A minissérie I Will Find You (Eu Vou Encontrar-te), que já estreou na Netflix, é uma daquelas séries que parece seguir uma receita bastante familiar, e segue, mas que acaba por nos prender muito mais do que estaríamos à espera. Não inventa nada de novo dentro do universo das adaptações de Harlan Coben, nem no geral, mas sabe exatamente como manter-nos investidos até ao último episódio.
Não sou um especialista no autor, até porque ainda não li nenhum dos seus livros e, mesmo das adaptações televisivas, não vi todas. A verdade é que muitas acabam por parecer um pouco mais do mesmo dentro deste género. Fui vendo apenas aquelas cujas histórias me despertaram mais curiosidade pela temática, como Lazarus, ou outras que serviam perfeitamente para consumo rápido quando não havia grande coisa para ver, como Fool Me Once. Diria que I Will Find You fica algures no meio dessas duas.
Claro que está recheada de alguns dos clichés habituais do género. Nos primeiros episódios dei por mim várias vezes a pensar: “Mas porque é que fizeste isto e não aquilo?” ou “Isto não faz grande sentido”. No entanto, a verdade é que por volta do terceiro episódio já estava completamente agarrado à história. Acabei por devorar a temporada inteira durante o fim de semana e estava genuinamente investido no que estava a acontecer.
A série tem boas reviravoltas. Algumas são relativamente previsíveis, mas outras conseguem surpreender e fugir ao que esperamos, funcionando bastante bem no conjunto da narrativa. No meu caso, também ajudou a empatia quase imediata que criei com várias personagens, muito graças ao elenco. Há um desfile de rostos familiares de séries que me deixaram saudades, como Lost, Heroes ou Revenge e até de produções que continuo a acompanhar religiosamente, como Severance.
No fundo, quando conseguimos ultrapassar algumas das limitações inerentes ao género e simplesmente entramos na viagem, I Will Find You revela-se uma série bastante eficaz. Entretém, consegue surpreender em momentos chave e deixa-nos constantemente curiosos para descobrir quantas voltas mais a história ainda vai dar. E depois, como é habitual nestes mistérios, chega o momento em que tudo começa a encaixar. Nesse aspeto, cumpre plenamente o seu objetivo e acaba por proporcionar uma experiência bastante satisfatória.
Todos os episódios de I Will Find You já se encontram disponíveis na Netflix.
Melhor episódio:
Episódio 6 – O melhor episódio foi, sem dúvida, o sexto. Foi aqui que, na minha condição de detetive amador, já tinha praticamente resolvido o caso na minha cabeça e estava convencido de que a minha teoria ia bater certo. O problema é que não bateu. Mas no fundo até foi positivo: a série conseguiu surpreender-me e, ao mesmo tempo, ficou claro que afinal não vou mudar de carreira.
Personagem de destaque:
Rachel Mill – Britt Lower – Neste tipo de séries é sempre difícil destacar alguém para além do protagonista, mas curiosamente não foi ele quem mais me marcou. Rachel acabou por ser, para mim, o verdadeiro motor da narrativa. Apesar de algumas decisões que me fizeram levantar a sobrancelha ao longo da temporada, foi frequentemente ela quem empurrou a história para a frente e protagonizou alguns dos momentos mais impactantes.