The Boys – Crítica da 5.ª Temporada
| 22 Mai, 2026
8.15

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The Boys, da Prime Video, chegou ao fim com esta 5.ª temporada e só me apetece escrever: ainda bem. Não porque não goste da série, ou porque não a ache relevante, impactante e até genial naquilo que se propõe, tanto na crítica social como no entretenimento, mas porque as últimas duas temporadas perderam a frescura que as primeiras três nos tinham apresentado. Portanto, aplica-se aqui o velho mote de sair enquanto ainda se está a ganhar.

Mas vamos lá falar desta temporada final. Os primeiros episódios até começaram bem, muito melhor do que tinha começado a temporada anterior. No entanto, ao longo da temporada foi-se notando o cansaço narrativo e a falta de ideias para tornar esta reta final verdadeiramente memorável. Todo este esforço para acabar com Homelander (Antony Starr) acabou por tornar os episódios mornos, alguns até a roçar o aborrecido, porque pareciam andar constantemente à volta do mesmo tema.

De um lado, tínhamos Homelander a ficar cada vez mais psicótico e, embora as semelhanças com a realidade atual tenham sido bastante certeiras, acho que nem a própria equipa julgava que aquilo que começou lá atrás na 1.ª temporada como devaneios exagerados pudesse tornar-se agora um reflexo tão próximo do que se está a passar nos Estados Unidos e das figuras que os lideram. A realidade a aproximar-se da ficção, em contraponto ao caminho habitual. Ainda assim, acabou por ser sempre mais do mesmo: espiral de loucura atrás de espiral de loucura, mas sem nunca se perceber verdadeiramente, em termos globais, o que aquilo estava a representar. A perspectiva ficou demasiado centrada no interior daqueles edifícios dominados por ele e numa longa preparação da prequela focada em Soldier Boy (Jensen Ackles).

Do outro lado, víamos constantemente os Boys a tentarem arranjar maneiras de o derrotar, mas o plano arrastava-se e arrastava-se. E depois a conclusão acabou por parecer algo forçada, com uma resolução quase em modo deus ex machina, quando tinham trabalhado tantas possibilidades mais interessantes, até em Gen V (recentemente cancelada), como a hipótese de passar por Marie Moreau (Jaz Sinclair), por exemplo.

Faltou sentido de urgência. Faltou o verdadeiro sentimento de perigo que as primeiras temporadas transmitiam. Houve aqui e ali alguns vislumbres disso, como a excelente cena entre A-Train (Jessie T. Usher) e Homelander, que foi realmente muito boa, mas guardaram praticamente tudo para o último episódio.

E isso acabou por atenuar um pouco a sensação de que a temporada ficou aquém do que deveria ter sido. Não salvou a temporada, mas deu pelo menos um final digno à série. Nesse último episódio houve efetivamente um pouco de tudo aquilo que tornou The Boys uma série tão aclamada: boas sequências de ação – afinal é uma série de super-heróis e tinham de existir confrontos épicos -, teve momentos cómicos muito engraçados e também momentos emocionais, com perdas reais e consequências que perduram na história.

O que torna tudo isto agridoce é perceber que, afinal, eles ainda sabiam fazer. E se ainda sabiam fazer, porque não entregar uma última temporada inteira ao mesmo nível?

Quanto ao desfecho das personagens, acho que tudo o que aconteceu fez sentido e foi coerente. Não havia outra forma de Homelander e Butcher (Karl Urban) acabarem. Tinham, à sua maneira, de ser responsabilizados por tudo aquilo que fizeram. Já as personagens de Gen V acabaram por ser quase figurantes, o que dá a entender que Eric Kripke deveria ter mesmo planos para continuar a explorá-las numa 3.ª temporada.

E temos de falar de The Deep (Chace Crawford). Honestamente, desfecho melhor e mais catártico não poderia ter tido. Como se costuma dizer: pela boca morre o peixe.

Em suma, não foi a melhor temporada de The Boys, longe disso, mas a quarta também já não tinha sido. Houve muita escolha que pareceu pura preguiça e cansaço criativo. Enrolaram desnecessariamente os mesmos temas durante episódios a mais. Ainda assim, entregaram pelo menos um final épico, satisfatório, e que honrou o legado da série e o sentimento da temporada não pode estar desassociado da série como o fenómeno de entretenimento que foi e daquilo que de bom nos entregou ao longos destes anos todos. Este episódio deu para emocionar, para voltar a torcer pelos “heróis”, para sentir aquela satisfação quando os maus finalmente pagam pelos seus atos.

Mas ainda bem que acabou.

A 5.ª temporada de The Boys já se encontra disponível na totalidade na Prime Video, juntamente com as restantes quatro.

Melhor episódio:

Episódio 8 – Blood and Bone – Quanto ao episódio de destaque da temporada, sem dúvida que foi o último. Foi aí que finalmente apareceu tudo aquilo que andava a faltar ao resto da temporada: tensão, urgência, emoção, consequências reais e grandes momentos de ação. Pareceu finalmente uma verdadeira reta final, com confrontos épicos, despedidas marcantes e aquele sentimento constante de que ninguém estava realmente seguro. Mesmo não salvando por completo os problemas da temporada, conseguiu pelo menos entregar um final digno e deixar a série a acabar em alta.

Personagem de destaque:

Homelander (Anthony Starr) – Homelander acabou por ser, sem grande discussão, o personagem de maior destaque de toda a série. Não apenas pela forma como foi escrito, mas sobretudo pela interpretação absurda de Antony Starr, que conseguiu criar um vilão simultaneamente carismático, aterrador, imprevisível e até estranhamente humano em certos momentos, no sentido em que nem todo o poder do mundo era suficiente para resolver os traumas por que passou. Ainda assim, a escolha não é assim tão fácil, porque o Butcher de Karl Urban esteve praticamente ao mesmo nível durante toda a série. Um personagem igualmente icónico, brutal, cheio de camadas e dono de algumas das melhores cenas e diálogos de The Boys. No fundo, foram os dois pilares absolutos da série.

The Boys - Crítica da 5.ª Temporada
Temporada: 5
Nº Episódios: 8
8.15
9
Interpretação
7
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

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