Hacks – Crítica da 5.ª temporada
| 30 Mai, 2026
8.25

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Estava longe de imaginar que o final de Hacks, com esta 5.ª temporada, mexesse tanto comigo, mas sinceramente não devia ter ficado surpreendida. Não é a série mais sentimental do mundo, mas quando vai por esse caminho é sempre bem-sucedida e são vários os momentos ao longo das temporadas para o provar. Termina com um tom de esperança, termina bem, até, mas o episódio, de uma forma geral foi bastante triste. Como não, não é?

A série foi sempre muito forte em termos de comédia, claro, mas acabou por ser nos momentos de maior vulnerabilidade para as personagens que me agarrou verdadeiramente ao ecrã. Foi uma temporada sólida – como, aliás, têm sido todas – e que equilibrou bem os momentos de humor (aquele episódio em que Ava e Deborah fingem ser um casal vai ser sempre memorável) com crescimento das personagens e algumas partes mais emocionais. A relação de Deborah e Ava é sempre incrível de acompanhar, com aquela energia muito típica das melhores amigas que se adoram, mas vivem para implicarem uma com a outra. Nem acredito que Ava passou aquele tempo todo a acreditar que as mãos dela eram maiores que as de Deborah. Foi a melhor piada da temporada, a sério! Quase chorei a rir. Outro ponto alto da temporada foi vermos Ava a fazer a sua própria cena (estou propositadamente a dizer isso como Ava o diria), com a possibilidade de ter a sua própria série de televisão. Talvez pudéssemos ter tido mais um bocadinho de tempo dedicado a essa parte, porque eu teria gostado de acompanhar.

Não sei se é polémico dizer isto ou se muitas pessoas concordam comigo, mas a pior parte de Hacks é Kayla. Há alguma personagem mais irritante do que ela? Duvido! A personagem é imensamente cringe e as interações dela são quase sempre absurdas e a roçar o extremamente inconveniente. Nunca percebi como é que Jimmy a atura.

É o fim do ciclo de uma das melhores séries de comédia dos últimos anos, mas não sou muito saudosista com as séries, até porque é sempre melhor terminarem quando ainda estão em grande do que arrastarem-se por muito tempo. Sinto que Hacks ainda tinha força para continuar para além desta 5.ª temporada, mas esta era uma altura tão boa como outra qualquer para terminar e ficou a sensação de que a história ficou, de facto, contada. Ava começou a série a ajudar Deborah a salvar a carreira e acabou a salvá-la de formas mais significativas. Duas mulheres tão diferentes em todos os aspetos, mas cada uma acabou por se tornar a pessoa mais importante da vida da outra.

Melhor episódio:

Episódio 4 – Seria muito fácil escolher o episódio final por tudo aquilo que proporcionou emocionalmente e do qual ainda estou a recuperar. No entanto, vou manter a minha primeira escolha. Este episódio do meio da temporada é a prova de que a série também brilha quando retira o foco da sua principal arma, a comédia. Ver Deborah vulnerável, a lidar com o peso do passado, foi sempre uma das minhas coisas preferidas em Hacks e aquilo vemo-la precisamente a fazer isso quando se celebram os 50 anos de uma sitcom que ela criou com o marido. Aquilo que aconteceu, a traição do marido com a irmã, não parece uma grande tragédia, mas foi a grande tragédia da vida de Deborah porque lhe roubou imensa coisa, duas pessoas que ela amava e que teve que aprender a odiar, e modificou-a para sempre, o que afetou a relação com a filha, afetou-lhe também a carreira… Sinto-me sempre tão triste nestes episódios…

Personagem de destaque:

Deborah Vance (Jean Smart) – Sorry, Ava, mas não havia nunca a possibilidade de escolher outra personagem que não Deborah. Deborah é a personagem que mais gosto de ter no ecrã. Isso não significa que seja a minha personagem preferida, embora fosse, mas às vezes gosto de fazer a distinção. Smart é uma atriz magnética de quem não se consegue tirar os olhos, o que é uma energia absolutamente necessária para dar vida a esta personagem tão cheia de vida e tão vaidosa, mas igualmente cómica e capaz de mostrar vulnerabilidade, alguém que talvez não seja exatamente aquilo que mostra os outros porque precisa de usar uma capa para se proteger e evitar voltar a ser magoada. E foi precisamente aí que Ava entrou: ela não ajudou apenas Deborah a escrever piadas, resgatou um bocadinho daquilo que a mentora era – até facilitou um melhoramento na relação com DJ – e fê-la ver o mundo duma outra forma.

Hacks - Crítica da 5.ª temporada
Temporada: 5
Nº Episódios: 10
8.25
8
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
7.5
Banda Sonora

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