The LAst Ship

01×07 – SOS

Episódios particularmente bons dão sempre um pouquinho mais trabalho a fazer review do que episódios menos bons. “SOS” foi um episódio particularmente bom e dos melhores de The Last Ship até à data. Progredimos em relação ao vírus, tivemos interações agradáveis e naturais entre personagens e acabámos com o melhor cliffhanger da época.

Os Russos voltaram neste episódio e, apropriadamente, começámos com o cientista ainda sem nome que vimos no episódio “Dead Reckoning” em isolamento, por detrás do plástico, no barco russo. O flashback deixou bastante claro que o responsável pela mutação mais mortal do vírus, a criada por mão humana, foi este cientista. Falta sabermos todos os pormenores, mas parece que ele criou esta versão porque julgava que o sistema imunitário a reconheceria mais facilmente para combater o vírus. E testou tal versão nele próprio. Ele sobreviveu, mas exatamente porquê? Segundo a Dra. Scott o gene adicionado ao vírus é um gene humano. Se este cientista utilizou o seu próprio gene, pode ter simplesmente criado uma vacina genética específica para ele. Ou, noutro conceito introduzido neste episódio, ele podia muito bem já ser imune ao vírus. Mas uma coisa é certa, foi ele o responsável pela existência do novo vírus e pelo alastrar. Apesar do vírus não o afetar a ele, continuava infetado, infetando quem contactava, inclusive pessoas como a sua namorada, que poderá ter sido a responsável pela chegada do surto à Europa.

Bem, mencionei atrás a introdução do conceito de imunidade. Não é descabido que existam pessoas imunes ao vírus e as nossas personagens tropeçaram numa, graças a um dos tripulantes que tem ouvido as transmissões que o USS James intercepta e reconheceu a voz da rapariga de outras anteriores. A tripulação do navio em que ela se encontrava foi morrendo toda e ela era agora a única sobrevivente, pelo que as probabilidades seriam que fosse imune. E foi isso que se verificou quando ela chegou ao James e a Dra. Scott lhe fez testes.
A interacção entre a Rachel e a imune Bertrise foi muito boa, mesmo que curta. A atriz Hope Olaide Wilson, de forma bastante simples e sem grandes floreados de dramatismo, entregou o discurso da história da personagem também ela bastante simples. Desta vez, a aposta em menos na introdução de uma personagem resultou. Outra pequena coisa que fez imensa diferença, foi a Bertrise ter-se escondido ao ver que os homens que a iam supostamente resgatar não eram pescadores como o Chandler tinha afirmado pela rádio. Mais importante, foi o efeito dominó que essa agência teve no resto do episódio! É assim que se introduzem personagens! Dando-lhes impacto!

E que impacto teve então a Bertrise ao esconder-se? Voltemos um pouco ao início do episódio. O cientista no navio russo conseguiu deduzir aproximadamente para onde seguiria o Nathan James, tendo em conta que a Dra. Rachel quereria testar a sua vacina. Na altura em que o Cap. Chandler contactou a Bertrise, o navio do Roskov já estava suficientemente próximo para intercetar a comunicação e o Chandler ter dito que era um de pescador não enganou os russos. Mais importante, eles ouviram as coordenadas que a Bertrise indicou. Porque ela se escondeu, quando a nossa tripulação chegou, perdeu mais tempo a procurá-la e os russos intercetaram-nos. Sucedeu-se um confronto e o grupo com a Bertrise conseguiu escapar para o navio, mas o barco com o Chandler e o Tex acabou por receber demasiados danos e começou a afundar.  Os dois viram-se então a flutuar na plena vastidão do oceano e com um dilema em mãos. Se a tripulação os procurasse para os levar para o navio, o Ruskov ficaria a saber a localização do USS James, e o Cap. Chandler não o podia permitir. Como tal, comandou que não o procurassem, para desânimo da tripulação e para desespero do Tex. É óbvio que a tripulação não desistiria tão facilmente do seu capitão – também era óbvio que não iam matar o protagonista -, mas esta situação proporcionou o cenário ideal para o momento de criação de laços entre o Chandler e o Tex.

As cenas e as conversas que tentaram criar laços entre personagens até à data foram quase todas bastante plásticas, mais notoriamente no preciso caso do Tex e nas suas conversas com o Danny. Aqui, com o Chandler, nesta cena em que se confrontaram com a morte, cada pequena coisa ganhou dimensão e peso. Enquanto nas conversas com o Danny, o seu interesse pela Dra. Rachel se revestia de infantilidade, nesta cena, talvez pela graveza inerente, o seu discurso (flutuou mas) não se afundou no tom juvenil característico do Tex. Talvez também tenha ajudado que a contraparte da conversa fosse diferente e nas mãos do competente Eric Dane. A confissão do Capitão Comandante Chandler de que tinha medo de não voltar a ver a família foi especialmente desoladora.

No final, apesar de a tripulação do James ter tentado, foram os russos a encontrar o Chandler e o Tex, capturando-os. E assim ficámos com o primeiro cliffhanger de verdadeiro relevo em The Last Ship: o protagonista nas mãos do inimigo!

Outras coisas:

Toda a história em torno do Cossetti pareceu-me largamente desnecessária. Então já não tinha ficado resolvido o problema de eles terem querido ir embora no episódio passado? Parvoíce…

– Vimos a filha do Quincy. Ele já tinha mencionado que o Ruskov também a tinha, mas não a vimos no outro episódio.

– O Ruskov continua excessivamente vilanesco, embora tenha sido o vetor para bons momentos.

Nota: 8.5/10 

André F Dias