadeira e absoluta vilã foi uma grande surpresa. O crédito desta deliciosa reviravolta distribui-se entre várias secções: a escrita, que conseguiu criar cenas que nos impulsionassem a colocar o Thorwald no lado negro, mas que mais tarde se mostrassem suficientemente ambíguas quando se revelasse a verdade; a interpretação maravilhosa (como seria de esperar) da (incrível) Alfre Woodard, como Amy Granderson, que manteve a ambiguidade do carácter da personagem na medida perfeita; e, finalmente, o trabalho da realização/produção que entrecortou o diálogo da Amy com a cena que mostrou o Thornwald como o bom da fita.
Contudo, dito isto, deve dizer-se que nem tudo foi bom nesta revelação. Enquanto, a priorização da cura para as mentes mais brilhantes e produtivas é credível (mesmo que numa dimensão de despotismo governamental), ativamente matar as vítimas do vírus que acabariam por morrer de qualquer forma, não faz sentido nenhum. E queimar os corpos para dar energia à cidade? Nem sei por que ponta pegar com este conceito, por isso nem vou tentar…

Todavia, mais aconteceu neste episódio, antes e depois da reviravolta.

A mulher do Chandler adoeceu mesmo e o pai dele e os filhos também foram infetados. Quando em Baltimore o Chandler conseguiu finalmente contactar o pai e descobriu, a urgência da situação transpareceu muito bem nas cenas seguintes. Também foi por esta altura que a máscara da Amy começou a descolar ainda que não se compreendesse muito bem o que estava a acontecer. Os homens Baltimore não queriam ir até Olympia, apesar de com toda a gente imunizada, não fazer sentido a relutância. É claro que ao ficarmos a saber que os doentes estão a ser assassinados com um cocktail de químicos pelos homens da Amy, já se percebe que quisessem manter os homens do USS James longe dessa realidade. A situação terminou com os polícias mortos e o Jeter ferido. O Chandler dirigiu-se a Olympia enquanto os restantes levaram o Jeter para o navio.

Em Olympia, o Chandler descobriu a verdade sobre o ‘tratamento’ a ser prestado aos infetados. Felizmente chegou a tempo para curar o pai e os filhos antes disso. Mas nem tudo foram rosas. A mulher não resistiu. O medo do capitão há uns episódios atrás cumpriu-se parcialmente: não voltou a ver a mulher.

No James, as coisas não estão melhores. Depois do confronto com o Chandler e de a Dra. Rachel também ter descoberto as intenções do “tratamento”, a Amy ordenou aos seus homens a bordo para assumirem o controlo do navio. O Norris matou um dos tripulantes logo à partida e ameaçou o XO que aconteceria o mesmo ao resto se ele não os reunisse em rendição. Num ato heroico, o Quincy ainda lhe tentou tirar a arma, apenas para ser alvejado no estômago. Ficámos sem conclusão para este confronto, porém, não acredito que a tripulação do James se renda tão facilmente. Foi um bom cliffhanger!

Outras coisas:

– A discussão do Quincy com a mulher a ser outro bom momento de desenvolvimento de personagem.

– O Tex divorciou-se do James. Não sei antes pregar um beijo na Dra. Rachel. A cena foi muito bem executada e é óbvio que ele regressará na próxima época, de certeza que a salvar alguém no último minuto.

Nota episódio: 8/10

Antes de dar a nota de temporada tenho que fazer alguns reparos. Não tirei especial prazer de ver The Last Ship na sua maioria. Não desgostei, mas não adorei. Como tal, na minha ânsia de ser o mais justo possível com a série, acabei por exagerar nas minhas notas sempre que a série fazia alguma coisa particularmente bem e que eu não estava à espera. Na sua maior parte, tal ocorreu quando The Last Ship se virou para o trabalho de personagem, algo que ignorou largamente no primeiro trio de episódios e que eu esperava que continuasse a ignorar. Para meu espanto, não foi o que aconteceu e a temporada terminou até com o trabalho de personagem a ser um dos seus fortes, salvo raras exceções. Outro aspeto positivo da série foi as performances também boas na maioria. Mas o ponto mais forte terá sido mesmo a ação, a qual também teve do seu lado uma produção de valor elevado e competência.

Todavia, disse “salvo raras exceções” no trabalho de personagem. E as exceções foram bastante notáveis cada vez que eram trazidas ao ecrã (e.g. Green e Kara). Interpretações “boas na maioria” também não são todas (sim, ainda estou a olhar para o Green e para a Kara). Na verdade, neste caso também há que culpar, não só na questão de personagens, mas também de interpretações, o argumento. Não são todos os atores que têm que conseguir fazer mundos quando lhe é dado tão pouco e de tão desinteressante, como fizeram com o Green e a Kara.

Depois de uma contemplação mais geral, a minha nota ficará cerca de meio ponto aquém do que se esperaria pelas notas individuais até à data.

Nota Temporada: 8/10

P.S. Reporto ainda que dificilmente me sentirei motivado a ver a segunda época de The Last Ship e, por consequência, não voltarei para fazer as reviews. Se elas continuarão a existir ou não, fica para ser visto. Ainda falta um ano e até lá poderá surgir alguém com interesse de as fazer. Aliás, desde já lanço o convite aos leitores que gostam da série e que gostariam de fazer review! Junta-te ao SDTV!

André F Dias