A 2.ª temporada de Avatar: The Last Airbender (Avatar: O Último Airbender), da Netflix, vê-se bem, o que tanto pode ser considerado uma qualidade como um defeito.
Pelo lado positivo, continua a ser uma série que entretém bastante. A história prende a atenção, mesmo sem nunca atingir um nível verdadeiramente excecional. As interpretações são boas no geral, embora aqui e ali exista alguma tendência para um exagero nas emoções, algo que acaba por encaixar no tom mais leve da produção. O elenco continua carismático, com destaque para Aang (Gordon Cormier) claro, e a boa nova adição de Toph (Miyako). A produção mantém um nível técnico bastante sólido, com cenários e efeitos visuais que ajudam a dar realismo e credibilidade aquele universo.
O problema é que sinto que a temporada não acrescenta assim tanto. O ritmo podia ser mais consistente e, apesar de o meu primeiro contacto com este mundo tenha só através desta série, a estrutura da narrativa acaba por se tornar previsível. A sensação é de que estamos constantemente no mesmo ciclo: Aang precisa de dominar um novo elemento, procura alguém que o ensine, a Nação do Fogo aparece para estragar os planos, o grupo escapa e segue para a próxima paragem, onde tudo recomeça. Mudam os cenários, mudam alguns acontecimentos, mas a dinâmica mantém-se praticamente igual durante grande parte da temporada.
Talvez também esteja a ser um pouco mais exigente do que devia. A fantasia e a ficção científica são, de longe, os meus géneros favoritos e continuam a ser dois tipos de produção que não abundam propriamente na televisão. Por isso, é inevitável fazer comparações com outras séries recentes. Fiquei bastante desiludido com os cancelamentos da genial The Sandman, da excelente The Wheel of Time e da bastante aceitável Shadow and Bone. Sei que a comparação pode ser injusta, até porque Avatar tem um tom muito mais leve e assumidamente juvenil do que essas produções, mas ainda assim é difícil não a fazer. Acaba por faltar aquele elemento que me faça ficar verdadeiramente investido na jornada e ansioso pelo episódio seguinte.
Em suma, esta é uma boa temporada. Não faz nada de particularmente memorável nem reinventa a roda, recorrendo muitas vezes a uma fórmula demasiado repetitiva, mas consegue entreter durante os seus episódios. Sabendo que a série já está renovada para uma 3.ª e última temporada, certamente estarei lá para ver o culminar da jornada de Aang. E ainda bem que vai terminar nessa altura, porque já é bastante evidente a diferença física do elenco desde a 1.ª temporada. É um problema inevitável quando se trabalha com atores adolescentes (Stranger Things sofreu exatamente do mesmo) e faz sentido fechar a história antes que o Avatar deixe de parecer um jovem em crescimento para parecer um adulto feito.
A 2.ª temporada de Avatar: The Last Airbender já se encontra disponível na Netflix juntamente com a primeira, ainda não existe data de estreia definida para a última temporada.